Não fique parado

Todo semestre, a Unisinos promove um evento chamado Propaganderia, no qual os alunos do curso de Publicidade e Propaganda recebem briefings específicos para cada disciplina. No final de 2009, nossa missão era transmitir aos colegas universitários a importância de se investir em horas complementares. Pode parecer besteira, mas o fato é que muitos chegam a cursar uma disciplina a mais ao final do curso por não terem atingido as meras 180 horas de atividades complementares exigidas pelo MEC.

Ainda estudante de ensino médio, participei de várias oficinas em meus últimos anos escolares, dentre elas o Junior Achievement e a Oficina de Cinema. Mais tarde, no início do curso de gradução, fiz questão de procurar um estágio em minha área de trabalho; antes mesmo de começarem as primeiras aulas, já estava trabalhando em um pequeno bureau de criação publicitária. Concomitante ao trabalho e aos estudos, procurei incrementar meus conhecimentos buscando cursos complementares, dentro e fora da universidade.

Sem sombra de dúvida, todas estes oportunidades abriram portas e me tornaram uma pessoa mais capaz, tanto em nível pessoal como profissional. Conheci pessoas fantásticas, tanto no corpo docente como entre os alunos, criando diversas oportunidades. E engana-se quem pensa que, para isso, é preciso investir mundos e fundos. São muitos os cursos e eventos gratuitos, de boa qualidade e com excelentes profissionais; basta dedicar alguns minutos na semana para pesquisar e fazer este investimento na carreira. Para finalizar, deixo algumas dicas de onde iniciar a pesquisa:

Agora é a sua vez: complemente esta lista e divida suas experiências extra curriculares. O que não vale é ficar parado.

Longe da realidade

Participei neste domingo da aula inaugural do Perestroika Creative School, um curso voltado a estudantes e/ou profissionais de Publicidade e Propaganda e sobre o qual eu já havia informado anteriormente.

O perfil do aluno é predominantemente de estudantes universitários da região metropolitana de Porto Alegre. PUC, Unisinos, UniRitter e UFRGS. Grande parte já com pelo menos 50% do curso concluído, alguns com experiência nas agências experimentais de suas instituições.

Mas o que talvez seja o mais preocupante é que todos, absolutamente todos, estão decepcionados com a baixa cobrança de suas instituições e/ou o distanciamento que elas possuem do mercado.

Vale a pena refletir sobre este aspecto e pensar de onde partem estas conclusões, e como mudar este panorama. Serão os professores, demasiado desatualizados em suas funções? Será uma postura de “nivelar por baixo”?

O fato é que o descontentamento é geral. Entende-se que a produção intelectual e a construção de conhecimento científico são essenciais no meio acadêmico. É aceitável, num curso de Comunicação Social, assim como em qualquer outro, que procure-se produzir um conhecimento empírico, mas grande parte, se não a maior parte dos alunos desta área seguem sua carreira no mercado de trabalho.

E, ao chegarem lá, descobrem que seu curso, pago com tanto esmero, não forneceu-lhes o devido preparo que o mercado exige, sujeitando-se a suprir esta deficiência por meio de outros recursos, sejam eles cursos de extensão, estágios, etc. É lamentável que isto aconteça, pois o Ensino Superior no Brasil é um investimento caro, limitado a poucos e, querendo ou não, deveria trazer o retorno esperado. Mas, na prática, não é o que acontece.

Ele me assalta mas é meu amigo

Desde pequeno fui incentivado a criar uma consciência financeira por influência de meus pais. Os parcos trocados que sobravam, poupados na época em que eu ainda tirava todo o dinheiro da carteira e colocava sobre a mesa do “bar” –a cantina da escola–, eram depositados religiosamente numa pequena agência do antigo banco Meridional, hoje Santander, nas imediações da escola.

Era época em que caderneta de poupança acompanhava um bloquinho contendo saldos e movimentações na conta, rubricados pelo caixa. De pouquinho em pouquinho, em época que poupança era bom investimento, pude comprar uma televisão para o meu quarto, isso lá em meados de 1995, eu ainda pivete. E essa mentalidade de gastar o que se pode, poupar o que sobra, me ajudou e ajuda muito até hoje.

Do banco Santander, passei ao Banco do Brasil, –hoje Banco do Pedro, do João, da Maria, aff…– acreditando que com um maior número de caixas eletrônicos espalhados pelo país, eu teria uma melhor experiência. A única vantagem foi o Internet Banking, que ao contrário do que eu tinha, me permitia, de fato, movimentar minha conta, e não simplesmente consultar saldos e extratos. Mas aliado a isto, vieram os problemas: filas nos guichês e caixas eletrônicos, gerentes que te olham de cima a baixo com um ar de superioridade e com a mínima vontade de te atender. Problemas também tive com Bradesco, o maior banco privado do país, Caixa Econômica e, claro, o BERGS, ou Banrisul. É um clima de instituição pública, onde, perdoem-me os bons funcionários, reinam a falta de interesse e a conformidade.

