Há males que vêm pra bem, p1.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul possui reconhecimento nacional por ser um excelente centro de Ensino Superior. Seu Concurso Vestibular é o mais concorrido do estado, tanto pelo fato de ser uma universidade gratuita, como por qualificar excelentes profissionais. Sendo assim, apenas os alunos mais bem preparados são selecionados para fazer parte das turmas da universidade. Afinal, são mais de 43.000 inscritos lutando por 4.300 vagas.

Inscrito para concorrer para uma vaga em Engenharia da Computação, o 9º curso mais concorrido e cuja densidade era de 18,3 candidatos por vaga, iniciei minha rotina de estudos pré-vestibular: não lia nenhuma leitura obrigatória, passava as tardes fora de casa e, quando sobrava um tempinho, desperdiçava no computador. Ou seja: revisão que é bom, nada.

Meus pais, preocupados e ansiosos em estarem livres de despesas educacionais por um bocado de tempo, investiam toda a bajulação que dispunham em seu filhinho querido. Mamãe fez questão de levantar cedo para preparar um café da manhã reforçado todos os dias. O pai, mesmo tendo que trabalhar duro durante a manhã, atrasava-se para poder seu filho ao local da prova.

Levantando todos os dias de calor infernal pontualmente às 6 horas da manhã, eu iniciava minha rotina exaustiva de vestibulando. Enfrentava uma monótona viagem de uma hora até à escola na qual era realizada a prova, esperava a abertura dos portões, entregava a carteira de identidade e ficava esperando, numa abarrotada sala de aula, pelo início das provas.

E meu amor na praia.

A rotina parecia-se com a música do Seu Jorge. “Todo dia ela faz tudo sempre igual / me sacode às seis horas da manhã”. Pois é. Entregues os cadernos de questões, lá estava eu, debruçado diante das mesmas, esquentando a cabeça para resolvê-las. A todo instante, pensamentos como “eu me lembro de ter ouvido isso, mas não me lembro mais como é que se faz” passavam por minha cabeça.

No primeiro dia de prova — um domingo, minha gente, um domingo! Onde já se viu? –, Biologia e História, fui um completo desastre, façanha que repetir-se-ia no dia seguinte não fosse a prova de Matemática, na qual me saí muito bem — muito embora a de Literatura tenha sido um total desastre. Na terça-feira, terceiro dia de prova, cometi as duas maiores proezas que um vestibulando poderia cometer. Ao preencher a grade, cansado da desgastante prova de Língua Portuguesa, marquei uma questão de forma incorreta.

À caneta.

Passado o acesso de raiva inicial, preenchi as outras questões e livrei-me das folhas de respostas assim que pude. Tal erro deixou-me deveras frustrado. Na hora pensei: esse erro pode ser responsável por minha reprovação.

Ouvindo: Jack Johnson — Taylor (3:59)

Comentários »

  1. Eu fiz a mesma viagem!!! Só q meu amor não tava na praia… hehehe

    Comentário de Tina — 25.01.2005 às 23:26

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