Distúrbio de concentração

São Leopoldo, 5 da matina.

– Alô, pai?
– Oi! Err.. Fala…
– Que tá fazendo?
– Tô cagando.
– QUÊ?
– Ué.. Tu não perguntou o que eu tava fazendo? Tô cagando!
– Ah.. Err.. Bom.. Desculpa.. Mas é que.. Bom.. Eu tô no aeroporto.. Ahm.. Err.. Eu-ligo-mais-tarde-tchau! (tu, tu, tu, tu, tu)

Meu pai não é tão espontâneo assim…

Deus! Que coisa horrível!

Meu cabelo já foi grande muito grande! Cruzes.

Não, não vou mostrar a foto! Como ousar pensar uma coisa dessas? Só se o Faustão vier fazer um Momento Confidencial aqui. Vou deixar meu cachorro esperando.

Arroz desregrado

A vida fora da rotina é, assim, um arroz sem sal. Acorda-se tarde e dorme-se mais tarde ainda. E quando o sujeito se dá conta, é tarde pra colocar o tempero.

* * *

Falando em tempero, uma coisa que as mulheres nunca ensinam aos homens: lavando a cebola com água quente, pouco antes de cortá-la, evita aquela lacrimação (o chorinho) indesejada. E depois dizem que elas não se divertem em ver um homem sofrer…

* * *

Falando em sofrer, “nos homens, o crescimento da próstata tem tornado a ID uma obrigação” — César Miranda em seu blog Pró Tensão versando sobre a Inclusão Digital.

Um dia de 40 graus

Foi tudo muito rápido. Em questão de 15 minutos a casa já estava destruída. Que tristeza.

060116-incendio.jpg

A agilidade do Corpo de Bombeiros não foi suficiente para conter a ira do fogo. Mesmo chegando 5 minutos após o início das chamas, a casa já estava tomada de cinzas. Assistir, atônito, um episódio como este é demasiado triste.

Quem dirá chegar da praia e ver sua casa assim.

Dia de Maria

Fiz uma limpa nos meus armários. Dessas que se põe até a alma pra fora. Alguns chegaram a pensar que o mundo vinha abaixo. Outros que eu estava de mudanças. A verdade é que não dava mais. O resultado foram várias sacolas, agora atiradas no corredor, esperando para serem recolhidas pelos papeleiros, e alguns ítens pra doação.

No meio dessa encrenca toda, eis que encontro minha antiga caixa de ferramentas. De madeira, feita pelo meu avô, com uma divisória adicionada por mim. Velha infância! Idos tempos em que nela guardava um saco de pregos, um pequeno martelo, alicate e chave de fenda. Qualquer equipamento eletrônico que estragasse passava por minhas mãos, sendo delicadamente destruído.

Com isso lembrei-me de meus planos ultra-secretos hollywoodianos: minha casinha na árvore. A idéia deve ter vindo de algum filme, mas o plano era bom. Cheguei até a fazer projeto, com papel e caneta, indicando onde seria a janela, a entrada, o ponto de luz, a gaveta secreta. Tudo.

O local escolhido era uma uma árvore no centro do pátio. Um frondoso jacarandá. A matéria prima, além de meu cento de pregos, madeiras doadas pelo papai e uma lona preta que serviria de telhado.

E não seria uma casinha qualquer. Essa alimentaria sonhos. Serviria de porta de entrada para muitas experiências. Um lugar só meu, meu, meu. Sem falar na tirolesa que iria da janela do meu quarto à janela da casinha. Sim, para se, no meio da noite, eu precisasse acessar meu quartel general em segredo.

Mas da casinha a única coisa feita foram três tocos de madeiras pregados à árvore que serviam de escada. O mais alto acabou caindo, restando apenas dois, que, dias depois, se foram junto com a árvore. Em uma tarde, meus sonhos foram serrados e arrancados. O barulho da motosserra dilacerava meus planos, deixando a lembrança num enorme buraco no meio da grama.

« Posts recentesPosts antigos »