Pq tuitamos?
Gosto muito de refletir do por que as coisas são como são. Redes sociais, por exemplo. É uma coisa que quase todo mundo tem, usa, mas não entende bem o propósito. Claro, tem aqueles que REALMENTE não entendem o propósito. E a maioria restante simplesmente segue a onda.
Voltando um pouco no passado, no início do século, para ser mais exato (chique, hein?), tivemos o boom dos blogs. As pessoas liam, não gostavam. Liam de novo, gostavam. E aí queriam ter o seu. Era aquela mão dos infernos, registrar conta, configurar o template, mas, graças a serviços como o blogspot, o cidadão conseguia ter o seu blog no ar. E aí? Falar sobre o quê? Escrever sobre o quê? Pra quem?
Depois vieram as redes sociais. No caso específico do Brasil, o Orkut, que inundou as caixas postais alheias com “Fulano quer ser seu amigo”. Orkut. Primeiro veio aquela corrida frenética do tipo “quem tem mais amigos”. Tinha aquelas gracinhas com 4, 5 perfis “LOTADO!!!!!!!!!!”. Popular, não? E as comunidades também, que diziam muito sobre a pessoa. Mas é no perfil e nas fotos que as pessoas se revelavam.
Surgiram outros serviços aqui e ali. Flogão, por exemplo. Nem foi tão significativo, mas o nome é bacana. Flogão. Veio o Facebook também, o país Facebook, com seus literalmente milhões de usuários, mostrando que uma rede social não precisa ser feia para agradar ao público.
Mas o Twitter, este sim foi uma evolução. Uma rede social sem fotos? Com limite de 140 caracteres? O que tem ali? Sobre o que devo escrever?
Ok. História à parte, vamos à reflexão. Por quê diabos expomos nossas vidas na web? Por que blogamos? Por que criamos perfis, mandamos scraps e testemunhais? Afinal de contas, por que tuitamos?
Existe uma corrente, destas pregadas nas VOCESAs da vida, que diz: “cuidado! Os headhunters estão monitorando as redes sociais!” Aí vai lá o cara e passa a vida toda retuitando artigos da HSM e do Harvard Business Review. Legal, você tem conteúdo, hein?
Excluída essa minoria, temos, ainda assim, diversos usos. E, buscando padrões nesse caos, encontramos muitas semelhanças com uma mesa de bar. Vai me dizer que você chega e se apresenta falando “oi, eu tenho caspa, sou de lua, acordo com um bafo desgraçado que só não sei se é pior que o meu mau humor matinal”. Acho que eu me fiz entender.
Nos expomos, socialmente, mostrando nosso lado mais confortável. As músicas que gostamos, os filmes que assistimos, o que acontece no trabalho, as histórias alheias e as coisas bizarras que acontecem em nosso dia-a-dia. Papo de bar.
Não vamos nos esquecer que não moramos mais em cavernas. Somos bichos sociais, precisamos de interação. Temos essa necessidade de expressar o que pensamos, o que sentimos, por mais que seja através de metáforas. E com o fenômeno em torno das redes sociais, temos a sensação de que seremos ouvidos, seja lá por quem for.
Mas seremos ouvidos.
