Acabou.
Começou há duas semanas, com uma conversa na ponta da cama.
– Vamos nos separar, disse ela, é melhor para nós dois.
Era minha irmã, falando do plano do celular.
Seguindo o ditado que a união faz a força, agrupamos nossos celulares no nome dela e contratamos um plano avantajado em minutos, o que, supostamente, representaria uma economia a ambos, visto que a tarifa era mais baixa. A experiência, no entanto, provou o contrário. Nascido de costas largas e namorador que só eu, acabava não só estourando meu limite, como também pagando a conta da irmã para que não cortassem a minha linha.
Cada um na sua.
Consumidor de mais de 300 minutos mensais, e ainda esguelado por uma cláusula de permanência vigente desde a compra do celular por longuíssimos 18 meses, fui obrigado a optar por um plano bastante pesado: um pacote de 400 minutos, já que menor que isso somente de 100 — que não era caro o suficiente para minha franquia mínima exigida pelo contrato.
Aperta aqui, ajeita ali, espreme acolá e encontramos uma vaga na agenda de um lindo sábado de sol para ir à loja efetuar a mudança: passar para o meu nome o que já era meu e alterar para meu plano escolhido.
Primeira grande surpresa: as franquias não funcionam aos sábados. Resultado: fomos até um shopping para, lá, efetuar a mudança. Mas antes, um dado importante: três dias antes, consultei junto aos operadores da companhia quais os documentos necessários para realizar a troca: RG, CPF e CR (comprovante de residência). Munidos destes três documentos, fomos à luta.
– O senhor precisa de RG, CPF, CR e CB.
– Que diabos é CB?
– A companhia exige um comprovante bancário, senhor. É uma norma, infelizmente.
– Ok, o que o senhor quer? Um extrato? Posso ir agora mesmo num caixa eletrônico! “Mas que abuso”, pensei.
– O senhor deve entender que isto é uma norma. É necessário cartão de crédito ou talão de cheque de uma conta em seu nome com no mínimo 06 meses de abertura.
Menino previnido que sou, lancei-lhe os documentos, um a um, como pedras que quebram telhado de vidro.
– Ok, senhor Pedro. Peço que me providencie, também, dois números de aparelhos fixos para que possa ser feito um contato.
Munido de todo o calhamaço de documentos que minha irmã e eu fornecemos, o homem pôs-se a fotocopiá-los. Irritadiço e impaciente, fui para o balcão e passei a coletar alguns catálogos de novos celulares. Um espetáculo aos olhos.
– Senhor Pedro, sinto lhe informar que nenhum dos dois números fornecidos atendeu à chamada então peço que retorne outro dia para que seja feita a mudança.
– Só um pouquinho! Por que não me avisou desse mero detalhe? E por que ligar agora? Querem provar que eu existo? Bom, deixa pra lá, liga pra minha avó. Tem gente lá na casa dela.
Mais demora, mais demora e pronto, o homem tá-lentoso voltou à mesa com todos os meus documentos em papel branco e um formulário.
– Espera um pouquinho aí, moço, você está preenchendo esta ficha como sendo no meu nome — disse minha irmã.
– Não. Está tudo certo. Peço que assine aqui por favor — e deu o papel à ela — E o senhor também, assine aqui.
Lendo atentamente as microlinhas, concordei em assinar um papel que conferia a transferência do celular para meu nome.
Assinada a papelada, o vendedor consultou sua colega ao lado e confirmou “agora é só Perfeito né?”. Virando-se pra mim, ele disse que eu teria de contratar o plano Perfeito 600.
Mas não.
– Não. Que é isso? Não! Que me adianta ter 500 minutos parar falar com celulares desta operadora e 100 de outras chamadas se eu só tenho contatos em outras operadoras e telefones locais? Não! Não quero esse plano. Quero o plano Perfil 400 minutos.
– É, senhor Pedro. Infelizmente o senhor deve entender que só está sendo comercializado o plano Perfeito.
– Mas eu vi na Internet. Existe o plano que eu quero. Eu quero o plano 400 minutos.
– Mas o senhor não pode.
– Mas o quero.
– Mas não dá.
E não deu.
– O senhor deve consultar o atendimento para ver se, posteriormente, consegue efetuar a troca para o plano escolhido.
Beiçudo, irritado e triste, saí da loja. Esqueci de citar indignado.

ah, guri…
me assustou com esse começo… haha
celular é uma droga… maldito dia em que foram inventar esse aparelho que só nos faz ter gastos, hein? se nunca tivessem o inventado, nós nao sentiriamos falta
Comentário de Christian — 21.10.2005 às 18:30
Existem poucas coisas na vida que irritam mais do que conceladmento de provedor de internet e alteração de cadastro (de qualquer tipo).
Eles sempre querem nos oferecer um novíssimo plano, com incríveis vantagens - nunca anunciadas ao “grande público” - prometendo o possível e o impossível. Tudo isso para não irmos à loja ao lado; a concorrência.
Agradeço à concorrência, sem dúvida, por tornar nossa vida mais barata!
Abraço!
Comentário de Gustavo — 26.10.2005 às 14:44
[...] Lá por meados (eu adoro meados) de outubro, eu troquei de aparelho de celular. É Claro que eu estava muito indignado com minha antiga operadora, e por resolvi encerrar um relacionamento duradouro em busca da maior cobertura. [...]
Pingback de ChaoticBox » Olho Vivo — 14.07.2006 às 19:29