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	<title>Metagrafia</title>
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	<description>O blog do Piter.</description>
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		<title>Menos um no Facebook</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 18:54:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Piter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou deixando o Facebook. E a culpa não é dos meus amigos nem muito menos da minha noiva. Eu simplesmente perdi o interesse, e aqui está o porquê. Faz pouco mais de três anos que me rendi ao Facebook. De início, uma idéia muito legal: ficar por dentro do que se passa na vida dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou deixando o Facebook. E a culpa não é dos meus amigos nem muito menos da minha noiva. Eu simplesmente perdi o interesse, e aqui está o porquê.</p>
<p>Faz pouco mais de três anos que me rendi ao Facebook. De início, uma idéia muito legal: ficar por dentro do que se passa na vida dos amigos e familiares, manter contato com quem a vida tornou distante. De cara muito mais interessante e mais bonito que o já falecido Orkut.</p>
<p>Ao fazer intercâmbio, então, pensei que o Facebook se tornaria uma peça central da minha vida: não só poder interagir com os novos amigos, como manter a terra natal informada com o que se passa comigo. A realidade, porém, foi inversa.</p>
<p>Com preciosas exceções, aqueles com quem eu realmente quero dividir o que se passa na minha vida não estão lá. Assim, o que vai para o Facebook acaba se transformando num e-mail ou telefonema. Perco horas separando a foto certa para compor uma detalhada mensagem de e-mail, ao passo que &#8220;curtir&#8221; uma besteira tem valor zero.</p>
<p>O que me faz imaginar um iceberg, pois a palavra aqui é superficialidade. Não só minha, mas do que aparece por lá. Fofocas? Memes? Clipes de música? Fotos fazendo pose na frente do espelho? Não obrigado. O propósito de estar por dentro da vida das pessoas queridas se perdeu no caminho.</p>
<p>Gradualmente a minha atenção foi se focando para o Twitter, blogs e notícias. Informação é minha ferramenta de trabalho, e disso não posso abrir mão. Mas ficar de olho na vida superficial alheia, sinceramente, pra mim é informação desnecessária e desta prefiro abrir mão. Não à toa, cada vez que eu entrava no Facebook, saía com a impressão de ter perdido meu tempo. Portanto, deixá-lo me parece lógico.</p>
<p>Isso não quer dizer que eu queira me tornar um ermitão ou um completo anti-social. Do contrário: prefiro criar relações mais profundas e duradouras. Isso também não quer dizer que só porque você é meu amigo ou parente e está no Facebook, eu detesto tudo que você publique ou compartilhe; meu sentimento vem do todo e não das partes.</p>
<p>Vou deixar o Facebook de lado e voltar minha atenção para coisas mais importantes na vida. Tenho certeza que, assim, estarei muito mais próximo daqueles que considero.</p>
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		<title>O álbum</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 23:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Piter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[”É um álbum desordenado todo ele. Como são as vidas. Essa é, em parte, a diferença entre a vida e a literatura, onde os personagens, por mais irreverentes, têm todas as saídas e as entradas em cena calculadas, fazem todos um sentido na trama. Na vida, não. Rostos somem e outros aparecem, e outros que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>”É um álbum desordenado todo ele. Como são as vidas. Essa é, em parte, a diferença entre a vida e a literatura, onde os personagens, por mais irreverentes, têm todas as saídas e as entradas em cena calculadas, fazem todos um sentido na trama. Na vida, não. Rostos somem e outros aparecem, e outros que sumiram reaparecem mais tarde, e outros nunca mais. E poucas vezes esse entra-e-sai faz algum sentido, porque na vida tudo é caos e descaminho, tudo é encontro e desconcerto.”</p></blockquote>
<p><b>Eliane Brum</b> &mdash; A Vida que Ninguém Vê</p>
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		<title>Ressuscitando aquele PC velho</title>
		<link>http://www.metagrafia.com.br/blog/archives/2011/08/30-ressuscitando-aquele-pc-velho</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 11:54:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Piter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Qualquer pessoa que é ou foi nerd em algum período de sua vida tem uma gaveta, armário ou garagem repleta de equipamentos eletrônicos e peças de reposição velhos. Sim, aquele drive de disquete 5¼ que você retirou do seu primeiro computador, o seu primeiro processador 80286, além de todos os cabos de rede, de telefone, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qualquer pessoa que é ou foi nerd em algum período de sua vida tem uma gaveta, armário ou garagem repleta de equipamentos eletrônicos e peças de reposição velhos. Sim, aquele drive de disquete 5¼ que você retirou do seu primeiro computador, o seu primeiro processador 80286, além de todos os cabos de rede, de telefone, e filtros de linha que vieram junto com todas as gerações de modem que você adquiriu. Sem falar em todos os celulares e baterias que você não sabe como descartar.</p>
