Manchete no MSN

A Internet, como já se ouve há muito tempo, vem “roubando” os leitores tradicionais de jornais e outras mídias impressas para as telinhas do computador. O meio permanece estagnado, com crescimento da base de leitores, no caso de uma revista como a Veja, de 1% em 2005.

E não vai demorar muito para que outros meios, como rádio e TV, também comecem a disputar espaço com a grande teia — o que, em termos de tempo de uso e acesso, de fato já acontece. Com o crescente uso da banda larga e o aumento da velocidade das conexões, assistir vídeos e ouvir sons pela rede mundial ficará cada vez mais acessível.

Nada contra substituir um meio de informação por outro, a Internet tem suas virtudes. Como reconhece Antônio Hércules Jr., diretor de marketing e mercado dos jornais Estado de São Paulo (o Estadão) e Jornal da Tarde, “o repórter do jornal sabe que vai ficar cada vez mais difícil dar um furo jornal impresso”. Pudera! A informação, na Internet, é publicada em tempo real, enquanto um jornal impresso tem todo um processo de diagramação, fechamento, impressão e distribuição, caprichos desnecessários para sua irmã mais nova.

Hoje, para saber das últimas notícias, basta abrir um site na Internet e, pronto, milhares de manchetes estampam a tela. O turbilhão de informações, porém, pode tomar tempo demais do leitor, além de nem sempre possuir a organização que um jornal apresenta dos fatos e informações. Aí está o grande trunfo do jornal atualmente: não apenas contar o que aconteceu, papel que, por suas limitações, não há como competir com a Internet, mas sim explicar por quê aconteceu. Sem falar que, o jornal é impresso é portável, você pode ler em qualquer lugar, do ônibus ao banheiro — tá certo que hoje em dia existem conexões wireless, mas, oh dear!, esquenta as coxas!

Certo, mas por que a ladainha toda, sr. Piter? É que desde pequenos, os jovens leitores são instruídos a ler de tudo, até bula de remédio. “Leia meu filho, assim você vai ser alguém na vida”, dizem os pais, sustentados pelos professores. O problema é que lá vai o pequeno jovem, ler de tudo: entra no Orkut e passa o dia lendo scraps, e quando não faz isso, fica teclando no MSN.

O que me preocupa? O fato de que num universo de 40 alunos acadêmicos, mais de 60% tem a Internet como principal mídia. Até aí tudo bem, um dado que, se não certo, era pelo menos esperado. Problema: quando perguntados qual, dentro do meio utilizado (Internet), era a forma mais utilizada como veículo de informação, duas pancadas atingiram minhas orelhas: “MSN e Orkut, professora”.

Fiquei quase com vergonha de dizer que meu veículo de informação predileto é o jornal, impresso, de papel, que suja os dedos e chega de manhã pela manhã, sim, com as notícias de ontem.

Assim sendo, orgulhoso por ter uma comunidade de leitores tão diversificados, em sua maioria de estudantes, alguns morando em outros países, outros morando sozinhos, gostaria de ouvir um pouco mais deste ilustre eleitorado e conhecer um pouco mais a opinião de meus visitantes. Está aberta, portanto, a I Temporada de Questionamentos do Piter, e com sua primeira questão: qual o veículo de informação que você mais utiliza e por quê? Sim, o por quê é aquela pergunta que a sua professora da quarta série fazia e você ficava maluco, esperneava, chorava e se negava a responder, mesmo que ela proibisse o recreio neste caso.

Mas comenta, vai, é jogo rápido. Isso me intriga.. E se vocês se comportarem eu farei mais algumas perguntas, palavra de Balse.

Devaneios e rancor

Não agüentei. Eu odeio HTML em e-mail, mas não resisti a tentação de abusar num e-mail pra minha prima de São Paulo…

QUE INVEJA!

Ela tem ingressos para o show do U2 :cry:

A mochila do Zézinho

Fiquei nervoso. Mal consegui dormir direito. Faltou uma caixa de lápis de cor. Justamente a caixinha de lápis de cor! Mamãe esqueceu de comprá-la, disse que já tinha, mas eu avisei que faltava o preto e o vermelho. Me tirou o sono.

Menos mal que o material já está todo pronto. Coube tudo na mochila, amanhã é o dia. A parte mais legal foi pegar o papel adesivo e escrever o nome na máquina de escrever. Até dava pra ter feito no Word e usado a impressora, mas na máquina de escrever é legal. E ainda tem fita corretiva.

A mãe reclamou da quantidade de cadernos. Também, coitada, passou a tarde encadernando com o papel que eu escolhi: amarelo, do Mickey. Há pouco estava vendo e encontrei meu transferidor, que estava perdido. Compramos mais um, agora tenho três. Junto também estava o esquadro, que sempre pedem e eu nunca sei o que é. Digo pra mãe que não tenho.

E que raiva. Os livros ainda não chegaram. Eu bem que falei pra mãe não deixar pra última hora. Se tivéssemos comprado o material em janeiro não teria toda essa preocupação. Ela diz que vai chegar há tempo, que não vamos usar todo o material no primeiro dia, mas eu desconfio. Gosto de levar tudo no primeiro dia já, assim se a professora pedir alguma coisa eu não vou ter que pedir emprestado. Tenho vergonha.

