Pra variar, estraguei tudo

Sim, eu vi. Tá tudo errado. Eu juro que foi na maior das boas intenções, só tentei atualizar pro WordPress 2.2 e protzplumbatzt, estraguei tudo. O blog tá todo capenga, as seções não estão funcionando, e se bobear, outras coisas também não.

Então enquanto eu tento desesperado fazer uma faxina na casa, coloque uma par de bons fones de ouvidos (tem que ser fones, desculpe), vá a um ambiente relaxado, feche os olhos e vá à barbearia. Uma experiência sonora fantástica.

(Via Blog da Rua)

Abertura em Allegro

Hoje à noite Porto Alegre recebeu um de seus mais lindos presentes, com a abertura da temporada 2007 do Concertos Sesi, no Teatro do Sesi. Apresentou-se às 19h a Camerata Bariloche, lendária câmara fundada na Argentina, em 1962, por onde passaram muitos dos maiores expoentes internacionais da música erudita.

Logo na entrada, um ar de cultura fervilhava à espera da abertura dos portões. Na verdade um aroma de saboroso café. Velinhos e velinhas, trajados com camisa engomada e terno do mais fino corte. Jovens eram poucos, uma mostra quase que não-estatística.

O começo já revela uma surpresa: o maestro, ao invés de dar as costas ao público, põe-se diante de todos e, com seu violino pequenino, executa com maestria os solos de cordas das Quatro Estações de Vivaldi. Detalhe: mentalmente, sem nem mesmo ter partitura.

Da acústica perfeita da casa à alegria dos músicos via-se que dali sairia um grande espetáculo. Não foi para menos. Já nos primeiros compassos eu tive vontade de quebrar todos os meus CDs, mas a tranqüilidade e sutileza com a qual os músicos tocavam detiveram esta iniciativa.

Porque nada como prestigiar um espetáculo ao vivo, e isso não canso de repetir. Show é hoje, para mim, imperdível, visto que a experiência estética e o prazer proporcionados são impagáveis. Da destreza com que os músicos jovens movimentam seus braços à serenidade dos mais experientes, que tocam violoncelos como se estivessem abrindo um corpo com bisturi, passando pela troca das partituras ao contraste dos coloridos vestidos longos das moças em comparação aos trajes pretos dos homens. O piano Steinway & Sons obsessivamente polido refletindo os músicos à volta. Experiências que sem dúvida complementam e elevam o status de música à sua máxima potência.

Camerata Bariloche 2007
Exibição do grupo em 2007, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre. Burlei as recomendações do evento, e registrei este breve momento de agradecimentos com as minhas lentes. Magnífico.

Além da apresentação impecável das Quatro Estações de Vivaldi, as Quatro Estações de Piazzolla também fizeram parte do espetáculo, músico que também fez parte da Camerata. Interessante poder observar as semelhanças entre essas duas leituras de vida, tão distantes em realidade e tempo, mas tão próximas nas suas conclusões. Piazzolla alia influências do tango e da vida urbana que representam, de forma sonora, a contradição e aflição que vive-se na cidade, em contraposição ao meio rural de Vivaldi.

Fabuloso ter esta oportunidade de conhecer de perto estes músicos. Melhor ainda ver que os gaúchos acolheram tão bem estes artistas, aplaudindo, em pé, ambas execuções, com direito a uma palhinha. Ainda que tenha sido, como de praxe, uma dificuldade enorme conseguir ser atendido pela Telentrega Opus, valeu cada centavo e minuto do meu tempo. E estarei atento para as futuras edições dos Concertos Sesi 2007.

De Cold bastou o nome

Foram quase três meses de sofrimento para que um grande sonho fosse realizado. Da compra dos ingressos, aos primeiros acordes, momentos de tensão e alegria foram intercalados incessantemente, mas enfim, na primeira noite das três exibições do tour Twisted Logic do Coldplay no Brasil, lá estava eu, “em alfa”, cantando de cor e salteado as músicas da banda inglesa.

Já no início de dezembro é que a pulga começou a mordiscar minha orelha. Ciente da vinda da banda ao Brasil, com shows apenas em São Paulo, bati o pé que daria um jeito de ir, custasse o que custasse. Afinal, já havia perdido Dream Theater em 2005, U2 em 2006 e, bom, espero que pare por aí.

Por sorte tive todo o apoio moral e logístico de minha prima, que, morando em São Paulo, se dispôs a hospedar minha namorada e eu em seu apartamento, no maravilhoso bairro Itaim Bibi –sobre o qual prometo e preciso falar em um momento posterior.

Passou natal, ano novo, férias e carnaval, e só então na madrugada do dia 23 para o dia 24 de fevereiro é que tudo pareceu mais real do que parecia: enfim embarcávamos rumo à cidade da garoa.

Choveu, é claro. Choveu no domingo, quando saímos da bilheteria dando pulos de alegria com os ingressos em nossas mãos, assim como choveu a tarde toda de segunda, dia do show.

