Do papel de carta

Voltei profundamente triste. Olharam-me com uma cara de interrogação, de espanto, como se aquela fosse a pergunta mais idiota que alguém poderia fazer. Olharam-me como se eu fosse uma pessoa que passou longos anos no campo, e retornou para visitar a cidade. Olharam-me com desprezo, com reprovação, com cara de deboche.

A história começa em clima natalino. Saindo às compras para presentear meus entes queridos, pensei em não só dar um presente qualquer, mas agregar-lhes uma mensagem pessoal, particular a cada presente. Nada melhor que um delicado papel de carta, com belas imagens para acompanhar as letras que seriam inseridas à caneta. E em cada uma das três papelarias que entrei, recebi a triste notícia que não estavam mais à venda esses artigos.

Isso me preocupa. As pessoas não dedicam mais seu tempo para os pequenos prazeres. Elaboradas mensagens escritas à mão dão lugar a cartões prontos nos quais o autor mal se dá o trabalho de assinar.

E os relatos das aventuras vividas por um viajante saudoso de sua famíila? E as histórias de primas distantes que nutriam sua amizade por palavras? E as coleções de papéis de carta que as meninas costumavam fazer? — minhas amigas faziam isso! E as cartas que antes transcendiam as barreiras municipais, estaduais, viajando quilômetros de distância apenas para dizer eu te amo? Tudo isso se foi?

Dou graças que não. Ainda existem carinhosas almas que, mesmo comprando um cartão pronto, dedicam o seu tempo a pensar no querido destinatário para proferir-lhe palavras doces — louvadas sejam essas pessoas! Ou ainda aqueles que, mesmo que na falta de um papel diferente, não deixam de expressar seus sentimentos com amor. Foi o que fiz: peguei o papel monocromático mais incrementado que encontrei, e escolhi pequenos envelopes para acomodá-los.

Tentaram conspirar para que eu mantivesse calados os pensamentos. Mas aqui, meus caros, tem perseverança.

Boas festas a todos!

Ouvindo: Eagles – Hotel California live unplugged (7:17)

Comentários »

  1. aee!! resolveu escrever alguma coisa, hein! :)
    bah… essa de nao achar mais papel de carta tbm me pegou… mas eu achei uns esses tempos… do puff, bem bonitinhos… hehehe e olha q eu era dessas q tinha coleções… 3 pastas cheias!! varios repetidos, com cheiro, com linhas, sem linhas… bah… era uma felicidade soh… mas acho q nem questionario nao existe mais nas 5ªs series de hoje… realmente, é uma pena! :(
    ateh mais, guri!
    Feliz Ano Novo! :)
    bjao

    Comentário de Lu — 27.12.2004 às 01:54

  2. bah, escreveu! e ai, curtiu o filme? a carteira do meu irmão tava lá no cinema, no mesmo lugar. olha só, na minha família agente usa cartões com belas imagens e grandes espaços monovromáticos. ah isso eu sei q tem de monte por aí e é uma boa!
    abração, falou

    Comentário de Kiko — 27.12.2004 às 13:09

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