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O balanço da vida

Viver é negar-se a morrer. E assim como este extremo, para tudo na vida existe uma segunda face, caso contrário, não haveria diferença, e sem diferenças, não haveria gosto em estar aqui.

De nada adianta trabalhar e apenas trabalhar a vida toda. Eis aí a fábula do homem que, literalmente, se matou de tanto trabalhar. Encheu os bolsos de dinheiro, comprou casa, carro, iate e viagens aos mais distantes e paradisíacos lugares. Mas morreu. E quando chegou ao céu –ou no inferno, como queiram–, viu que não tinha como trazer junto sua mala de dinheiro. Teve tudo e ao mesmo tempo nada, não podendo usufruir dos bens que conseguira.

Buscar o equilíbrio é uma condição para viver. É preciso fazer as coisas com determinação, com vontade, aprender a amar o que gostamos de fazer, embora também precisemos amar tudo aquilo que detestamos, mas que, por ironia do destino, somos obrigados a enfrentar sem condições de mudar. Ninguém vive só de trabalho, assim como só de amor a casa não se mantém em pé.

Cercar-se de coisas que gostamos é sem dúvida um caminho confiável. A todo tempo somos tentados por muitas escolhas, e através delas construímos a vida que desejamos ter. Dou todo apoio ao cara que desistiu, de uma hora pra outra, de um caminho que todos o incentivavam mas que não era aquele que ele queria, para seguir uma direção contrária. Eu fiz isso, e nunca me arrependi. Pois chega um momento em que não podemos reclamar da vida que nos deram, e sim da vida que construímos.

Deve ser por isso, talvez, que é tão difícil sermos adultos. Já não existe mais aquela mão forte tomando as decisões por nós. O futuro é construído aqui e agora. Por ninguém mais e ninguém menos que você.

Isso assusta.

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