De um erro grosseiro seguido por mal atendimento por parte da gerência do banco, transferi minha conta para o Banco Real, onde me sinto feliz até hoje. Por que, diante de bancos tão grandes e sólidos, fui escolher justamente um que pequeno e relativamente jovem?

Em primeiro lugar, tratamento digno, independente de situação financeira ou status social. Em qualquer agência que eu vá, sou bem atendido sempre, independente de ser conhecido ou não –até mesmo por que não sou. Funcionários sempre alegres, prestativos, reflexo de uma postura global de instituição que se preocupa não só com o bem-estar de seus colaboradores, mas também com a plena satisfação de seus clientes.

Segundo: internet banking completo. É difícil encontrar uma operação que não possa ser feita na comodidade da minha casa, do trabalho ou de qualquer lugar do qual eu possa acessar, de forma segura, a Internet. Além disso, informações completas da minha conta, tal como histórico e comprovantes em PDF.

Confiança no cliente, ainda que isso seja pura demagogia. Seguramente, pelo menos aqui no país do jeitinho, o Banco Real foi um dos primeiros a fornecer para universitários cartão de crédito, cheque especial, adotar uma postura em favor do desenvolvimento sustentável e outras coisinhas a mais. Um público que está sempre numa M desgraçada, se ferrando para conciliar estudos, trabalho e ainda pagar a faculdade. Mas é nesta aposta, e não há ingenuidade nisto, é que se iniciam, de fato, relações duradouras com futuros clientes, pois quem é bem atendido volta sempre, e comigo não foi diferente.

Assim como qualquer banco, o Real não é perfeito. Já perdi a conta das vezes em que entrei em um caixa eletrônico –que por sinal são poucos– e não havia envelope para depósito, quando me obrigo a transformar os de “pagamentos” em “depósitos” (e funciona!). Caneta, então nem se fala, embora isto seja fruto de vândalos e desordeiros, sem culpa direta da instituição.

Enfim. Não quero aqui trazer ninguém para este banco, até pois como eu falei, é uma instituição que assim como as outras, tem suas vantagens e desvantagens, e se você sair do seu banco, eu não ganho nada com isso. Mas o que vale pensar, é que na vida de uma instituição, o relacionamento com o cliente é parte fundamental para atingir o sucesso. E isto, tenho de dar o braço a torcer, o Banco Real faz muito bem. Bom estudo de caso para jovens empreendedores.

Estranha coincidência

Uma lição que floresce no período escolar, embora não caiba à escola ensiná-la nem tampouco coibi-la mas que torna-se prática contumaz de alunos “dés” — desinteressados, desesperados e despreparados: o plágio, vulgo controucê, controuvê.

Já questionava o sábio muito antes do homem aprender a mijar urinar contra a parede: por que reinventar a roda se já foi comprovada sua eficiência? Essa pergunta contém um paradoxo que é importante. Primeiro, é necessário questionar a eficiência e a utilidade daquilo que fazemos, com o intuito de fazer melhor, de inovar. Mas também é preciso contar com a experiência de quem já se deu ao trabalho de desenvolver um método, uma pesquisa, e usá-la como base para criar outra, coisa que, inclusive, temos de recorrer com maior freqüência quando com prazos curtos.

Fazer referência, portanto, é algo corriqueiro e correto. Nada mais justo, porém, citar de quem tiramos tal pensamento. Afinal, só quem sabe o quão trabalhoso é fazer uma pesquisa que compreende a dor de vê-la por aí, atirada às traças na boca de qualquer um.

Isso, porém, só é ensinado à criança ali pelo primeiro ano do Ensino Médio, exagerando na oitava série. Então começam os exercícios. Segundo Pero Vaz de Caminha, ao chegar no Brasil já se encontravam homens “pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.”, citando a lendária Carta do Descobrimento. Até lá, os pequenos diabinhos baixavam biografias e trabalhos completos de sites do tipo TrabalhosProntos.com, NaMoleza.com, EscolaFacil.com e entregavam bonitinho pra professora. Claro, só havia algum problema caso o aluno esquecesse de retirar a linha do endereço do topo da página. Com isso em mente, não havia com o que se preocupar.

A Internet, de fato tornou-se um problema para isso, facilitando a cópia, reprodução e disseminação de informações numa dimensão nunca antes possível. Hoje, porém, é aliada, já que novos métodos permitem aos doscentes que enviem os trabalhos suspeitos a mecanismos que comparam a fontes na web e indicam um “grau” de originalidade, com base na quantidade de informações coincidentes.

Mas não é só escola que isso ocorre. No meio acadêmico também. Um caso muito sério, e também maquiavelicamente abafado, ocorreu numa dissertação de mestrado da UFRGS que, de fato, conferiu ao copista título de mestre.

