Pela diversidade textual

Não faz muito tempo foi publicada na versão on-line da Folha de São Paulo uma matéria cujo título era algo como isto:

Bolsa sobe/baixa e dólar cai/sobe com divulgação da ata do COPOM

Imagino como deve ser o trabalho do encarregado de escrever o boletim do tempo ou da bolsa de valores no jornal, pois é um trabalho pra lá de repetitivo, pra não dizer entediante. Mas o erro oculta uma verdade. Nada mais normal do que a disparidade entre bolsa e dólar, um subindo e outro caindo e, querendo ou não, de um dia para o outro, ambos só podem assumir três estados: baixar, subir ou manter-se estável.

A mesma coisa para a meteorologia: “há uma massa de ar seco que se desloca em direção ao norte, provocando chuvas e trovoadas esparsas pelos próximos dias”, tudo pra não dizer “vai chover amanhã”. Olhar a partir deste viés, muda completamente sua visão, pois assumindo-se que não haverá mudança, deve-se buscá-la de outro modo. E é aí que entra o mérito destes redatores.

Fica aí a pergunta: o que você faz, todo santo dia, da mesma maneira? Você realmente tem certeza de que isto não pode mudar? Prove a si mesmo!

Dizer a mesma coisa, todo santo dia, sem dizer a mesma coisa: eis aí a beleza desta tarefa.

Vou processar Thomas Edison!

Vou ficar rico. Amanhã mesmo vou processar Thomas Edison. Minha lâmpada queimou.

Viacom processa YouTube em US$ 1 bilhão“. São notícias como essa, ou esta, que fazem meu dia começar mais azedo do que o normal. Sim, o Google é hoje uma mega corporação, seus criadores figuram nas listas de homens mais ricos do mundo, são famosos e bem sucedidos. Até aí tudo bem. O que me irrita profundamente é esta mania de algumas pessoas tentarem fazer suas vidas em cima do trabalho de outros. É notável a contribuição que o Google deu à sociedade, sempre na sua política de tornar “as informações mundiais acessíveis e úteis”. Imagine suas pesquisas sem o site de busca. Uma campanha viral sem o apoio do YouTube. Brasileiras sem o Orkut. A revolução dos mapas com o Google Earth.

Obter lucro através dessas realizações é algo totalmente esperado: afinal, numa sociedade capitalista, não há outra forma de sobreviver. Empresa tem que dar lucro. Agora porque jorram bilhões em seus cofres, todo mundo quer tirar uma lasquinha, fazendo uso da suposta “justiça” em favor do próprio bolso. O que o Google faz e fez, foi simplesmente disponibilizar de forma acessível as informações. Ponto. O Google é o meio, não a mensagem.

Fazendo uma analogia: se eu sou assaltado, quem deve ser preso é o ladrão ou o governante que não pôde garantir a segurança dos cidadãos e/ou não soube conduzir as políticas sociais adequadas? É lógico que o assaltante, mas o que vemos por aí, com Cicarelli, Viacom, etc etc, é justamente uma inversão de pensamento. E mais: fundamentada pela “justiça”. Desse jeito não dá.

Ouvindo: Audioslave — One and the Same

Ele me assalta mas é meu amigo

Desde pequeno fui incentivado a criar uma consciência financeira por influência de meus pais. Os parcos trocados que sobravam, poupados na época em que eu ainda tirava todo o dinheiro da carteira e colocava sobre a mesa do “bar” –a cantina da escola–, eram depositados religiosamente numa pequena agência do antigo banco Meridional, hoje Santander, nas imediações da escola.

Era época em que caderneta de poupança acompanhava um bloquinho contendo saldos e movimentações na conta, rubricados pelo caixa. De pouquinho em pouquinho, em época que poupança era bom investimento, pude comprar uma televisão para o meu quarto, isso lá em meados de 1995, eu ainda pivete. E essa mentalidade de gastar o que se pode, poupar o que sobra, me ajudou e ajuda muito até hoje.

Do banco Santander, passei ao Banco do Brasil, –hoje Banco do Pedro, do João, da Maria, aff…– acreditando que com um maior número de caixas eletrônicos espalhados pelo país, eu teria uma melhor experiência. A única vantagem foi o Internet Banking, que ao contrário do que eu tinha, me permitia, de fato, movimentar minha conta, e não simplesmente consultar saldos e extratos. Mas aliado a isto, vieram os problemas: filas nos guichês e caixas eletrônicos, gerentes que te olham de cima a baixo com um ar de superioridade e com a mínima vontade de te atender. Problemas também tive com Bradesco, o maior banco privado do país, Caixa Econômica e, claro, o BERGS, ou Banrisul. É um clima de instituição pública, onde, perdoem-me os bons funcionários, reinam a falta de interesse e a conformidade.

