Frustrações nos serviços bancários online

Minha primeira conta em banco é da época em que caderneta de poupança era, literalmente, uma caderneta. Com o dinheiro e um livrinho na mão, você chegava até o guichê e a funcionária atualizava seu saldo à caneta. De lá pra cá as coisas mudaram bastante. A ascensão dos serviços bancários online foi enorme, mas algumas instituições ainda pecam em questões vitais.

De volta à época da caderneta, um dos motivos que levou ao meu desligamento com aquele banco, por volta de 2002, foi o fato de seu sistema de home banking estar defasado diante da concorrência. Enquanto boa parte dos bancos já oferecia na internet praticamente a mesma variedade de serviços disponíveis no caixa eletrônico, o meu só permitia consultas de saldo e extratos –o quê, diga-se de passagem, é o máximo que alguns bancos oferecem hoje por meio de dispositivos móveis.

O sistema bancário online evoluiu, e quanto a isso não restam dúvidas. Graças, é claro, à evolução dos mecanismos de segurança implementados para atrair a confiança de seus usuários. Não somente conexões criptografadas protegem os correntistas, mas dispositivos tokens, biometria, cartões de senhas e por aí vai.

Triste, porém, é perceber que algumas instituições acabam privando o acesso por boa parte de seus usuários com medidas restritivas descabidas. Uma delas é focar em soluções exclusivamente voltadas a usuários do sistema operacional Windows. Um exemplo? A CAIXA, banco que, no discurso, incentiva o uso do software livre. Por dias tentei fazer o cadastro num Macintosh, sempre recebendo a informação de que o sistema estava momentaneamente fora do ar. Até que tentei fazê-lo no Windows e bingo!, não é deu certo?

Outras restrições são ainda mais difíceis de entender. O Banco do Brasil, por exemplo, permite o acesso de seu home banking em praticamente qualquer sistema operacional, o que é louvável. Já o gerenciador financeiro, voltado ao mercado empresarial, funciona apenas nos sistemas Windows e Linux. E eu, que tenho Mac, fico de fora. Detalhe: Mac é baseado em UNIX, tal como Linux, e roda a máquina virtual Java tão bem quanto qualquer outro sistema operacional –o que desqualifica tal restrição.

O Banco Real, por outro lado, da noite para o dia, havia bloqueado todos os usuários do browser Safari. O mais curioso é que bastava habilitar a opção que fazia com que o browser se passasse por outro (digamos, o Firefox) que tudo voltava ao normal –mais uma prova da total impertinência da medida.

O fato é: quando lidamos com serviços voltados à massa, é fundamental adequá-los às mais diferentes situações de uso. No caso dos bancos, por mais que usuários de Internet Explorer, em Windows, sejam a maioria estatística, esta realidade retrata apenas uma parte do espectro. Também devemos considerar que tal estatística é um dado geral, que pode ser muito diferente da realidade de um substrato da sociedade –executivos de alto escalão por exemplo. Daí a importância de se empregar o maior esforço possível para diminuir a frustração de seus usuários, agradando todos os públicos possíveis. Porque cliente frustrado muda de banco.

Links nanicos

São vários os serviços de “encurtamento” de endereços de sites —leia-se URLs. O primeiro e sem dúvida mais famoso é o TinyURL, criado em 2002 por Kevin Gilbertson. A iniciativa deu origem a uma centena de serviços similares. No Brasil, temos o vai.lá, que é utilizado no twitter da agência Fire Multicom.

Mas em se tratando de eficiência, o mais curto em número de caracteres é o u.nu. Não só o domínio é curto, mas o sistema é inteligente o bastante para evitar caracteres que possam dar duplo sentido como 1, l, o e 0 —muito útil quando a intenção seja publicar um link que deverá ser digitado novamente, como num jornal ou via SMS.

A propósito, saca só como fica simples a URL do blog: http://u.nu/6ne. Bacana, hein?

Del.icio.us de cara e casa nova

Acabei de descobrir que o site de bookmarks on-line del.icio.us acabou de ganhar um upgrade. Além do domínio novo, que passou a ser delicious.com, o site ganhou um visual mais modernos e novas funções.

Para quem não conhece, o serviço permite salvar, classificar —por meio de tags, ou marcadores, como preferir— e compartilhar páginas da web, voltado fortemente aos vínculos sociais que se constroem entorno dos bookmarks. Isto porquê cada usuário tem a sua página de links pessoais, que se relaciona às páginas dos demais usuários.

Dentre as atualizações mais interessantes está a nova disposição das páginas pessoais, com separação mais clara das informações e datas de publicação, bem como uma sidebar mais clean e dinâmica.

Mesmo com o lançamento de ferramentas similares, como o Ma.gnolia e o Google Bookmarks, permaneço um usuário fiel do delicious sobretudo por sua rapidez e simplicidade e espero que continue hospedando as minhas andanças pela web por bastante tempo.

Vou processar Thomas Edison!

Vou ficar rico. Amanhã mesmo vou processar Thomas Edison. Minha lâmpada queimou.

Viacom processa YouTube em US$ 1 bilhão“. São notícias como essa, ou esta, que fazem meu dia começar mais azedo do que o normal. Sim, o Google é hoje uma mega corporação, seus criadores figuram nas listas de homens mais ricos do mundo, são famosos e bem sucedidos. Até aí tudo bem. O que me irrita profundamente é esta mania de algumas pessoas tentarem fazer suas vidas em cima do trabalho de outros. É notável a contribuição que o Google deu à sociedade, sempre na sua política de tornar “as informações mundiais acessíveis e úteis”. Imagine suas pesquisas sem o site de busca. Uma campanha viral sem o apoio do YouTube. Brasileiras sem o Orkut. A revolução dos mapas com o Google Earth.

Obter lucro através dessas realizações é algo totalmente esperado: afinal, numa sociedade capitalista, não há outra forma de sobreviver. Empresa tem que dar lucro. Agora porque jorram bilhões em seus cofres, todo mundo quer tirar uma lasquinha, fazendo uso da suposta “justiça” em favor do próprio bolso. O que o Google faz e fez, foi simplesmente disponibilizar de forma acessível as informações. Ponto. O Google é o meio, não a mensagem.

Fazendo uma analogia: se eu sou assaltado, quem deve ser preso é o ladrão ou o governante que não pôde garantir a segurança dos cidadãos e/ou não soube conduzir as políticas sociais adequadas? É lógico que o assaltante, mas o que vemos por aí, com Cicarelli, Viacom, etc etc, é justamente uma inversão de pensamento. E mais: fundamentada pela “justiça”. Desse jeito não dá.

Ouvindo: Audioslave — One and the Same