Primeiro sopro da estação

Já era outuno e o verão tinha se ido. O frio caía do céu e pousava sobre minhas costas, já exaustas do tamanho peso que carregava. Ao fundo, luzes acesas, salas vazias, corredores inabitados.

Minutos após a triste conclusão, o dono do terreno chegou para me expulsar. Tinha saído para namorar; voltou sorrindo para me zombar. E falou em tom seco:

– Você jogou fora o seu verão. Agora um frio outono te espera. Suma daqui!

Ninguém, absolutamente ninguém se encontrava naquele degrau do corredor. Nem mesmo eu. Mas ainda assim o quero-quero insistia em olhar para lá.

Um ninguém diante do nada.

Novo endereço comercial

Senhores. Acabei de atravessar um muro da estatística do IBGE. Eis meu novo cartão de visita.

Cartão AgexCOM

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Solavanco

Dizem por aí que o ano só começa mesmo depois do Carnaval… Só não precisava começar pegando no tranco.

Mr. Failure

A onda do momento: procurar por failure (fracasso, em inglês) no Google e rir do primeiro resultado.

* * *

Aproveitando as piadinhas, eis uma muito divertida.

On his trip to Great Britain, George Bush had a meeting with Queen Elizabeth. He asked her, “How does one manage to run a country so smoothly?”

“That’s easy,” she replied, “You surround yourself with intelligent ministers and advisors.”

“But how can I tell whether they are intelligent or not?” he inquired.

“You ask them a riddle,” she replied, and with that she pressed a button and said, “Would you please send Tony Blair in?” When Blair arrived, the Queen said, “I have a riddle for you to answer for me. Your parents had a child and it was not your sister and it was not your brother. Who was this child?”

Blair replied, “That’s easy! The child was me.”

“Very good,” said the Queen, “You may go now.”

So President Bush went back to Washington and called in his chief of staff, Karl Rove. He said to him, “I have a riddle for you, and the answer is very important. Your parents had a child and it was not your sister and it was not your brother. Who was this child?”

Rove replied, “Yes, it is clearly very important that we determine the answer, as no child must be left behind. Can I deliberate on this for a while?”

“Yes,” said Bush, “I’ll give you four hours to come up with the answer.”

So Rove went and called a meeting of the White House Staff, and asked them the riddle. But after much discussion and many suggestions, none of them had a satisfactory answer. So he was quite upset, not knowing what he would tell the President. As Rove was walking back to the Oval Office, he saw former Secretary of State Colin Powell approaching him.

So he said, “Mr. Secretary, can you answer this riddle for me? Your parents had a child and it was not your sister and it was not your brother. Who was the child?”

“That’s easy,” said Powell, “The child was me.”

“Oh thank you,” said Rove, “You may just have saved me my job!”

So Rove went to the Oval Office and said to President Bush, “I think I know the answer to your riddle. The child was Colin Powell!”

“No, you idiot!” shouted Bush, “The child was Tony Blair!”

Ouvindo: Unisinos FM – 103.3MHz

Ensinando Avestruzes

Meu eleitorado me conhece e, portanto, não posso mentir. Fui um aluno extremamente chato quando estudante do Ensino Médio. Chato não no sentido de pentelho, condição que hostentei até a sexta ou sétima série, mas sim pelo simples fato de “querer saber mais”.

Juro que tentei me controlar. Quando o professor explicava uma teoria e a bola ficava picando, eu confesso, tentava ficar de boca calada e virar para o lado a fim de ver o movimento no pátio, já que, “ah, tá muito longe da prova”. Mas não dava. Eu ia ficando vermelho, nervoso e, de repente, a boca se abria, voluntária, mas inconscientemente, e surgia aquele “tá, mas…”. Pronto. Trinta cabeças se voltavam para mim, pensando “ih, lá vem o nerdinho denovo”, o professor baixava os ombros, de frente para o quadro e eu, é claro, fingia que aquilo era uma situação normal.

É claro que normal aquilo não era normal. Era uma doença, cultivada desde pequeno, quando eu brincava de “médico eletrônico”, tentando entender como funcionava um telefone sem-fio estragado, ou quando eu me perguntava onde ficaria o “motorzinho” que empurrava a fita para fora do aparelho de videocassete. Ali estava algo que eu sabia estar longe da ideologia comum de um jovem de 16 anos, mas isto não me preocupava mais do que não ter as respostas para minhas dúvidas.

Dos males o menor. Não fosse esse meu ímpeto desregrado de querer saber tudo, tudo, entender o por quê das coisas, hoje não estaria ao lado de minha menina dourada, que confessa: “no início eu tinha raiva de ti, e aquelas perguntas sem nexo. Mas depois vi que era algo que fugia do teu controle, que fazia parte de ti e aí…”. E aí não tinha jeito mesmo.

O período escolar até que não foi tão inquietante como vem sendo a formação superior. Afinal, eu estava lá para receber uma formação supostamente média, o que excluiria minhas perguntas que fugiam do escopo previsto. Mas hoje, sentado diante de uma professora universitária que me diz que “uma coisa é assim por que… é assim”, eu pergunto: então por quê ao invés de irmos pra escola, ou pra universidade, não pegamos uma pá e cavamos um buraco bem fundo para enfiar um saco de dinheiro para ver o que acontece? Porque, céus, é isto que muita gente busca numa faculdade.

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