Um homem precisa viajar

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

Mar Sem Fim — Amir Klink

(dica do meu grande amigo @brunoosorio)

Empresa Criativa

Acabei de ler um livro fantástico. Empresa Criativa, escrito por Andy Law, sócio-fundador da agência de comunicação londrina St. Luke’s. Já aviso de antemão que, apesar de ter a publicidade como pano de fundo, o livro vai muito além, pois trata da construção de uma empresa na Era da Criatividade.

A St. Luke’s nasceu a partir da fusão da Chiat/Day (reponsável por campanhas memoráveis, como a “Think Different”, para a Apple) com o grupo TBWA\. Sua unidade inglesa, descontente e desmotivada com a decisão vinda “de cima para baixo”, se mobilizou em torno de um ideal: criar um lugar fascinante para se trabalhar.

Andy Law narra o nascimento de uma empresa que foi de encontro a quase qualquer regra do mundo corporativo, especialmente aqueles em voga na publicidade. Uma empresa que estivesse preparada para entregar um trabalho fantástico, que apostasse e centrasse seu modus operanti em torno da criatividade. Ao longo do livro, Andy aborda as dificuldades e imprevistos encontrados, além das lições aprendidas com seus os erros:

Dez maneiras de fazer uma revolução em sua empresa

  1. Pergunte-se o que você quer da vida.
  2. Pergunte-se o que realmente importa para você.
  3. Doe todas as suas roupas de trabalho para uma instituição de caridade e vista o que você acha que é a sua cara.
  4. Converse com as pessoas (mesmo com aquelas de que você não gosta) sobre os números 1 e 2. (A essa altura, você deve estar se sentindo muito incomodado. Pode até estar enjoado. É normal)
  5. Abra mão de algo de que você precisa muito para trabalhar (mesa, carro da empresa etc.).
  6. Confie em todos que você conhecer. Honre todos os acordos que fizer. (Você deve estar se sentindo um pouco melhor agora.)
  7. Passe por uma experiência em grupo (vale tudo: pára-quedismo, férias…).
  8. Refaça seu plano de negócios para alinhar todas as maneiras acima com seus clientes.
  9. Desenhe uma linha no chão do escritório e convide todos para um admirável mundo novo.
  10. Divida tudo o que você faz e tem de maneira justa com todos que cruzarem a linha. (Você deve estar se sentido livre. Logo, terá as seguintes coisas, nesta ordem: cliente gratos, funcionários inspirados, comunidades amigas, dinheiro)

O livro é tão fascinante e inspirador quanto a própria St. Luke’s. Nela, todos, absolutamente todos os funcionários são sócios. Da senhora que cuida da limpeza ao diretor de criação. Você trabalha numa empresa que é sua; logo, como tudo que é seu, irá tratar tudo com maior cuidado e empenho. Não existem mesas ou computadores pessoais — tudo é compartilhado.

Além disso, a empresa subdivide-se em pequenos grupos menores e independentes, de até 35 pessoas, conforme seu crescimento. Este número, segundo o autor, é o máximo que as pessoas conseguem assimilar e manter relações extremamente fortes entre si. Se uma pessoa faltar, você não ficará pelos cantos reclamando sua ausência, como muito ocorre, mas, pelo contrário, ligará para ela, ou até enviará flores, em caso de doença. E ninguém se importaria de assumir a função da telefonista, se ela é muito próxima de você.

Uma obra cheia de insights e provocações úteis não só para a propaganda, mas para qualquer tipo de negócio.

Tebe Interesno

Um mundo lúdico e inocente, numa fantástica combinação entre fotografia e ilustração. Assim é como eu descrevo o trabalho de Dmitry Maximov, um artista russo de apenas 21 anos. Mais conhecido por seu blog Tebe Interesno, que até onde sei, significa “interessante pra você”, em russo, o jovem Dmitry já teve seu trabalho divulgado em muitos sites e também em algumas revistas.

O que me fascina em seu trabalho é a precisão e o cuidado que dedica às luzes, sombras, reflexos, desfoques e deformações de seus personagens, detalhes minuciosos e que muitas vezes não têm tamanho zelo como aqui; é o que torna, afinal de contas, a mistura destes dois elementos —fotografia e ilustração— tão perfeita.

Confira mais aqui: Tebe Interesno

Ark

Depois de um longo tempo sem postar, finalmente algo que merece ser conhecido e divulgado. No pouco tempo que me resta para ler alguns feeds, encontrei no cpluv um post sobre o curta Ark. Uma superprodução polonesa de animação digital que levou 2 anos para ser finalizada.

A sinopse é a seguinte: Um vírus desconhecido dizima a população mundial. Os poucos restantes migram para ilhas inabitadas e então inicia-se o êxodo, liderado por um homem.

Com uma técnica peculiar para uma animação, o filme foi produzido com modelos feitos à mão e fotografados com câmeras Nikon D70. Isto permitiu a criação de uma luz natural em todos os ambientes, com elementos 3D adicionados posteriormente.

A idéia toda surgiu após uma viagem à Itália pelo diretor e produtor Grzegorz Jonkajtys, ao se deparar com as catacumbas, câmaras onde os cristãos eram enterrados na Roma Antiga. O sucesso do curta, também produzido por Marcin Koobylecki, foi tremendo, recebendo diversos prêmios e sendo exibido em inúmeros festivais, como no Festival de Cannes de 2007.

Assista ao trailer ou baixe a versão em alta-definição (HD 720p).

(via cpluv)

Zune na visão de um brasuca

O estúdio Nervo, conduzido pelo brasileiro Nando Costa lançou uma série de filmetes para o Zune, o MP3 player da Microsoft. Com total liberdade criativa, tanto na parte gráfica como na trilha sonora, foram trabalhados conceitos que focavam o compartilhamento de músicas, a beleza do aparelho, a liberdade para personalização, entre outros.

Nando começou sua carreira no Rio de Janeiro. Fundou com a sua mulher o famoso estúdio Nakd, o qual conquistou grande exposição no exterior. Mais tarde, o artista se mudou para Boston, Estados Unidos, onde assumiu a direção de criação da agência Modernista! —que por sinal, tem um site bem legal, todo baseado em serviços pré-existentes, como Google, Wikipedia e Flickr.

Confira os vídeos.

Ficha técnica:
Direção de Criação: Nando Costa
3D: Thiago Costa, Jeff Norombaba e Joshua Cox
Montagem: Thiago Costa, Jeff Norombaba, Alphonse Swineheart e Robbie Johnstone
Storyboard: Fabiana Fortes
Som: Darrin Wiener

(via cpluv)

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