Ingressos para o Show

Às 21h, a Via Funchal fervia em ritmo paulista. Pessoas e estilos dos mais diferentes surgiam e se moviam para todos os lugares. Todos, assim como eu, com enormes sorrisos em seus rostos, nervosos, esperando o melhor que estava por vir.

Um medo, porém, me tomava. Pois eu, contrariando as recomendações explicitas do ingresso, levei minha câmera digital, juntamente com dois pares de pilhas extras para o show, e temia ser revistado ou ter de deixar o aparelho na chapelaria. Não foi preciso. Como todo grande show, o fluxo de pessoas fala mais alto, e assim ninguém acaba ligando se você vai de mãos abanando ou leva uma Canon EOS-1D Mark II N nas suas costas. Passei pelo armário que verificava os tickets, e foi botar os pés no salão principal para começar o show de abertura da noite, às 21h15min, com os gaúchos Papas da Língua.

Sim, é lógico que reclamei por estar fugindo da minha terra para ver músicos daqui, ainda que eu goste da banda. Mas como a lógica estava mesmo para ser invertida, os Papas fizeram uma abertura bastante agradável, empolgaram o público com o seu “Eu sei” e deixaram o palco 45min minutos depois. Dali, foram mais 30 minutos de nervosismo total.

O público pediu. Começam os aplausos, gritos e assobios. A música aumenta, o palco já montado, pessoas olhando de um lado para outro. Num instante, um visitante global atrai a atenção de todos: Rodrigo Santoro dirige-se ao seu lugar no mezanino central. Mais gritos, as luzes se apagam, 6.000 vozes vão à loucura, Beatles invadem as caixas de som e, subitamente, a introdução de Square One enlouquece a platéia.

Guitarra, baixo e bateria entram em cena. Chris Martin ainda nos bastidores canta os versos iniciais, com um “uaaaa” ensurdecedor da platéia. Quando entra o “From the top of the first page”, o vocalista invade o palco, cercado de luzes num espetáculo sem precedentes, levando os fãs ao delírio. Daí em diante sucedem-se pulos e mais pulos de uma platéia que preferiu ficar em pé o espetáculo inteiro, apesar das cadeiras numeradas, deleitados pelas baladas inglesas.

“E aí, beleza?”, diz Chris Martin, arranhando um português à lá embromation, contagiado pelo calor brasileiro. Uma, das muitas surpresas que estariam por vir, incluindo balões gigantes caindo do teto ao som de Yellow, a uma canção com a banda no meio da platéia, ou ainda a lâmpada arremessada contra o público em “Fix You”, música inesquecível. Um show tão magnífico, tão intenso, que via-se a alegria transbordar tanto dos músicos como de seus grandes fãs. Pena, é claro, a breviedade do show: Intensa hora e meia de felicidade.

Acredito que não fosse o desapego da platéia, um forte “bis” poderia ter trazido a banda mais uma vez ao palco, ainda que tenham tocado, a pedido dos presentes, a música Shiver, numa total improvisação. Vinte e seis de fevereiro de dois mil e sete. Eu sim fiquei feliz. Inesquecível.

O espetáculo

Que coisa fantástica. Às 18h30min, eu estando em minha aula aprendendo noções básicas de mecânica automotica, percebo uma movimentação, num relapso de distração ao olhar pela janela, aos arredores do ginásio municipal.

Uma grande quantidade de flanelinhas tomava conta das ruas. Começam a discutir, brigar entre si, decidem quem pega que ponto, uma confusão e uma gritaria federal. Poucos minutos se passam e enconsta um carro de som próximo ao ginásio. O dono do veículo coloca seu disco especial no aparelho e dá início ao espetáculo. Bruno e Marrone num carro de som. A sala de aula torna-se um tumulto e comenta-se sobre o grande evento da noite de sexta-feira: a apresentação da dupla de Goiás. Respeitável público! Senhoras e senhores! Com vocês… B&M!!!

Sensacional! Não posso deixar de fazer um relato deste episódio sem antes contextualizar disponibilizando trechos de músicas que sensibilizem a memória fazendo com que você, leitor ou leitora, entre no clima e imagine a situação.

Do jeito que você me olha,vai dar namoro!

E o mais consagrado sucesso, fenômeno do país:

Seu guarda eu não sou vagabundo eu não sou delinquente
Sou um cara carente
Eu dormi na praça, pensando nela

Seu guarda seja me amigo me bata me prenda faça tudo comigo
Mas não me deixe ficar sem ela

Não… E o que poderá ser dito dessa canção:

Olha o rebolado que a morena tem
Tá me deixando louco nesse vai e vem.
Olha o rebolado que a morena tem
Tá me deixando louco nesse vai e vem.

E vai subindo e vai descendo destilando seu veneno
Ela tá quente e eu já tô fervendo.

Essa morena eu já saquei que tá na minha
A danada e safadinha e já tá me dando mole
Vou dar um bote feito cobra venenosa,
Vou cuidar dessa gostosa e ficar no bole-bole.