<p>Pois bem. A Prefeitura de Porto Alegre está promovendo a segunda edição da Feira de Descarte Tecnológico, uma oportunidade para dar vida nova a todos aqueles componentes que estão pegando poeira. Se não der para reaproveitar, as peças terão, no mínimo, uma destinação correta. Confira a divulgação e programe-se:</p>
<blockquote><p>Já tem data a 2ª Feira de Descarte Tecnológico em Porto Alegre. Será no dia <strong>10 de setembro</strong>, na Usina do Gasômetro. A primeira feira, realizada em dezembro do ano passado, arrecadou mais de 14 toneladas de equipamentos de informática.</p>
<p>O evento é promovido pela prefeitura da Capital, por meio do Gabinete de Inovação e Tecnologia e do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), em parceria com a Fecomércio-RS.</p>
<p>Os equipamentos recolhidos serão encaminhados pelo DMLU às empresas IZN Recicle Brazil e Trade Recycle, que farão a triagem, a desmanufatura e a reciclagem dos componentes.</p>
<p>Para quem já está em dúvida, informo que dá para deixar por lá celulares, baterias, cabos, monitores, placas de vídeo, mouses, teclados e impressoras, além de outros materiais classificados como lixo eletrônico.</p></blockquote>
<p>Saiba mais no site da <a href="http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/cs/default.php?p_noticia=144030">PMPA</a>.</p>
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		<title>links for 2011-07-26</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 14:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>delicious</dc:creator>
				<category><![CDATA[del.icio.us]]></category>

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		<description><![CDATA[The best country to start a business&#8230; &#8211; WSJ.com (tags: index business)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul class="delicious">
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<div class="delicious-link"><a href="http://online.wsj.com/article/SB10001424052748703859204575525883366862428.html?mod=WSJ_SmallBusiness_LEFTTopStories">The best country to start a business&#8230; &#8211; WSJ.com</a></div>
<div class="delicious-tags">(tags: <a href="http://www.delicious.com/pbalsemao/index">index</a> <a href="http://www.delicious.com/pbalsemao/business">business</a>)</div>
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		<title>Lá ou aqui?</title>
		<link>http://www.metagrafia.com.br/blog/archives/2011/06/30-la-ou-aqui</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2011 18:53:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Piter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui tomado por uma estranha sensação em meu último aniversário. Não por ter chegado à tão desprezada marca de 24 anos. Nem por ter conseguido reunir um bocado de amigos das mais variadas tribos. Mas pelo simples fato de que eu pressentia que o meu próximo aniversário não seria comemorado no Brasil. Também pudera. No [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui tomado por uma estranha sensação em meu último aniversário. Não por ter chegado à tão desprezada marca de 24 anos. Nem por ter conseguido reunir um bocado de amigos das mais variadas tribos. Mas pelo simples fato de que eu pressentia que o meu próximo aniversário não seria comemorado no Brasil.</p>
<p>Também pudera. No dia seguinte, estava eu num avião rumo a Paris e Londres. Voltar à Europa, agora com um olhar mais maduro e interessado, foi uma das experiências mais marcantes e felizes da minha vida. Tão marcante a ponto de me deixar desorientado por alguns meses.</p>
<p>À perturbação de ter aberto os olhos para um horizonte muito maior somava-se um trabalho de conclusão de curso e o fim de um ciclo — minha graduação em Publicidade e Propaganda. Motivos não me faltavam para ficar com um sentimento de &#8220;tá, e agora?&#8221;</p>
<p>Papel e caneta me foram solidários. Me coloquei a pensar nas possibilidades disponíveis. Até então, minhas ideias se limitavam ao meu entorno: me mudo pra capital? Busco um programa de <em>trainee</em>? Faço uma especialização? Encaro direto um Mestrado? Tenho experiência suficiente para um MBA? …</p>
<p>Do brainstorm surgiram muitas ideias, como era de se esperar. Como aprendi com um talentoso redator publicitário, deixei as ideias dormirem por um certo tempo. A lista ficou ali, no canto da mesa. E toda vez que me sentava diante do computador, ela ficava me fitando, e eu fitando ela, de rabo de olho. Até que um dia me ocorreu um estalo, inclinei a cabeça em direção ao nada e pensei: &#8220;e por que não ir além?&#8221;</p>
<p>Um antigo sonho… Novos horizontes… Pensar grande… Vou estudar na Inglaterra!</p>