Há também a modalidade do “plágio retroativo”, a modalidade mais infame do plágio e da qual fala Eugênio Mohallem no Manual do Estagiário do CCSP. É o caso em que alguém com pouca fama, no caso um estagiário ou estudante de publicidade e propaganda, tem uma ótima idéia, chega a executar a peça mas sem, de fato, publicá-la e, então, alguns meses depois, bem na hora em que ele procura um estágio e aquela é sua jóia preciosa, pimba!, sai um anúncio de página dupla na revista de maior circulação do Brasil, tal como ele havia planejado. Lida, perfeita, criativa e bem executada. Por outro. Como diz Eugênio, é melhor rasgá-la e tratar de fazer algo ainda melhor; por mais que doa, por mais que ele chore e fique se esperneando, não há autoridade suficiente para requisitar sua autoria.

Por experiência própria, adotei a política de não mais enviar trabalhos, relatórios, resumos ou qualquer material a ninguém que eu não conheça de longa data, isto é, em quem eu julgue poder confiar. Simplesmente não dá pra confiar. Não me negarei a ajudar, isso nunca!, mas apontarei caminhos, tentarei explicar. Agora trabalho pronto, há!, jamais!

Certa vez cometi o erro de passar um questionário, já pronto, de um texto denso pra burro com umas 60 páginas que eu levei uma tarde inteira pra ler, e outra tarde inteira para fazer o fichamento e responder. Em síntese: um dia exaustivo de trabalho. Me chega, então, um e-mail: “Pô, Pedro. Dá uma ajuda, cara, não tô conseguindo”. O bom moço que sou vai lá e anexa seu trabalinho, já pronto, ao e-mail e ainda diz “ó, aí está o que consegui fazer. Vê se te ajuda em alguma coisa. Boa sorte!”. Ha!, ainda desejei boa sorte!

Semana seguinte o professor dá os graus e ainda comenta a forte incidência de trabalhos “semelhantes”. Esses, diz ele, não seriam entregues e sendo retidos. Não importava quem teria copiado ou quem forneceu a cópia; ambos teriam zero. Não deu outra. Quando me chamou, entregou a prova, os outros três questionários e “aquele”, justamente “aquele”, não veio. Nota zero.

Pelamord’Deus! O vivente não se dá ao trabalho nem de alterar uma ou outra coisinha. Cópia ipsis literis. É como me disse certo alguém: que amadorismo. Bota amadorismo nisso. Mas eu não sou Lula. Não vou dar minha cara à bater outra vez. Pelo menos não assim.

Ensinando Avestruzes

Meu eleitorado me conhece e, portanto, não posso mentir. Fui um aluno extremamente chato quando estudante do Ensino Médio. Chato não no sentido de pentelho, condição que hostentei até a sexta ou sétima série, mas sim pelo simples fato de “querer saber mais”.

Juro que tentei me controlar. Quando o professor explicava uma teoria e a bola ficava picando, eu confesso, tentava ficar de boca calada e virar para o lado a fim de ver o movimento no pátio, já que, “ah, tá muito longe da prova”. Mas não dava. Eu ia ficando vermelho, nervoso e, de repente, a boca se abria, voluntária, mas inconscientemente, e surgia aquele “tá, mas…”. Pronto. Trinta cabeças se voltavam para mim, pensando “ih, lá vem o nerdinho denovo”, o professor baixava os ombros, de frente para o quadro e eu, é claro, fingia que aquilo era uma situação normal.

É claro que normal aquilo não era normal. Era uma doença, cultivada desde pequeno, quando eu brincava de “médico eletrônico”, tentando entender como funcionava um telefone sem-fio estragado, ou quando eu me perguntava onde ficaria o “motorzinho” que empurrava a fita para fora do aparelho de videocassete. Ali estava algo que eu sabia estar longe da ideologia comum de um jovem de 16 anos, mas isto não me preocupava mais do que não ter as respostas para minhas dúvidas.

Dos males o menor. Não fosse esse meu ímpeto desregrado de querer saber tudo, tudo, entender o por quê das coisas, hoje não estaria ao lado de minha menina dourada, que confessa: “no início eu tinha raiva de ti, e aquelas perguntas sem nexo. Mas depois vi que era algo que fugia do teu controle, que fazia parte de ti e aí…”. E aí não tinha jeito mesmo.

O período escolar até que não foi tão inquietante como vem sendo a formação superior. Afinal, eu estava lá para receber uma formação supostamente média, o que excluiria minhas perguntas que fugiam do escopo previsto. Mas hoje, sentado diante de uma professora universitária que me diz que “uma coisa é assim por que… é assim”, eu pergunto: então por quê ao invés de irmos pra escola, ou pra universidade, não pegamos uma pá e cavamos um buraco bem fundo para enfiar um saco de dinheiro para ver o que acontece? Porque, céus, é isto que muita gente busca numa faculdade.

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