Palavras inexistem para explicar o sentimento que tive ao ler a canção acima. Imagino uma casa noturna, dessas que até a meia-noite elas de mini-saia não pagam e tomam cerveja de graça, e tocando essa música. Que não deve sair de um ambiente assim. Eu queria estar lá!

Mas voltando… Nossa. O carro de som continua a milhão reproduzindo a choradeira dos goianos. Tocou, tocou, passou uma hora, duas, e nada de o som parar. Passado este tempo comecei a achar que o CD estava repetindo. Apesar de achar que todo o repertório dos músicos é igual, comecei a achar que o disco estava repetindo, porém fiquei quieto. Quando o terceiro colega confessou sua suspeita de repetição, então passei a prestar mais atenção.

Estimados leitores deste imenso Brasil. Era a *mesma* música, tocando sem parar, repetindo uma, duas, cinco, vinte vezes e nada de trocar o disco! Eu já sabia a letra de cor, que, aliás, até já foi esquecida, talvez pelo sono.

Ao sair da aula, porém, que inveja. Uma multidão indo assistir ao show, eu observando aquele povão dirigindo-se aos portões. Pensei com os meus botões: puxa vida, que inveja. Ah, pode ser o pior músico do mundo. Animando a platéia e colocando-na para dançar, pronto, conquista meu coração.

Inveja, sim, inveja. Bom, depois que eu fui num show do Xande — aquele namorado ex-loira-do-tchan Carla Perez, que canta com os pés descalços — durante a viagem a Porto Seguro, eu tolero qualquer artista, desde que seja bom o suficiente para encher de alegria a platéia.

A que ponto cheguei. Observando aquelas pessoas pensei “seu burro, por que tu não comprou um ingresso e trouxe tua namorada para assistir a esse fenômeno da música nacional?”. Uma coisa é certo: diversão garantida, sem dúvida alguma.

Que espetáculo, hein? Bruno e Marrone em São Leopoldo. Cada peça que o destino me prega…

Go Home

Aproveitando a seção “esquecimentos”, é um ótimo momento para fazer uma sugestão musical, o que não ocorre há tempos por aqui. E o escolhido do dia, com muita honra, é o DVD Go Gome, do U2.

Bono, Adam, Larry, e Edge gravaram seu quarto álbum no famoso Slane Castle, em Dublin, na Irlanda. Tragicamente, um incêndio destruiu quase que totalmente o castelo dias após a gravação, o que implicou um longo período de reconstrução. Em 2001 completaram-se 20 anos do primeiro show feito no castelo, pelo qual já passaram REM, Oasis, Queen, Bob Dylan, Bruce Springsteen, os Rolling Stones e, é claro, U2.

Àqueles que se decepcionaram com o DVD Rattle and Hum, está na hora de rever seus conceitos, pois este novo DVD é um espetáculo inesquecível que nada tem a ver com os demais. Os mais consagrados sucessos da banda em seu primeiro show na terra natal após anos vagando por tours pelo mundo e o carisma dos músicos são responsáveis por um show incrível e alegre.

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Capa do disco.

Os destaques, na minha humilde opinião, vão para as músicas “Sunday Bloody Sunday”, “Desire”, “All I Want is You”, “Where the Streets Have no Name”, “Bullet the Blue Sky” e “With or Without you”. Perdoem-me se citei quase que todo o DVD — e ainda assim foi difícil ter de cortar algumas prediletas –, mas não existe uma música sequer nesse disco que não vale a pena ser assistida e que não comova o espectador. Basta assistir a “Where the Streets Have no Name” e se imaginar na platéria que talvez você perceba o que eu tento lhe transmitir.

Um fato curioso é que o pai de Bono havia falecido dias antes do primeiro show, o que o carrega de mais emoção ainda. Uma crítica social forte à guerra é feita em Bullet the Blue Sky, dias antes do episódio de 11/09/01. Só vale constar aos fãs da banda que, caso já tenham o disco Elevation Tour, o show é praticamente o mesmo e, portanto, não vale a pena investir. Na minha opinião, entretanto, o Go Home é um show mais emocionante, enquanto o segundo é mais técnico.

  • U2 — Go Home, Live at Slane Castle (2003)
  • Gravação: 1º de setembro de 2001
  • Duração: 2h19mins
  • Região: 0
  • Som: DTS, Dolby Digital 5.1 Surround e PCM Stereo.
  • Formato de tela: 16:9 (widescreen)
  • Trilhas:
    1. Elevation
    2. Beatiful Day
    3. Until the End of the World
    4. New Year’s Day
    5. Out Of Control
    6. Sunday Bloody Sunday
    7. Wake up Dead Man
    8. Stuck in a Moment You Can’t Get Out of
    9. Kite
    10. Angel of Harlem
    11. Desire
    12. Staring at the Sun
    13. All I Want is You
    14. Where the Streets Have no Name
    15. Pride (In the Name of Love)
    16. Bullet the Blue Sky
    17. With or Without You
    18. One
    19. Walk On

PS: Esse disco é uma ótima sugestão de presente ;)

Ouvindo: Jack Johnson – Taylor (3:59)

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