<p>E foi assim que, numa bela noite de verão, no exílio do meu quarto, sacramentei uma das mais importantes decisões da minha vida. O que veio depois, todos os cálculos, pesquisas e consultas, só veio para afirmar o que já estava decidido: que eu não passaria o meu próximo aniversário aqui.</p>
<p>Não é fácil tomar uma decisão destas. Pense nas variáveis envolvidas e, acredite: há outras tantas que você nem sequer consegue imaginar. Uma decisão como esta molda e transforma tudo o que passou e o que está por vir. Abre-se mão de muitas coisas, entre elas as mordomias de casa, as economias de muitos anos, a praticidade do carro, a segurança do emprego, o conforto dos amigos e da família.</p>
<p>Como um dia já me disseram, arriscar é para poucos. E, um projeto como este nada mais é do que um risco. Há o risco de voltar pra casa no primeiro mês, como já vi muitos fazerem. Há o risco de eu me arrepender até o último fio de cabelo. Há o risco disso tudo se transformar numa maravilhosa experiência de vida, capaz de proporcionar ainda mais oportunidades pessoais e profissionais. Assim como há o risco de eu passar outros tantos aniversários longe de casa. Seja lá ou aqui, só existe uma forma de saber. Arriscando.</p>
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		<title>links for 2011-06-07</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 14:40:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Songkick — Concerts, tour dates, and festivals for your favorite artists (tags: music social)]]></description>
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<div class="delicious-link"><a href="http://www.songkick.com/">Songkick — Concerts, tour dates, and festivals for your favorite artists</a></div>
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		<title>links for 2011-06-01</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jun 2011 14:40:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Method &#38; Craft (tags: design inspiration) Simple Desks (tags: design inspiration architecture decoration)]]></description>
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<div class="delicious-link"><a href="http://methodandcraft.com/">Method &amp; Craft</a></div>
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		<title>links for 2011-05-31</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 14:40:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Memória &#8211; Superinteressante (tags: memory science) ON FOR OFFS (tags: ebook advertising)]]></description>
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<div class="delicious-link"><a href="http://super.abril.com.br/memoria/">Memória &#8211; Superinteressante</a></div>
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		<title>Cabeça masculina</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Sep 2010 04:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Piter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Jorge era um cara normal. E claro que, sendo um cara normal, ia ao supermercado com a esposa e a única coisa a qual se prestava era comprar cerveja e abrir a carteira. Um dia, sua mulher pediu para que ele comprasse sua loção de barba. Como era normal que ele reclamasse que ela sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jorge era um cara normal. E claro que, sendo um cara normal, ia ao supermercado com a esposa e a única coisa a qual se prestava era comprar cerveja e abrir a carteira.</p>
<p>Um dia, sua mulher pediu para que ele comprasse sua loção de barba. Como era normal que ele reclamasse que ela sempre comprava a marca errada, Jorge não teve escolha se não acatar quem realmente mandava na casa e lá se foi, após abastecer o carrinho de latinhas, ao setor de higiene &#038; beleza.</p>
<p>Normalmente ele não tinha problemas de localização. Mas era normal que qualquer homem sentisse dificuldades em encontrar o que estava buscando no setor de higiene &#038; beleza. E Jorge ficou lá, com sua cara normal, andando para lá e para cá no corredor mais cheiroso e bem iluminado do supermercado.</p>
<p>Eis que seus olhos se depararam com a seção de shampoos. Anti Frizz, estava escrito. Nenhum homem normal saberia que diabos significaria aquilo. Jorge ficou pensativo, levou a mão à cabeça e se perguntou que tipo de cabelo ele tinha. Ora, cabelos normais. Mas, curioso com aquele produto, pôs se a ler o rótulo. Curiosidade, normal.</p>
<p>Logo chegaram duas mulheres espivetadadas, falando alto ao seu lado. Uma delas esticou a mão e agarrou um frasco do mesmo modelo que Jorge acabara de pegar. Anti Frizz. Este aqui é aquele que eu te falei que não deixa o cabelo levantar as pontinhas, disse a mulher a sua amiga.</p>
<p>Não levanta as pontinhas.</p>
<p>Jorge não queria demonstrar fraqueza diante das duas belas moças. Agarrou o frasco com confiança, empinou a cabeça  e foi triunfante em direção ao carrinho de sua mulher. No caminho, foi pensativo: é normal levantar uma pontinhas do cabelo quando eu saio do banho, não custa experimentar e ver no que vai dar. Depositou o frasco no carrinho da mulher, sem que ela percebesse, bem na hora em que ela já estava concluindo suas compras.</p>
