Há limites?
O ser humano é um animal muito complicado, cheio de manias, impetuoso e muitas vezes cego. Em meio a tantas regras, torna-se difícil encontrar o limiar da razão entre o público e o privado. Presenciei uma cena pitoresca e desconcertante em pleno vagão de trem. Numa bela tarde de sol, um casal trocava socos e pontapés.
Saindo de casa, vagando pelo mundo, é possível deparar-se com cenas que nunca imaginaríamos ver. Ansioso por visitar minha amada, saí cedo de casa e fui à estação de trem. Observei que uma moça estava sentada em um banco, discutindo com um rapaz. No rosto do homem, um sorriso malicioso e um movimento de lábios pelos quais saíam dizeres feios e revoltos.
Não tardou para que o trem chegasse à estação. Assim que as portas se abriram, o rapaz entrou no vagão — a mulher ainda sentada no banco –, deu meia volta e saiu por outra porta. Eis que ele escolhe o mesmo vagão no qual eu me encontrava, e sentou-se num pequeno banco, num lugar onde a garota não podia vê-lo.
Passados alguns instantes, a garota entrou no vagão que ele entrara, mas não o encontrou e decidiu buscá-lo nos demais. A passos largos e determinados, entrou no último vagão, olhou a sua volta e foi de encontrou ao rapaz. Sentou ao seu lado e jogou-se de cabeça em direção a cabeça do rapaz, prensando-lhe contra à parede. O homem, desnorteado, disparou um golpe no rosto da mulher, dando início a um violento e feroz combate. Entre tapas, socos e pontapés, os demais usuários do trem observavam, atônitos o que acontecia.
Não posso ver mulher apanhando. Sem saber o que fazer, deci correndo as escadas em busca de ajuda. Um fiscal da empresa encontrava-se defronte às catracas.
– Ô moço! Chama lá a segurança por que tem uma briga no último vagão!
O fiscal foi até a sala de controle e avisou seus supervisores. Um senhor de idade, com sorriso na boca, caminhou lentamente até minha direção.
– Tem um casal brigando feio lá no último vagão. Chame a segurança!
– Ah… É um homem e uma mulher?
– Sim. Eles tão se pegando lá no trem.
– Hahaha. Eles estão brigando desde que vieram da rua.
Esperando uma solução, fiquei encarando o supervisor, que nada fez além de virar as costas, ainda com seu sorriso na boca. Foi ao telefone e discou alguns números. Daí então não vi mais nada. O trem partira, e eu aguardava o próximo vagão.
Matutando enquanto minha nova condução não chegava, refleti sobre determinadas atitudes dessa história. Até que ponto devemos nos intrometer na vida alheia? Embora pudesse ser um desejo do casal querer ferir a si mesmo, um desentendimento como esse poderia causar conseqüências mais sérias. Alguém poderia se ferir por estar próximo, um golpe errado poderia depredar o trem e o próprio casal poderia ferir-se gravemente. Mas se aqueles dois tinham a intenção de se machucar, quem sou eu para impedi-los? Que poder, status, direito tenho eu para pará-los?
Até agora fico intrigado sobre o desfecho da história. Loucura, nesse mundo, é o que menos falta.

Ei, por que diabos alguém colou seus posts num comentário no meu Baka? Quem é Bebel?
Comentário de David — 11.03.2005 às 09:21
e o blog?
faleceu? :~
Comentário de Christian — 19.03.2005 às 13:47
ainda existe alguém aki?
o.o
teu blog é mto legal…
abraço
Comentário de Gustavo — 06.04.2005 às 20:25