E a chuva cai
Cai a chuva pela janela. Gotejam pensamentos e aflições. Na janela do quarto, o olhar ansioso. Na janela do ônibus, um rostinho cansado.
Em meio a pingos e gosteiras, o relógio se faz de morto. Nem um segundo sequer faz com que o ponteiro se mova. Fica lá, diante dos olhos, estático, imóvel, pálido e frio. A saudade toma conta de um cálido coração pulsante e não há remédio que cure a dor.
Em outro quarto a penumbra toma conta do cubículo. Por um cano, de quatro saquinhos gotejam líquidos em uma veia. A senhora descansa, e os óculos escuros escondem seu olhar terno o dia a fio. A aflição das filhas, a dor do marido, a saudade dos netos. Tudo contribui para uma semana chuvosa.
E por todos os lados, são gotas molhando meus pés. A vida é implacável.
Carpe diem.