<p>A verdade é que sua esposa não reparou o novo frasco de shampoo no banheiro, nem tampouco que o marido havia esquecido de comprar sua loção de barba. Ou pelo menos não comentou nada. Isso era normal. Mas passadas algumas semanas, ela dispara: engraçado, teu cabelo ultimamente anda tão sem brilho. Como assim anda sem brilho?, pensou Jorge. Em pleno café da manhã, ela me sai com uma dessas? Meu cabelo é normal!</p>
<p>O fato é que aquele shampoo Anti Frizz havia tirado seu cabelo da normalidade. Jorge se deparou olhando para o espelho, no banheiro do trabalho, e, embora não percebesse diferença alguma em seu cabelo, decidiu passar no supermercado na volta do trabalho e comprar o seu velho shampoo para cabelos normais.</p>
<p>Na seção de higiene &#038; beleza, agora mais bem situado naquele universo, Jorge custou a encontrar seu antigo shampoo, afinal de contas, quem fazia esta escolha era sua mulher.  Mas, tão logo reparou no modelo “recupera e dá brilho”, achou ser uma escolha mais acertada.</p>
<p>Mais alguns dias se foram, até que novamente sua amada disparou um novo comentário, agora ao chegar do trabalho: engraçado, Jorge, como teu cabelo tem ficado oleoso a essa hora do dia. Isso é normal, não é?, perguntou ele. Mas o silêncio disse tudo.</p>
<p>No outro dia, diante de sua já íntima seção de higiene &#038; beleza, no supermercado, Jorge estava programado a adquirir um shampoo para cabelos oleosos. Mas como seu cabelo era normal, pensou que o shampoo “cabelos normais que ficam oleosos ao longo do dia” fosse mais adequado. E pagou e saiu.</p>
<p>Dali em diante foi um caos total. Do shampoo de combate à oleosidade passou ao anti-caspa. Do anti-caspa ao que dá volume. Do que dá volume ao sem sal. E quando chegou no Advanced Therapy Anti-Queda, já era tarde demais.</p>
<p>E foi ali, vendo seu marido diante do espelho, passando a mão no puro couro cabeludo e com aquele olhar de tristeza, que ela disparou: não te preocupa, Jorge. Isso é normal.</p>
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		<title>Montanha russa</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 02:10:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Piter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos aceitar. A vida é feita de altos e baixos. Por mais que você se esforce, seja bom, querido, amigo, companheiro, uma hora a casa cai. Quem teoriza sobre isso é Alain de Botton, em sua palestra A Kinder, Gentler Philosphy of Success. Ele diz que jamais alguém será bem-sucedido em todas as áreas da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos aceitar. A vida é feita de altos e baixos. Por mais que você se esforce, seja bom, querido, amigo, companheiro, uma hora a casa cai. Quem teoriza sobre isso é Alain de Botton, em sua palestra <a href="http://www.ted.com/talks/alain_de_botton_a_kinder_gentler_philosophy_of_success.html">A Kinder, Gentler Philosphy of Success</a>. Ele diz que jamais alguém será bem-sucedido em todas as áreas da vida. Concordo.</p>
<p>A ideia é muito simples: para obter o máximo de alguma coisa, você precisa sacrificar outras. Por exemplo, se o seu foco é a carreira, terá de sacrificar algumas coisas: sua vida social, afetiva, amorosa. Ou é foco ou não é, e foco implica deixar coisas de lado. No entanto, existe uma forte pressão que tenhamos sucesso em tudo, uma questão cultural. Cabe aí justamente definir que é <em>sucesso</em> para você, e perseguir este ideal, este equilíbrio.</p>
<p>O problema é que nem tudo depende de nós. Ainda que você realmente seja o melhor naquilo que faz, pode acabar sendo entrevistado por um medíocre. Vivemos em sociedade, num mundo repleto de interações e indivíduos com suas próprias cabeças, crenças e desejos, absolutamente fora do seu controle. Chame de destino, sina, ou o que for. Mas não há como dar conta de tudo.</p>
<p>A vida, assim como a montanha russa, é uma incógnita. Antes de entrar, até temos uma vaga ideia dos riscos que iremos passar. Vemos gente saindo com cara de vômito, outros radiantes correndo para a fila novamente. E só saberemos como iremos reagir, ou o que ela significará para nós, quando a enfrentamos.</p>
<p>Mas o que mantém a montanha russa em equilíbrio é justamente os seus altos e baixos. A mesma rampa que lhe faz descer com um enorme frio na barriga é aquela que garante a sua subida. Chama-se energia cinética (lembra das aulas de Física?). E, sem a descida, você não atravessaria os loopings, twists e as partes mais divertidas deste percurso.</p>
<p>Eu garanto que o passeio é muito mais divertido com alguém ao seu lado. Alguém que realmente se importe com você, que esteja disposto a enfrentar os mesmos desafios pelo caminho, por acreditar que aquilo tudo será maravilhoso, por mais louco que pareça. E alguém assim não é tão fácil de se encontrar por aí. Por isso, cultive o seu jardim, pois a raça está em extinção. Todos à bordo?</p>
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