Olhos parados
15.12.05.
Ela estava na esquina, a mão na boca. Com o olhar fixo no nada, inspirava e expirava aquele cheiro forte. Uma garrafa de água amassada estava dentro de suas calças, sujas como o resto dos trajes.
O cabelo, queimado de sol, pendia sobre seus olhos, parado como o vento em dia de sol quente. A braguilha aberta denunciava a total falta de amor próprio. Inspirava e expirava o cheiro que lhe fazia esquecer a fome. Inspirava e expirava os vapores que saiam de suas mãos calejadas, a fim de afastar o marido que a abandonara com seus 6 filhos pequenos. Inspirava tristeza, expirava desespero. Inspirava dor, expirava resignação. E com seus olhos parados, esquecia da vida.

Cheirar cola não faz bem não!
Comentário de Gustavo — 17.12.2005 às 00:05
Achei teu blog…
Vou comecar a ler um pouco de cultura de novo!!
Sabe que ler o que tu escreve me lembra quando eu lia Erico Verissimo, e sempre amei ler o Tempo e o Vento..
Bjos
Comentário de kaka — 27.12.2005 às 23:34