De um erro grosseiro seguido por mal atendimento por parte da gerência do banco, transferi minha conta para o Banco Real, onde me sinto feliz até hoje. Por que, diante de bancos tão grandes e sólidos, fui escolher justamente um que pequeno e relativamente jovem?

Em primeiro lugar, tratamento digno, independente de situação financeira ou status social. Em qualquer agência que eu vá, sou bem atendido sempre, independente de ser conhecido ou não –até mesmo por que não sou. Funcionários sempre alegres, prestativos, reflexo de uma postura global de instituição que se preocupa não só com o bem-estar de seus colaboradores, mas também com a plena satisfação de seus clientes.

Segundo: internet banking completo. É difícil encontrar uma operação que não possa ser feita na comodidade da minha casa, do trabalho ou de qualquer lugar do qual eu possa acessar, de forma segura, a Internet. Além disso, informações completas da minha conta, tal como histórico e comprovantes em PDF.

Confiança no cliente, ainda que isso seja pura demagogia. Seguramente, pelo menos aqui no país do jeitinho, o Banco Real foi um dos primeiros a fornecer para universitários cartão de crédito, cheque especial, adotar uma postura em favor do desenvolvimento sustentável e outras coisinhas a mais. Um público que está sempre numa M desgraçada, se ferrando para conciliar estudos, trabalho e ainda pagar a faculdade. Mas é nesta aposta, e não há ingenuidade nisto, é que se iniciam, de fato, relações duradouras com futuros clientes, pois quem é bem atendido volta sempre, e comigo não foi diferente.

Assim como qualquer banco, o Real não é perfeito. Já perdi a conta das vezes em que entrei em um caixa eletrônico –que por sinal são poucos– e não havia envelope para depósito, quando me obrigo a transformar os de “pagamentos” em “depósitos” (e funciona!). Caneta, então nem se fala, embora isto seja fruto de vândalos e desordeiros, sem culpa direta da instituição.

Enfim. Não quero aqui trazer ninguém para este banco, até pois como eu falei, é uma instituição que assim como as outras, tem suas vantagens e desvantagens, e se você sair do seu banco, eu não ganho nada com isso. Mas o que vale pensar, é que na vida de uma instituição, o relacionamento com o cliente é parte fundamental para atingir o sucesso. E isto, tenho de dar o braço a torcer, o Banco Real faz muito bem. Bom estudo de caso para jovens empreendedores.

Pulp Fiction in Type

Indicado a sete Oscars e vencedor da categoria Melhor Roteiro Original, Pulp Fiction [1994] é um dos melhores filmes já dirigidos por Quentin Tarantino, na minha humilde opinião. Um clássico.

Com uma narrativa não linear, referências à cultura pop e a união de fragmentos de história, o filme segue o que se convencionou de estilo pós-modernista de cinema, do qual temos exemplos como Babel, 21 Gramas etc. Além disso, graças à excelente atuação do elenco, muitos atores foram projetados incluindo Samuel L. Jackson.

Aproveitando uma das cenas em que o próprio Samuel interpreta, um designer concebeu recentemente um dos melhores exemplos de direção de arte e tipografia que vi nos últimos tempos. Fantástico observar como “letras” e sons são capaz de transmitir tamanha emoção e sentimentos com a correta escolha de cores, pesos e movimentos. Para os fãs de Pulp Fiction, eis sobre o que falo:

via 37signals

Reconstruindo publicitários

Bastante interessante a proposta da , ministrada pelos publicitários Felipe Anghinoni (diretor de criação da LiveAd), Tiago Mattos (redator da DCS), Márcio Callage (gerente de marketing da Olympikus) e Rafael Bohrer (diretor de arte da DCS). Todos multi-premiados, com ampla experiência no meio e currículos invejáveis.

Perestroika Creative School

A idéia é aproveitar a experiência dos ministrantes e transformá-la num minicurso de 3 meses, aos sábados, divididos em quatro períodos e compreendendo disciplinas de Redação e Criação publicitárias, Direção de Arte e Marketing Criativo. Além disso, foi firmada uma parceria com o Clube de Jovens Criativos, em cuja sede o curso será hospedado e seus sócios ainda ganharão um desconto no valor total curso.

Para quem não sabe, Perestroika significa reconstrução em russo, que é justamente parte de processos comunicacionais: pegar algo que já foi feito, desconstruir e apresentar algo novo. Mas não com base em achismos ou critérios superficiais, que modéstia parte é o que se mais vê por aí hoje em dia, mas sobretudo atributos técnicos.

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