Sem medo de errar
Muitas vezes ficamos presos às escolhas que fazemos. A carreira profissional é um dos maiores exemplos.
Sempre achei que é muito cedo para uma pessoa fazer uma escolha tão importante, num momento tão confuso de sua vida, isto é, o término do Ensino Médio. Por mais que que as escolas tenham incluído em seus currículos atividades como “Feira das Profissões”, visitas a empresas, e a sua própria aproximação das universidades —por motivos obviamente comerciais—, a pluralidade de opções também cresceu, numa velocidade muito superior.
Minha escolha profissional foi um pouco conturbada. Pelo meu passado nerd muito ligado à informática, todos pensavam que eu seguiria na área, cursando Engenharia da Computação, por exemplo. Mas após algumas experiências e contatos com pessoas da área de Publicidade e Propaganda, senti uma identificação maior, e por uma série de motivos, incluindo a possibilidade de trabalhar em tempo integral durante o curso, optei pelo segundo.
O fato é que o vivente presta o vestibular pensando que o curso é uma coisa, tem sua visão alterada nas primeiras aulas introdutórias, enxerga que a realidade é bem diferente nos primeiros estágios, e amadurece a escolha, com novos pontos de vista e uma bagagem de experiências que viram de ponta cabeça aquela primeira imagem ingênua que se tinha ao preencher a grade de respostas.
Comecei trabalhando num pequeno bureau de criação, o que me permitiu ter uma visão relativamente abrangente da estrutura de uma agência, e com o que eu gostaria e não gostaria de trabalhar. Com o passar dos anos, fui evoluindo, até que cheguei no lugar, na agência de propaganda, que 80% dos meus colegas gostariam de trabalhar. Foi uma inflada de ego absurda. Todos me olhavam com respeito, e meus atos eram absolvidos por estar trabalhando no bendito lugar.
Absolvidos uma vírgula! Não sei pra quem! Conhecendo o dia-a-dia de uma grande agência, comecei a perceber que, lentamente, algumas coisas corroíam minha auto-estima: o desprezo aos estagiários; as madrugadas e fins de semana trabalhando sem ganhar um centavo a mais por isso; as festas, estréias de filmes e shows que perdi; o afastamento das pessoas amadas e queridas.
Foi um lapso de sensatez que me permitiu dar um passo para trás e enxergar tudo o que estava se passando na minha vida. E que aquela não era a vida que eu queria para mim. “Parou por aqui!”, eu disse, e recolhi minhas coisas e voltei para a vida que eu tinha, para a surpresa de alguns e a felicidade de tantos outros.
Esta percepção foi só o começo de algo muito maior que estava por vir. Voltei a trabalhar na agência que havia deixado de trabalhar para assumir o novo desafio, agora muito mais reconhecido, ganhando muito melhor, almoçando em casa, podendo assistir minhas aulas e tendo tempo para desfrutar do melhor que a vida tinha a oferecer: meu namoro. É lógico que eu não tinha mais um imponente crachá para expor, mas não era isto que eu estava buscando.
O que busquei, e continuo em busca, é fazer algo me deixasse feliz, e ainda assim ter um padrão de vida legal. Mas para isso não preciso ganhar milhões, ou um Leão em Cannes, ou estar na capa do Meio & Mensagem. Não. E diante de uma análise cuidadosa das opções que eu tinha para o futuro, me dei conta que deveria ir além. Continuando na Criação Publicitária, mais especificamente em Direção de Arte, invariavelmente eu acabaria naquele caminho outra vez. E aí, analisando friamente tudo aquilo que eu gostava de fazer (profissionalmente), além daquelas coisas que eu gostaria de fazer, enxerguei que eu poderia dar um passo ainda maior: mudar o rumo da carreira.
Descobri o marketing. E me enxerguei um profissional criativo, motivado, correndo atrás de objetivos e sendo reconhecido no ambiente de trabalho, tudo o que eu buscava quando pensava em Criação, mas com perspectivas muito mais promissoras. Foi preciso novamente correr riscos, começar por baixo, aprender e se esforçar muito, levar muitos nãos. Além de ter humildade o suficiente para admitir quando errei.
Mas tudo valeu muito a pena. Hoje sou muito feliz fazendo o que faço, trabalhando onde trabalho e com os desafios diários que tenho de enfrentar. Não escolhi em momento algum o caminho mais fácil, pois sabia que, independente do que eu escolhesse para o futuro, eu iria me dedicar de corpo e alma, como tudo na vida.
Sou intenso, não sei ser diferente.

BAH, legal! Nós podemos correr riscos para conseguir o q qremos, ou podemos ficar estagnados, com medo d perder o pouco q temos. Arriscar é um perigo, mas ficar parado é ainda mais…
Comentário de ACSYDOW — 28.06.2010 às 23:59