Droga, dez e meia. Eu já devia estar dormindo há uma hora e nada de pegar no sono. Droga, é sempre assim, eu nunca consigo dormir cedo antes do primeiro dia de aula. E o pior que não tô nervoso. Não mesmo. É só que não pego no sono. Deve ser por ter dormido até tarde nas férias. É, deve ser isso. Ai, Deus, me ajuda a dormir…

Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos… Falando em vergonha, amanhã volto a levar aquela térmica que eu não gosto. Até gosto do suco que a mãe faz. De laranja, uva ou limão, bem gostoso. As vezes ela também faz chá. Mas é que nem todo mundo leva, só eu, o pedrinho, o luizinho e o marquinhos, mas na verdade eu não me importo. É só que é estranho ter os outros olhando pra mim.

Ai.. Que droga, eu não consigo me concentrar.. Também, deixam a luz do corredor acesa. Até parece que não sabem que eu tenho aula amanhã. Afe… Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos…

O primeiro dia de aula não é mais tão divertido…

Doença de férias

Passam as horas e nada da enfermeira chegar para a troca dos curativos. De plantão no hospital, a família fica ao redor da paciente, tentando satisfazer todos os caprichos. “Mãe, não quer que eu mude o canal de TV?”, pergunta a filha, prestativa. “Não, pode deixar, logo vêm as notícias e eu quero olhar”, responde a mãe. “E tu já leu o jornal que eu te trouxe esta manhã?”, pergunta o marido. “Sim, pode levar. Eu já li todo. Obrigado.”

De súbito entra a enfermeira, uma alemoa enfática, de passos curtos e gestos rápidos. “Está tudo bem?”, pergunta ela, ao mesmo tempo em que confere os dois tubos que gotejavam direto no soro, e marcando o tempo no relógio. Pois é, replica a filha, nós havíamos chamado as enfermeiras há mais de uma hora e ninguém apareceu até agora. Ah!, responde a enfermeira, agora voltada para a paciente e tirando a febre, vocês devem procurar entender que como hoje é sábado — e é natural que amanhã também — nós temos menos enfermeiras em nosso quadro, e é por isso que podemos demorar um pouquinho para aparecer. Mas monitoramos os sinais por computador, e qualquer problema a gente aparece na hora, enfatiza a enfermeira já assinalando um formulário de controle e se dirigindo para a porta. Qualquer coisa é só chamar, diz e bate a porta, correndo para o outro quarto.

Mentalmente, a família inteira, à exceção da enferma, que não via mesmo necessidade nisso, se conectou num só pensamento: “E só por que é fim de semana eu não vou ficar doente ou tenho menos chance de ter um piripaque?” Diabos!

Esta é a realidade de um hospital particular, senhoras e senhores. Onde se paga cada centavo absurdamente caro por cada serviço prestado, do lanchinho no quarto à TV a cabo. Quem dirá de quem depende de um hospital da rede pública, pelo menos aqui em nosso país.

A questão aqui levantada, no entanto, não é discutir as esferas público x privadas, mas sim levantar outra questão: a gente leva a vida que quer levar.

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O nosso Jardim

Da série desbravando os pampas pitorescos, eis mais uma sugestão de lazer. Nosso destino de hoje chama-se Jardim Botânico.

Fundado em 1953, às margens da hoje terceira perimetral, em Porto Alegre, o Jardim Botânico é um lugar perfeito para se praticar a arte do nada fazer. Simplesmente escolher um lugar à sombra, em meio ao verde, e respirar o ar puro ao canto dos passarinhos, coisa difícil de se fazer numa metrópole. Ou então pegar um livro, desses com mais de 500 páginas e se recostar no tronco de uma árvore para passar o tempo em meio às palavras.

Crianças e affairs também são bem-vindos. O lugar é grande, permite longas caminhadas e há diversões para todos os gostos. Uma ótima escolha é sentar, com os pés balançando, na ponte do lago das tartarugas. É engraçado observar que elas se aglomeram perto das pessoas, nadando com seu jeito todo desengonçado em meio aos peixinhos.

E falando em peixes, animais é o que não falta. De lagartos a perus, é só caminhar um pouquinho para encontrar uma criatura pedindo pra ser fotografada. É uma pena que eu não tenha levado — pra variar — a minha máquina. Boas oportunidades não faltaram.

Aí está. E ainda assim, se você quer usar a desculpa de que não quer gastar seu dinheiro com isso, eis outra informação: o acesso custa R$ 1,00 para estudantes, e R$ 2,00 para os demais. Incluindo o estacionamento. Não tem carro? Tudo bem, há várias linhas de ônibus que passam pela terceira perimetral, a exemplo da PUC/Petrópolis ou T2. Aberto de terça a domingo, das 8h às 17h.

Agora jogo a bola pra você. Que outro lugar do sul do país vale a pena ser visitado? Qual é a sua impressão a respeito do Jardim Botânico?

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