Bola de Neve
Às vezes a única saída que resta para os problemas da vida é buscar a felicidade. Mas afinal, o que é a tal busca da felicidade? Onde ela está e como saber quando, de fato, se está diante dela?
Em alguns anos de observação, constatei que dificilmente tristeza e alegria vêm juntas o tempo todo. Hora são alegrias e mais alegrias: novos amigos, casamento, formatura na universidade, promoção no trabalho, enfim, parece que o céu é o limite, e que a vida é uma eterna fonte de felicidade. Todo dia é sábado, o céu é azul e os jardins floridos.
E como para tudo na vida há um senão, existem, é claro, fases ruins. Tempos em que as coisas começam a dar errado, a vida desanda, a solidão toma conta e se perde tudo aquilo que se havia plantado com tanto esmero. Num dia o vivente perde a namorada. Dali a duas semanas, o emprego, e mais adiante um ente querido. Coisas que, sem dúvida, são inevitáveis e imprevisíveis.
No lugar das coisas boas, além da solidão, muitas dúvidas se formam. Por que eu? O que eu fiz de tão ruim? Eu mereço isso tudo? E é então que, quando não se acomoda na tristeza, com uma trouxinha de roupas na mão, alguns trocados no bolso, sem lenço nem documento, parte-se em busca da felicidade.
Mas a felicidade não está à venda no supermercado. Nem tampouco em zonas do meretrício ou numa garrafa de cachaça. Ingênuo aquele que acha ter o dom de possuí-la. Ela vem e vai a hora que bem entender, sem perguntar ou avisar. Não escolhe cor, religião ou classe social. Mas há certas atitudes na vida que, com toda certeza, evitam essa fuga, ou pelo menos amenizam.
Ainda que dor e tristezas venham à toda velocidade, como em uma bola de neve, não se pode entregar a luta de braços abertos e sem resistência. Uma vida é muito maior que alguns poucos dias e, ainda que o mal seja algo recorrente, é certo que pelo menos alguma lição se pode tirar de uma experiência ruim.
E, quando menos se espera, olha a alegria sorrindo do canto da boca, sentada no cantinho da sala, atrás da porta.
Felicidade, não está onde se espera. Seu grande trunfo é, justamente, vir quando e onde menos se espera. Não está nas grandes conquistas nem tampouco no dinheiro. Está, sim, nas pequenas ações, que permeiam nossas atitudes. Partem da pessoa amada, de uma conversa com um amigo, de uma piada de bar, da ternura da família. E se ela não vem de jeito algum, quem sabe não se está olhando para o lugar errado. Experimente voltar seus olhos para direção oposta, encare a situação de um jeito diferente. Pode ser que ela esteja ali, sorrindo, só esperando um oportunidade para mostrar a sua cara.
Valeria mesmo a pena ter tudo, assim, de mão beijada, sem esforço algum? Pois é graças às dificuldades que o homem se força a buscar o seu melhor, se aperfeiçoar e crescer. Afinal, se a vida fosse fácil, que motivo teríamos para lutar por nossos sonhos?
Ouvindo: Coldplay - Fix You
