links for 2006-08-29

Simples proposta

Em época de eleição aparece um mundo de bem-feitores por todos os cantos prometendo Deus e o diabo. Vão acabar com a corrupção. Vão enriquecer os pobres. Vão acabar com a fome, o HIV e a seca no Nordeste. E, claro, sem aumentar um centavo sequer de imposto.

Pois eu queria ver soluções simples, praticáveis, e não babilônias que só ficarão no papel. Não é à toa que não só os jovens, como qualquer membro desta nação se sente um idiota perante a televisão, com tanta mentira e desrespeito sendo cuspidos a nós pobres eleitores. Nós que levantamos cedo, trabalhamos duro o dia inteiro e, no final do mês, 37% de tudo aquilo que produzimos vai para algum cofre de fundo falso a pretexto de ser revertido em bens públicos. Chega a ser desanimador.

Gostaria de ver, por exemplo, pequenas melhorias no transporte público. Horários dos ônibus, por exemplo. Um projeto simples: uma associação de empresas de ônibus editariam, semanalmente, um tabelão contendo todos os horários de todas as suas linhas, cuja veiculação seria feita em qualquer parada que tivesse mais de 15 “viagens”. No rodapé, pequenos espaços publicitários de empresas que estivessem interessadas em ter suas marcas exibidas durante este período de tempo, que, por si só, pagariam todos os custos de produção e execução do projeto.

Mas não. Não veremos horários nas paradas nem tampouco asfalto sem buracos.

(suspiro…)

Vamos voltar ao trabalho.

Ouvindo: Coldplay — Fix You

Hotdog, revisited

Todo mundo sabe de alguém que com sua carrocinha de cachorro quente fez seu pé-de-meia e hoje tem casa, carro, comida e roupa lavada graças ao ponta-pé inicial desta atitude. É sabido que cachorro quente é barato, e custa menos ainda para ser feito. Pois num mundo onde tudo que é moda vira religião e, portanto, todo profeta ganha dezenas de seguidores, o negócio mesmo é olhar o negócio de um jeito diferente.

Pois então circulo na madrugada de uma sexta-feira em busca de um mata-fome diferenciado. Enquanto todas as carrocinhas pelas quais passei estavam vazias, havia uma em especial que lá pelas 22h da noite entregava seu sexagésimo pedido (sendo que em alguns pedidos haviam mais de dois cachorros). O que justificaria o fato de, mesmo que este ponto tivesse um preço relativamente mais alto que a concorrência (R$ 5,40 um cachorro de de lingüiça calabresa) estivesse cheio de gente, enquanto os outros estavam vazios?

Primeiro lugar: o ponto. Os donos pensaram em colocar a carrocinha perto de uma praça, fugindo da idéia dos demais de colocar bem no centro da cidade, próximo aos bares e ao movimento. Loucura? Não, assim há mais vagas e o pessoal pode estacionar os carros com a maior facilidade. E não é só isso, colocaram um guarda na praça, para que os casais que queiram aguardar possam flertar como nos velhos galentes de antigamente sem preocupação alguma.

Segundo: a aparência. Não é toda carrocinha que tem logotipo e passa a noite tocando, em alto e bom som um U2, certo? Pois é, e não bastasse isso, tudo é muito limpo e bem ajeitadinho. Até mesmo a mamãe gostaria de comer lá, por mais que ela diga que cachorro-quente é fonte de gorduras e outras porcarias nocivas ao organismo.

Terceiro: os mimos. Gente minha amiga, e o que falar de uma carrocinha com direito a lavabo? Sim, senhores, lavabo! Logo ao lado da cabine, tiveram a idéia de instalar uma bomba de água dessas de 20 litros desembocando numa torneira, e ainda fixaram um recipiente com sabonte, espelho e porta-toalhas para secar as mãos. Carambola! E o pedido é entregue na mesa, com direito a puxação de saco e tudo mais.

De nada adiantaria essa maquiagem toda se o produto, no final das contas, não fosse bom. Mas não seria aí que ele falharia: é uma “dilícia”. O sabor do azeite de oliva dá um toque todo especial ao gosto. Quem diria que comer um cachorro quente seria uma experiência digna de se comentar numa mesa de bar…

Vivem dizendo que não se deve reinventar a roda. Pois eu digo que marketing se aprende com os carroceiros de cachorro quente.

(Philip Kotler acaba de se revirar no túmulo.)

Cof. Cof. (se recompondo). Bom, ãhn, eu não ganho cachê nem vale-refeição com isso, mas quem quiser conferir, que dê uma passadinha no Springfield (não, não a cidade dos Simpsons), que é no final (início?) da Av. Independência, bem ao lado da Praça do Imigrante.

Ouvindo: Dream Theater – Trial of Tears

links for 2006-08-03

Dono do próprio narigão

Começar um próprio negócio é decisão que não surge de uma hora pra outra. É um processo que amadurece ao longo de um período. Faz-se uma pesquisa ali, são formados alguns uns contatos aqui, e quando se vê o projeto cresceu, mais pedidos estão aparecendo, os prazos apertando e a tão esperada liberdade de estar sozinho torna-se apenas uma ilusão.

Quando se está do outro lado do balcão tudo muda de figura. Passa-se a entender melhor do porquê do estresse de chefes e supervisores na aproximação dos prazos de entrega, do cliente que paga atrasado (quando paga), do cliente reclamão e os raros casos dos bons clientes — eles existem, sim!

Não há outro jeito se não o de se organizar e não deixar a peteca cair. É quase que um caminho sem volta, sem ter como desistir no meio de uma etapa. De serviço em serviço tira-se um pouquinho mais: o contrato de serviço ganha algumas cláusulas a mais, os cronogramas passam a ser mais detalhado, enfim, é a experiência que vai colocando suas manguinhas de fora a cada dia que passa.

Trabalhar em casa não é o fim do mundo não –mas também não é fácil. Foram necessários meses de adaptação –e maturação, claro– para que eu conseguisse me adaptar à rotina de estar em casa. Se por um lado existe um mar de comodidades, como poder trabalhar de pijamas, alpargatas e cabelo despenteado, lanchar na hora que for mais cômodo e poder comer aquela comidinha caseira sempre, é muitas vezes difícil fazer com que encarem a nova vida sem levantar a sobrancelha e fazer aquele “ah!”. Sem falar nos comentários: ele está “trabalhando” em casa — fazendo aspas no ar com os dedinhos e aquele soriso de canto de boca.

É. Fazer o quê. A vida que se quer é a vida que se leva.