Complexo estudo

Juro que tentei escrever um belo texto sobre o ano que está por vir, falando sobre metas, além de fazer um panorama do ano que passou. Entretanto, um pequeno problema de ordem técnica impediu-me de fazê-lo, problema este que é ilustrado no gráfico abaixo:

Considerando uma noite bem-dormida, minha atividade cerebral, isto é, minha capacidade de pensar e agir tem seu início por volta das 08h. Até lá, se devo fazer algo, como acordar, tomar café da manhã, me vestir, etc., tudo ocorre por instinto. Chegando por volta do meio-dia, a atividade sofre uma pequena recaída, a qual dura aproximadamente duas horas, tendo em vista a fome que acomete este corpinho nesse horário.

Passando das duas horas da tarde tendo feito sesta ou não, o raciocínio inicia uma tragetória que tende ao ápice, o qual não possui um horário bem definido embora ocorra por volta das 18 horas ou além. Com o silêncio da noite, os compromissos do dia já finalizado e a cabeça vazia de problemas, ocorre um melhor aproveitamento da atividade cerebral, sendo esse o período mais criativo e inspirado de meu dia.

Não importando o horário, lanches ao longo do dia fornecem maior capacidade para prosseguir e aumentam a capacidade de pensar, tendo em vista que tais procedimentos fazem com que sejam interrompidos os envios de alertas do tipo “barriga vazia”.

Por volta da uma hora da manhã, ocorre um fenômeno um tanto desagradável que é o abrupto desligamento das funções pensamentes deste ser vivo, o qual torna-se, mais uma vez, um animal irracional guiado por instintos. Simples equações matemáticas, como a soma de parcelas, tornam-se complicadas tarefas que exigem demasiado esforço de concentração, desgastando muita energia. Sendo assim, é necessário interromper toda e qualquer tarefa que um cachorro não seja capaz de fazer e aceitar tal condições resignando-se à cama para retomá-las no dia seguinte. Falando nisso…

Ouvindo: Dido – Don’t leave home (3:46)

Revanche!

Eles tentaram, mas não conseguiram. Após receber algo como 900 spams em menos de um mês, não tive outra alternativa a não ser encontrar algum jeito de parar com essa enchente de comentários. Jogos de poker, sites pornô, farmácias virtuais, enfim, o que se pode imaginar em questão de spam aparecia por aqui.

A solução foi pedir que os meus caros visitantes digitem um código aleatório toda vez que forem enviar um comentário. Como é necessário que esse código seja lido, interpretado e digitado, essa função toda esgota a capacidade da máquina, o que impede que “robôs” fiquem apurrinhando meu blog.

Perdoem-me, meus caros, mas essa frescura toda é para o bem de vocês.

Ouvindo: U2 – Sunday Bloody Sunday (4:42)

Do papel de carta

Voltei profundamente triste. Olharam-me com uma cara de interrogação, de espanto, como se aquela fosse a pergunta mais idiota que alguém poderia fazer. Olharam-me como se eu fosse uma pessoa que passou longos anos no campo, e retornou para visitar a cidade. Olharam-me com desprezo, com reprovação, com cara de deboche.

A história começa em clima natalino. Saindo às compras para presentear meus entes queridos, pensei em não só dar um presente qualquer, mas agregar-lhes uma mensagem pessoal, particular a cada presente. Nada melhor que um delicado papel de carta, com belas imagens para acompanhar as letras que seriam inseridas à caneta. E em cada uma das três papelarias que entrei, recebi a triste notícia que não estavam mais à venda esses artigos.

Isso me preocupa. As pessoas não dedicam mais seu tempo para os pequenos prazeres. Elaboradas mensagens escritas à mão dão lugar a cartões prontos nos quais o autor mal se dá o trabalho de assinar.

E os relatos das aventuras vividas por um viajante saudoso de sua famíila? E as histórias de primas distantes que nutriam sua amizade por palavras? E as coleções de papéis de carta que as meninas costumavam fazer? — minhas amigas faziam isso! E as cartas que antes transcendiam as barreiras municipais, estaduais, viajando quilômetros de distância apenas para dizer eu te amo? Tudo isso se foi?

Dou graças que não. Ainda existem carinhosas almas que, mesmo comprando um cartão pronto, dedicam o seu tempo a pensar no querido destinatário para proferir-lhe palavras doces — louvadas sejam essas pessoas! Ou ainda aqueles que, mesmo que na falta de um papel diferente, não deixam de expressar seus sentimentos com amor. Foi o que fiz: peguei o papel monocromático mais incrementado que encontrei, e escolhi pequenos envelopes para acomodá-los.

Tentaram conspirar para que eu mantivesse calados os pensamentos. Mas aqui, meus caros, tem perseverança.

Boas festas a todos!

Ouvindo: Eagles – Hotel California live unplugged (7:17)

Cuidado!

Crianças, não façam isso em casa!

Não me perguntem o quê, mas é sério. Ando vendo muita loucura solta por aí. Está na hora de pensar um pouco mais antes de agir. Não, isso não é pra mim não.

Vou lá me atirar de ponta cabeça…

Ouvindo: U2 – One Step Closer (3:51)

Poemas nos trilhos

Ainda no trem, uma poesia fantástica de Fabio Rocha, simples, porém genial, afixada na porta do vagão, graças a uma campanha pública:

Subúrbio
As pessoas na rua
aplaudem
as casas sem campainha

Não sei se é tão genial assim, mas é que acabei imaginando as pessoas que vêm aqui em casa e têm de ficar aplaudindo para serem recebidos. Coisas da vida. Porteiro eletrônico estragado graças a uma população de formigas famintas que, em virtude de seu programa Fio Zero, mastigaram toda instalação elétrica do interfone. É a vida…

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