Dono do próprio narigão

Começar um próprio negócio é decisão que não surge de uma hora pra outra. É um processo que amadurece ao longo de um período. Faz-se uma pesquisa ali, são formados alguns uns contatos aqui, e quando se vê o projeto cresceu, mais pedidos estão aparecendo, os prazos apertando e a tão esperada liberdade de estar sozinho torna-se apenas uma ilusão.

Quando se está do outro lado do balcão tudo muda de figura. Passa-se a entender melhor do porquê do estresse de chefes e supervisores na aproximação dos prazos de entrega, do cliente que paga atrasado (quando paga), do cliente reclamão e os raros casos dos bons clientes — eles existem, sim!

Não há outro jeito se não o de se organizar e não deixar a peteca cair. É quase que um caminho sem volta, sem ter como desistir no meio de uma etapa. De serviço em serviço tira-se um pouquinho mais: o contrato de serviço ganha algumas cláusulas a mais, os cronogramas passam a ser mais detalhado, enfim, é a experiência que vai colocando suas manguinhas de fora a cada dia que passa.

Trabalhar em casa não é o fim do mundo não –mas também não é fácil. Foram necessários meses de adaptação –e maturação, claro– para que eu conseguisse me adaptar à rotina de estar em casa. Se por um lado existe um mar de comodidades, como poder trabalhar de pijamas, alpargatas e cabelo despenteado, lanchar na hora que for mais cômodo e poder comer aquela comidinha caseira sempre, é muitas vezes difícil fazer com que encarem a nova vida sem levantar a sobrancelha e fazer aquele “ah!”. Sem falar nos comentários: ele está “trabalhando” em casa — fazendo aspas no ar com os dedinhos e aquele soriso de canto de boca.

É. Fazer o quê. A vida que se quer é a vida que se leva.

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