Do debate à prática

Ultimamente, questões ligadas à água vêm sendo amplamente abordadas em congressos e debates. Os governos preocupam-se não só em como gerir seus recursos hídricos da melhor maneira possível, como também conscientizar sua população da importância deste bem natural e esgotável.

Exemplos do mau uso da água são inúmeros e comuns no dia-a-dia Não raro se vê alguém lavando sua calçada ou seu carro utilizando a mangueira interminantemente, ou, num plano maior, empresas livrando-se de restos de produtos químicos nos leitos dos rios. Até mesmo em casa, por falta de instrução, é comum cometer alguns equívocos, tais como demorados banhos ou escovar os dentes mantendo a torneira aberta.

Por estar em uma situação privilegiada, com abundantes reservas hídricas e abastecido por uma ampla bacia hidrográfica, o brasileiro parece não estar preocupado com a água; aquilo que não lhe afeta diretamente não merece sua atenção. Em outros países, especialmente na Europa, a água já foi motivo para guerras e conflitos políticos entre nações.

Urge que políticas nacionais sejam criadas para dar um fim a essa situação. Os reflexos da má administração deste bem essencial à vida são observados anualmente durante o verão, quando ocorrem racionamentos a fim de reestabelecer as reservas de água. Medidas devem ser tomadas a fim de extinguir a poluição do leito dos rios, seja por empresas ou por moradores próximos. A legislação também deve ser alterada, a fim de enquadrar casos de desperdício da água. O mais importante, porém, é assegurar que a futura geração de crianças que está por vir, aqueles que serão o futuro de nosso país, sejam conscientizadas da importância que a água tem em nossas vidas e de como é importante utilizá-la com total cuidado.

Que a água é um bem fundamental a todos é de conhecimento geral. Poucos fazem sua parte de preservá-la, no entanto, prevalecendo o disperdício sobre o uso correto. Muito já se discutiu sobre como administrá-la; resta agora colocar as idéias em prática. Não adianta, porém, culpar o governo pela escassez da água. O problema é grave e deve ser resolvido urgentemente não só pelo governo, mas por todo cidadão. Persistindo esse impasse, as futuras gerações é que terão de enfrentar as conseqüências deixadas por nós. É provavel, contudo, que seja tarde demais para tomar uma solução.

Ouvindo: Outkast – Hey ya (4:08)

Feriadão

A previsão do tempo era animadora. D. Luíza já havia arrumado as malas e preparado o lanche. Deixaram a comida do cachorro com o vizinho e os filhos, Mateus, Douglas e Marcos, já estavam de banho tomado, aguardando anciosamente seu pai chegar do trabalho.

Eis que o João chega, cansado de uma semana de trabalho pesado e mal remunerado, em sua casa. Encosta o carro de ré, abre o porta malas e, enquanto tomava um banho, sua mulher e filhos levavam as poucas sacolas até o carro. As crianças acomodaram-se no banco traseiro, disputando quem ficaria na janela.

— Tudo pronto?, perguntou João. A mulher confirmou, chaveando a porta de casa. O cachorro pressentina o desaparecimento dos donos. Estava inquieto, debatendo-se, ganindo e saltando de um lado pro outro. O pai penteou o cabelo em frente ao espelho retrovisor, conferiu os documentos, o dinheiro da semana, a chave da casa. Tudo pronto.

Pegaram uma estrada cheia, movimentada. O calor deixava as crianças irritadas e o pai, já cansado por ter trabalhado, estava sem paciência para aturar suas peraltices. Foram parados pela Polícia Rodoviária Federal no meio do caminho, talvez pela idade do carro. Conferiram tudo: da luz de freio ao extintor de incêndio. Felizmente o carro estava em dia, sem nenhum problema.

Após duas horas e meia de viagem, chegaram ao seu destino: a casa da praia. Enfim esticaram as pernas, olharam para o pátio cheio de folhas, a grama batendo na cintura de D. Luíza; mais trabalho pela frente para o já exausto João.

As crianças saíram correndo, entretidas com a paisagem que não viam havia meses. Andaram, desbravando a grama, até que viram a porta do fundos entreaberta. Pai!, tem gente!, gritou Douglas.

João e Luíza arregalaram os olhos e um temor tomou-os de súbito.

— Que foi que você disse meu filho?, disse o pai.
— Não brinque com essas coisas Douglas!, revidou a mãe.
— Mas é verdade. Olha, tá aberto!, disse o menor.

O chefe da família tomou frente e confirmou o pior: haviam arrombado sua casa. Luíza, pega as crianças e vai pro carro!, gritou. Voltou ao carro, pegou um taco de madeira e uma lanterna que deixava debaixo do banco e voltou à casa. Abriu a porta devagar e aos poucos a tragédia foi se revelando com a luz trêmula da lanterna. O taco caira de sua mão.

Armários e gavetas estavam abertos, revirados. No chão cacos de vidro, objetos jogados aleatoriamente. Caminhou até os quartos. Além de terem levado os ventiladores, cortam os colchões à faca.

Na sala não havia mais TV, que daria lugar a um velho baralho de cartas. Da cozinha só não levaram o antigo *Frigider* azul. Até mesmo o microondas, cuja última prestação estava por vencer foi roubado. Nem mesmo a máquina de cortar grama escapara. A pilha de livros, porém, permanecia intocada.

Não havia justificativa cabível para explicar o que sucedera-se naquele lugar. João, com os olhos úmidos, não sabia como contar a notícia à sua família. Baixou a cabeça e encostou-se na parede. Restava saber, agora, onde passariam a noite. O cachorro parecia ter pressentido o ocorrido.

Ouvindo: Rhapsody – Sacred Power of Ranging Winds

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