Expandindo horizontes

Pois bem. Volta-e-meia eu tenho vontade de falar aqui sobre coisas que imagino não se encaixarem com o perfil dos leitores, coisas sobre as quais me interesso e tenho o que falar, mas varro para debaixo do tapete com medo da reação dos que lêem. Mas pombas! Isto aqui é um blog, ou seja, está Internet, publicado, qualquer um com acesso ao Google pode acabar caindo em uma das páginas aqui, então não faz sentido deixar isso tudo reprimido, como eu venho fazendo, se eu posso compartilhar com todos.

Pensei até em criar um novo blog, registrar domínio, essa coisa toda.. Mas.. Poxa. Mal consigo dar conta de um blog, nessa vida de estudante trabalhador acadêmico que levo, quem dirá dois! Não, não darei este tiro no pé.

Sobre o que pretendo falar? Direção de arte, que é o meu ganha pão, design e tipografia, que são umas das minhas paixões, fotografia, um dos meus maiores hobbies e uma que outra coisa que se possa relacionar a isso. A idéia aqui é que este manifesto seja um divisor de águas, ponderado e consultado junto ao público em oportunidade anterior. Tudo muito bem classificado e organizado, permitindo quem veja ali em “Posted by Piter in: Direção de Arte”, pode fechar os olhos e passar adiante. Simples ;)

A boa notícia é que assim vou escrever mais e que nem por isso vou deixar de falar sobre o que venho falando até hoje: reflexões, pensamentos, devaneios passageiros e outros tantos temas já colocados em discussão aqui. A idéia é apenas agregar conteúdo. Espero que esta notícia não desagrade a ninguém, e se desagradar, por favor, digam “Pedro, tá chato”, que eu paro de falar.

Aproveitando a onda de modificações no blog, aproveito para informar que sim, coloquei anunciozitos do Google na barra da direita, os famosos AdSense. Conteúdo teoricamente relacionado ao tema do site, o menos intrusivo possível que consegui deixar. Espero que também não incomodem ninguém. Danke!

Ouvindo: The Beatles – Lucy in the Sky with Diamonds

De Cold bastou o nome

Foram quase três meses de sofrimento para que um grande sonho fosse realizado. Da compra dos ingressos, aos primeiros acordes, momentos de tensão e alegria foram intercalados incessantemente, mas enfim, na primeira noite das três exibições do tour Twisted Logic do Coldplay no Brasil, lá estava eu, “em alfa”, cantando de cor e salteado as músicas da banda inglesa.

Já no início de dezembro é que a pulga começou a mordiscar minha orelha. Ciente da vinda da banda ao Brasil, com shows apenas em São Paulo, bati o pé que daria um jeito de ir, custasse o que custasse. Afinal, já havia perdido Dream Theater em 2005, U2 em 2006 e, bom, espero que pare por aí.

Por sorte tive todo o apoio moral e logístico de minha prima, que, morando em São Paulo, se dispôs a hospedar minha namorada e eu em seu apartamento, no maravilhoso bairro Itaim Bibi –sobre o qual prometo e preciso falar em um momento posterior.

Passou natal, ano novo, férias e carnaval, e só então na madrugada do dia 23 para o dia 24 de fevereiro é que tudo pareceu mais real do que parecia: enfim embarcávamos rumo à cidade da garoa.

Choveu, é claro. Choveu no domingo, quando saímos da bilheteria dando pulos de alegria com os ingressos em nossas mãos, assim como choveu a tarde toda de segunda, dia do show.

Ingressos para o Show

Às 21h, a Via Funchal fervia em ritmo paulista. Pessoas e estilos dos mais diferentes surgiam e se moviam para todos os lugares. Todos, assim como eu, com enormes sorrisos em seus rostos, nervosos, esperando o melhor que estava por vir.

Um medo, porém, me tomava. Pois eu, contrariando as recomendações explicitas do ingresso, levei minha câmera digital, juntamente com dois pares de pilhas extras para o show, e temia ser revistado ou ter de deixar o aparelho na chapelaria. Não foi preciso. Como todo grande show, o fluxo de pessoas fala mais alto, e assim ninguém acaba ligando se você vai de mãos abanando ou leva uma Canon EOS-1D Mark II N nas suas costas. Passei pelo armário que verificava os tickets, e foi botar os pés no salão principal para começar o show de abertura da noite, às 21h15min, com os gaúchos Papas da Língua.

Sim, é lógico que reclamei por estar fugindo da minha terra para ver músicos daqui, ainda que eu goste da banda. Mas como a lógica estava mesmo para ser invertida, os Papas fizeram uma abertura bastante agradável, empolgaram o público com o seu “Eu sei” e deixaram o palco 45min minutos depois. Dali, foram mais 30 minutos de nervosismo total.

O público pediu. Começam os aplausos, gritos e assobios. A música aumenta, o palco já montado, pessoas olhando de um lado para outro. Num instante, um visitante global atrai a atenção de todos: Rodrigo Santoro dirige-se ao seu lugar no mezanino central. Mais gritos, as luzes se apagam, 6.000 vozes vão à loucura, Beatles invadem as caixas de som e, subitamente, a introdução de Square One enlouquece a platéia.

Guitarra, baixo e bateria entram em cena. Chris Martin ainda nos bastidores canta os versos iniciais, com um “uaaaa” ensurdecedor da platéia. Quando entra o “From the top of the first page”, o vocalista invade o palco, cercado de luzes num espetáculo sem precedentes, levando os fãs ao delírio. Daí em diante sucedem-se pulos e mais pulos de uma platéia que preferiu ficar em pé o espetáculo inteiro, apesar das cadeiras numeradas, deleitados pelas baladas inglesas.

“E aí, beleza?”, diz Chris Martin, arranhando um português à lá embromation, contagiado pelo calor brasileiro. Uma, das muitas surpresas que estariam por vir, incluindo balões gigantes caindo do teto ao som de Yellow, a uma canção com a banda no meio da platéia, ou ainda a lâmpada arremessada contra o público em “Fix You”, música inesquecível. Um show tão magnífico, tão intenso, que via-se a alegria transbordar tanto dos músicos como de seus grandes fãs. Pena, é claro, a breviedade do show: Intensa hora e meia de felicidade.

Acredito que não fosse o desapego da platéia, um forte “bis” poderia ter trazido a banda mais uma vez ao palco, ainda que tenham tocado, a pedido dos presentes, a música Shiver, numa total improvisação. Vinte e seis de fevereiro de dois mil e sete. Eu sim fiquei feliz. Inesquecível.

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