Só faltou o nome

Efeito Borboleta [imdb] é um ótimo filme. Escrito e dirigido por Eric Bress e J. Mackye Gruber, o filme explora as conseqüências da dádiva do jovem Evan em poder alterar o seu passado, como já escrevi anteriormente.

Assim como sua primeira versão, fiquei surpreso com a pouca divulgação para o lançamento de O Efeito Borboleta 2, este dirigido por John R. Leonetti com base na história de Michael D. Weiss. Mudou roteiro, mudou diretor, mudou o elenco, mudou a história, só ficou o nome, numa patética tentativa de se aproveitar da fama do primeiro.

É realmente uma lástima eu ficar tanto tempo sem escrever sobre um filme, e quando o faço, dedico-me a trepudiar a película. Mas não é para menos. Efeito Borboleta 2 não passa de medíocre, esvaziando o roteiro intrigante do primeiro, para enchê-lo com um repertório de clichês típicos de besteiróis americanos. Dinheiro posto fora.

Ouvindo: Dream Theater — Finally Free [live]

Caridade não faz mal a ninguém

Uma de minhas 101 metas a serem cumpridas em 1001 dias era a de visitar uma creche carente. Envergonhado por ter cumprido 25% das metas e não ter feito caridade alguma, deixei a preguiça de lado e, acompanhado de minha namorada, arrecadei no armário e com a família alguns brinquedos e roupas que não utilizava mais, e tocamos para o abrigo.

Chegando lá, a primeira impressão foi boa. Um lugar amplo, ocupando dois terrenos, um para as instalações e outro com um campo de futebol, onde algumas crianças disputavam uma partida. Munidos de sacolas e mais sacolas, enchemos os olhos dos coordenadores, que ficaram encarregados de fazer a triagem e distribuir os donativos às crianças.

No salão principal algumas crianças já nos aguardavam. Uns mais soltos, outros um tanto tímidos, mas que aos poucos foram se soltando, especialmente com a notícia de que trazíamos balas, o que arrancou sorrisos de todos. De mansinho chegou um pequenino, acordado pela algazarra. Veio trazendo seus tênis, com uma carinha de sono. Me abaixei para ajudá-lo a pôr os sapatos e ele, sem vergonha alguma, veio a me estender seu pézinho para ajudá-lo.

Fomos ao pátio, e lá brincamos por cerca de uma hora. Quase fiquei descadeirado de tanto dar garupa aos pequeninos — creio que nunca viram alguém tão alto na vida, pelo menos não alguém que estivesse disposto a levantá-los ao alto uma dezena vezes. A cada brincadeira, a confiança e a alegria eram conquistadas, e mesmo neste curto espaço de tempo, já conhecíamos o nome de cada um e criávamos um grande laço carinho.

Impressionante a carência de uma das meninas do grupo. Vítima de violência doméstica, chegou ao abrigo toda cheia das marcas que sua mãe lhe infligira. Ao ver-nos, chegou quietinha, desconfiada. Mas com o passar do tempo, revelou-se a mais carente. Queria fazer tudo, queria conversar, brincar, pular, correr. Eu, eu, eu! A outra, uma morena com sardinhas na cara. A coisa mais amada, comendo uma maçã. Um outro pequenino se entretia levantando uma enorme pá de areia até um carrinho-de-mão.

Tristeza é sair de um lugar como esse, e ter crianças agarradas aos seus braços dizendo “me leva!, eu vou com você!”. Tristeza maior é refletir o que isso significa, em pensar que um ser que lhe viu uma vez só na vida, quer deixar tudo para ficar com você, pelo simples fato de ter-lhe dedicado um pouco de carinho e atenção. Resta-nos, apenas, torcer por um melhor futuro a estas crianças maravilhosas, e continuar ajudando para que não mais queiram fugir de suas vidas, mas queiram vivê-la como nunca viveram.

Minha intenção agora é riscar outro item da lista. Doar sangue o visitar um asilo, embora sugestões estejam sempre abertas. Voluntários?