Há males que vêm pra bem, p3.
“Como assim não deu?” , perguntava, apreensiva, a avó. “Tem que ver que aquela prova não é fácil”, amenizava o avô. “Calma, meu filho, ano que vem tu tenta denovo”, dizia a mãe. Todos com seus olhos cabisbaixos, não entendendo como o “garoto prodígio” não havia passado no “Vestibular da Federal”.
Deitado no colo de sua amada, milhares de planos traquinavam em sua cabeça. As engrenagens cerebrais giravam à toda velocidade. Após um belo banho de água fria, saiu revigorado, pronto para outra batalha. Adaptado aos acontecimentos, encontrou a paz interior. Há males que vêm pra bem.
…
Uma questão foi responsável pela minha reprovação. Talvez o título que foi esquecido. Talvez aquela questão foi marcada errada na grade. Talvez aquele conteúdo que deveria ter sido revisado e não foi. Enfim, o que interessa é que uma questão me separou do trigésimo e último classificado, pois fiquei em 31º lugar. E isso não foi ruim.
Acreditem ou não, eu já não estava mais conseguindo enxergar um futuro no qual eu ocupasse um cargo como Engenheiro da Computação, qualquer que fosse o cargo. Toda vez que me questionavam sobre meus planos para o futuro, tal exercício implicava um grande constrangimento. Duas certezas eu tinha: eu seria rico, mas não estaria fazendo o que gosto.
Dinheiro é bom, sim. Mas não é tudo na vida.
Caso eu tivesse sido aprovado no concurso, eu estaria contente por ter meu nome no jornal e por poder dizer que sou o único membro na família que passou na Universidade Federal. Ah sim, eu ficaria contente em dizer isso — ego desgraçado. Por outro lado, eu estaria descontente por estar entrando um curso que eu não aproveitaria com entusiasmo, ficaria com os piores horários (o último colocado sujeita-se aos horários que sobram dos demais), teria o curso de minha vida totalmente alterado e, por fim, tiraria a vaga de um vestibulando que quer o curso e, além disso, preparou-se para garantir sua vaga, o que não foi de forma alguma o meu caso.
Agora reitero: reprovação é um bixo de sete cabeças? Sem dúvida que não.
Passado o susto fiquei contente por tudo ter se encaminhado da forma que ocorreu. A segurança de minha vida, a qual pareceu estar ausente durante o período de provas, voltou com força total. Tenho certeza que o importante mesmo é escolher uma carreira que me satisfaça plenamente, na qual eu esteja feliz com o que esteja fazendo. Por mais saturado que esteja o mercado, por menor que seja a remuneração, existe, sem dúvida, espaço para profissionais dedicados e competentes, os quais serão responsáveis pelo futuro de nossa nação. E, para isso, basta ter força de vontade.
E isso, meus caros, eu tenho de sobra.
Ouvindo: Semisonic – Secret Smile (4:40)

Oi Balse!
Concordo plenamente contigo. O importante é ter força de vontade e, principalmete, fazer o que a gente gosta. Depois disso, o dinheiro é só uma conseqüência.
Digo isso porque o mercado de trabalho também está bastante saturado em relação a profissão que pretendo seguir, mas não é por isso que vou desistir dela.
Boas férias, guri!
Te adoro!
Beijos, Minica.
Comentário de MonikitA — 27.01.2005 às 18:11
bah, mais um no espírito verdadeiro da coisa! q bom. eu também achava que ia me constranger ao dizer: “vou estudar música. Não, nem fiz o vestibular da ufrgs, não mesmo, tô decidido, só depois do técnico de piano, daí pra regência!” demora pa entender, tempos difíceis. Agora, todo mundo dá força.
abraço, falou
boa sorte
Comentário de Kiko — 29.01.2005 às 20:53
ah, é claro, entrou pro clube de quem esqueceu o título!!! liberato, 2001, inesquecível isso, eu esqueci
Comentário de Kiko — 29.01.2005 às 20:55