Um mundo lúdico e inocente, numa fantástica combinação entre fotografia e ilustração. Assim é como eu descrevo o trabalho de Dmitry Maximov, um artista russo de apenas 21 anos. Mais conhecido por seu blog Tebe Interesno, que até onde sei, significa “interessante pra você”, em russo, o jovem Dmitry já teve seu trabalho divulgado em muitos sites e também em algumas revistas.
O que me fascina em seu trabalho é a precisão e o cuidado que dedica às luzes, sombras, reflexos, desfoques e deformações de seus personagens, detalhes minuciosos e que muitas vezes não têm tamanho zelo como aqui; é o que torna, afinal de contas, a mistura destes dois elementos —fotografia e ilustração— tão perfeita.
Ben Fry e Casey Reas, dois cientistas do MIT, desenvolveram uma linguagem de programação voltada a artistas, designers, estudantes, enfim, não-programadores, para ensiná-los a programar dentro de um contexto visual. Eis que surge o Processing, que hoje é amplamente utilizado na produção de vídeos e intervenções artísticas. De graça, vale citar.
Você certamente já se deparou com alguma coisa feita em Processing, porém não sabia até então. O conteúdo, que é automaticamente convertido para linguagem Java, pode ser inserido diretamente numa página da web ou exportado para vídeo ou imagem. E com poucas linhas de código, obtem-se resultados impressionantes.
Em 2007, o estúdio Firstborn criou, para o relançamento da plataforma Windows Live, da Microsoft, um dos mais fantásticos trabalhos feitos em Processing. Dando seqüência ao projeto Operation Smile, eles prepararam um aparato digital capaz de projetar, em um globo do tamanho de um prédio de sete andares, os sorrisos das pessoas que se deixavam fotografar. Em tempo real! O resultado é um deleite visual, como vocês podem conferir clicando na imagem acima. Sem contar que eles tiveram apenas três semanas desde a concepção até a execução do projeto.
Outro projeto que merece destaque é o Query Bursts, desenvolvido pela equipe de Design e Inovação do Yahoo!. Nele, é possível visualizar a propagação de determinados termos de busca ao redor do globo com o passar do tempo.
Como diz meu amigo Rogério, do coolhunterbr, estamos vivendo a era do excesso de informação, de todos os tipos e maneiras. A chave está em saber apresentá-las de forma rica e com alto impacto, algo que com o poder de processamento que temos com os computadores de hoje e uma tecnologia fantástica como o Processing é perfeitamente possível.
Photoshop bom não salva uma idéia ruim. As melhores peças de propaganda ou design gráfico que se vê por aí não começaram numa tela do computador, ainda que o resultado final tenha de passar por um. Tudo começa com a idéia. É ela que vai resolver –ou não– um problema de comunicação, o quê se quer dizer.
Nesse sentido, gosto muito de observar o modo como artistas e ilustradores trabalham, o que revela muitas dicas para o meu trabalho. Para ilustrar este ponto de vista, apresento o trabalho de uma ilustradora espanhola, Irma Gruenholz.
Irma trabalha basicamente com argila, construindo a cena manualmente e fotografando o resultado final em alta-resolução para envio aos clientes. Claro que tudo passa antes pela leitura de um briefing, identificação da necessidade, brainstorm, rabiscos. Mas a síntese de todo o trabalho está na idéia, de que jeito ela irá conseguir transmitir aquilo que ela precisa passar. Este mesmo processo me lembra o trabalho de Carlo Giovani, ilustrador brasileiro que faz verdadeiras obras de arte com papel e dobraduras. Após montada a cena, Giovani fotografa o resultado final e realiza pequenos ajustes finais. Abaixo, um ótimo trabalho dele para a Souza Cruz, cuja direção de arte é de meu amigo Rodrigo Allgayer.