Essas toalhas

Devia ser ao contrário…

No inverno a toalha parece que saíra direto da geladera. Fria como no polo norte.

E hoje, quase 30°C à meia noite e minha toalha pegando fogo. Quase que viro churrasco ao sair do banho.

A solidão de uma mente

Então o intelectual pôs-se a ouvir o burburinho, fugindo de seu costume. Habituado a concentrar-se friamente em seus afazeres, decidira prestar atenção no que diziam à sua volta. Assuntos banais, mero cotidiano, rotina, nada de grandes causas ou discussões elaboradas. Apenas breviedades. Foi então que lhe fizeram uma pergunta.

Ela era óbvia, completamente dedutível. De solução tão nítida e fácil. Para ele. O velho e solitário senhor ficou congelado por cerca de dois segundos, matutando se deveria dar forma a seu ímpeto ou se calaria a resposta. Baixou a cabeça e fingiu não ter ouvido aquelas palavras. “Não é possível”, balbuciava para si.

– Seu João, então… Por quê afinal existe essa coisa de ano bissexto?

Coisa! Vocabulário absurdo para um assunto tão simples. E óbvio. Sempre óbvio. Tudo óbvio. “O ano bissexto existe para corrigir uma pequena defasagem entre o tempo solar e o tempo cronológico da terra. Ocorre quadrianualmente, à exceção dos anos divisíveis por 100 mas pelos divisíveis por 400… Mas… Por que afinal de contas eu estou explicando isso a vocês? O que estão ensinando nas escolas?”

Calou-se nesse exato momento e deu as costas ao povo. Optou pela reclusão em seu aposento e lá sentou-se na poltrona ao lado da janela. Ao alcance da mão, puxou um dos 5 livros que lia paralelamente mas não conseguiu se concentrar. “Coisa de ano bissexto… Era só o que me faltava.”

Depositou o livro sobre o parapeito da janela e levantou-se. Andou de um canto ao outro, braços cruzados e cabeça baixa, circundando a cama. Por fim, abandonou o agouro e suspirou, voltando a sentar-se.

E contemplando o pôr do sol lá ficou. Só, somente só. Sentado em sua cadeira de vime.

Novidade para os navegantes

Seguindo a tendência de fornecer cada vez mais conteúdos personalizados ao internautas, como os precursores Yahoo! e Google, quem oferece uma página customizada ao usuário é a loja virtual Submarino. Recentemente o site passou oferecer o serviço Meu Submarino, ainda que em versão beta.

Na página, o usuário encontra sugestões de possíveis compras baseadas no histórico do cliente. Outra novidade é a possibilidade de cadastrar produtos já adquiridos — mesmo que a venda não tenha sido concretizada no site –, além de poder avaliar o produto, atribuindo uma nota — ou torpedo, como é chamado — que vai de 1 (péssimo) a 5 (excelente).

Com a crescente oferta de conteúdos na Internet, nada mais interessante do que filtrar e direcionar cada vez mais as informações, a fim de tornar a experiência, tanto de navegação como de compra virtual, mais amigável e eficiente. Iniciativas como esta são louváveis. Não é a toa que o lucro da Submarino saiu como um torpedo para fora d’água: cresceu 316%, atingindo R$ 8,6 milhões. Só estando na dianteira das evoluções para obter resultados como estes. E tudo indica que esta é uma área que só tende a crescer. Cinco torpedos pra eles!

Numa parada de ônibus

O homem e sua família. Malas cheias de roupas — estavam de mudança –, e um jornal amassado debaixo do braço do caçula. O pai, com o pacote recém aberto de Doritos, resolve brincar com o filho, correndo para a outra extremidade da parada. Não vê o degrau diante do seu pé e cai de bruços na escuridão. Com pedaços de salgadinhos por todo o corpo, levanta-se e diz que está tudo bem.

Enquanto isso uma velha senhora observa os transeuntes. Estava em seu mundo, desligada dos demais. Seu amigo, lentamente, foi chegando aos seus pés. Rolou no chão e abanou o rabinho. Era um cachorro, vira-lata preto.

– Quer um ossinho, quer? Tá bom. Eu vou te dar. Olha aqui.

E, falando com o cachorro, revirou suas sacolas de três diferentes supermercados e tirou um grande pedaço de carne. Ali mesmo, com as próprias mãos, partiu o pedaço em dois e deu uma metade ao cachorrinho. Tão faceiro, abocanhou seu presente com tanta voracidade que espantou a velha. Correu, então, para o canteiro central, que dividia a avenida, e lá depositou seu troféu. Cherou o osso por uns instantes e retornou à guarda da senhora.

– O quê? Não quer o osso? Vou dar então pro cachorro da tia Zélia. Ele sim gosta de um osso. Onde é que tá? Onde você colocou? Ih… Ah… Tu quer carinho é… Quer mimo… Pronto, te acalma… Isso, isso… Pronto…

N’outro mundo pareciam estar outros dois. Ele e ela, um casal já na meia-idade, mas com olhares apaixonados de uma adolescência tardia. Abraçados, entre risadas e palavras balbuciadas, um ato que faz com que ela se retraia, sente-se, e esbreveje. Esfregando sua orelha, amoleceu e finalmente conteve-se nos braços de seu amado, apesar de chateada. Provocada, tratou de fazer o mesmo a ele: sofrou fortemente em seu ouvido uma, duas, três vezes, enquanto o homem a abraçava e dava gargalhadas.

– Não dói, não dói. Sopra forte…

Uma hora depois chegaria o Vila Esperança, a fim de não contrariar o ditado que ela é a última que morre. E olha que eu já estava prestes a perder as minhas de pegar um ônibus naquela fatídiga noite de terça-feira.

Da proximidade das pessoas.

Eita mundinho pequeno esse, sô. Agora se eu arrotar na mesa, meu vizinho do japão é capaz de escutar. E é tudo culpa do google.

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