Ah, se eu tivesse acordado…

Sentimento de culpa é algo extremamente depreciador do ego de uma pessoa. Hoje, infelizmente, senti-me culpado por não ter feito a minha parte num trabalho em equipe e, conseqüentemente, o *todo* foi prejudicado pela não-participação das partes. Responsável por uma derrota.

Anualmente, uma equipe composta pela diretoria do Grêmio Estudantil e por professores da escola organizam um gincana cujas tarefas são elaboradas com base em um tema central. O desse ano foi a “Velha Infância”. Além de tarefas envolvendo curiosidades, são feitas competições de brinquedos montados pelos alunos, circuitos no estilo Passa ou Repassa — para quem não lembra, era aquele programa exibido no SBT com a “torta na cara” –, e também a coleta de itens antigos.

Normalmente existe uma pequena disputa entre os terceiros anos da escola, os quais disputam a liderança na gincana, que, por sinal, tem como prêmio uma certa quantia em dinheiro que é muito bem-vinda pois auxilia a custear a formatura. Nesse ano, não era de se esperar outro cenário.

Nos primeiros minutos da gincana, tive a nítida impressão que a outra turma venceria, com folga, a gincana. Todos pareciam muito envolvidos, com muita garra e vontade de vencer. Até por que, nossa turma havia vencido o “Dia do Colégio” e a gincana do ano passado, episódio que entrou para a história da escola.

É triste quando, numa turma de 36 alunos, apenas 15 comparecem no primeiro dia de atividades, dos quais apenas 8 de fato ajudavam. Não se via mais a garra, a união antes observada nos áureos tempos da Eterna Turma 121. Faltavam pessoas-chave que não mais fazem parte da turma. Até mesmo o ânimo dos que restaram se foi com o tempo, seja por estarem de saco cheio da escola, seja por estarem decepcionados com seus colegas. Enfim, o brilho que uma vez esteve nos olhos dos meus colegas não mais existia.

Como um dos representantes da equipe, fiz o máximo para que nenhuma tarefa fosse perdida ou entregue com atraso — afinal, a tolerância era zero. Olhei, porém, para o quadro de tarefas que eu mantinha atualizado e anunciei: “poxa, não podemos estar tão atrás assim da turma. Só deixamos de entregar duas tarefas, o resto está praticamente concluído…”

Continuamos trabalhando, os poucos que restavam, ao final de uma sexta-feira para que não ocorresse de ficarmos tão atrás da outra turma. A derrota era aceitável; tomar uma “lavada”, no entando, nem pensar. Uma das tarefas para a manhã de sábado era ligar para uma rádio, imitando a voz do Pateta, personagem da Disney, e pedir que tocassem a música “Velha Infância”, dos Tribalistas. Essa tarefa valia 100 pontos.

Cheguei em casa e em cinco minutos estava munido de uma fita K7 e já no celular falando com meus amigos que pediram para sintonizar numa rádio. “Alô? Tem certeza que é essa rádio? É uma rádio tradicionalista!” O pedido é indescritível, tanto é que fez-se necessário reproduzi-lo fielmente a fim de exibir um relato mais rico.

pateta.mp3 (420kB)
MP3 64kbps, 22.050 Hz

Concluída esta terefa, pude finalmente relaxar e me animar pois a noite seria muito especial: o aniversário de minha amada. A noite, de fato, foi ótima e acabei voltando para casa por volta das 5 horas da manhã. Não preciso dizer que estava um tanto cansado, e que acordar dentro de duas horas seria demasiado complicado.

Pensei em virar o dia, entregar a fita com a gravação e despedir-me, alegando falta de condições fisiológicas para permanecer acordado. Em 20 minutos mudei de idéia, programei o celular para que me acordasse dali a uma hora e meia e me recostei na cama.

Toca o celular, que estava já na minha mão. Isso não é bom sinal.

– Alô, Pedro?
– Sim?
– Te acordei?
– Sim.
– Desculpa.. Mas olha só, e a fita?
– Tá aqui comigo. Que horas são?
– São oito e quinze…
O QUÊ?! E PRA QUE HORAS É A ENTREGA DA TAREFA DA FITA?!
– Ahm, deixa eu ver… Às oito…
– …
– Sim…
– Tá, daqui a pouco eu apareço aí. Foi mal.

Estar com o celular na mão era mau sinal. Até agora não sei como ele foi parar ali, nem como o despertador foi desligado. Talvez tenha sido em um sonho, sei lá. O que importa é que uma tarefa confiada a mim, valendo 100 pontos, fora perdida.

Hoje, durante o anúncio do resultado, estava confiante que seria linxado e espancado praticamente à morte — já estava até reunindo argumentos vorazes para contra-atacar. Afinal, eu seria responsável por alguns pontinhos que nem fariam a diferença….

Ficamos em terceiro lugar. **Terceiro**. Por ironia do destino, a diferença para o segundo foi de apenas 8 pontos. Pior. A diferença para o primeiro lugar foi de 14. Malditos 100 pontos perdidos!

Assim, com o orgulho ferido, senti-me culpado, responsável por uma derrota. Não merecíamos ter ganho a gincana, não, pois não fizemos por merecer e nem metade da turma se empenhou para tal. Mas os quatro valentes que estavam presentes no sábado na escola, ah, esses sim, mereciam o prêmio. Peço desculpas, mas o culpado aqui já vi que não fui eu. Acertem as contas com meu celular.

Passou

Talvez esta seja uma das mais difíceis conclusões que cheguei: “eu não gosto mais de computador”. Não sei, talvez seja passageiro, ou então passou a fase de menino *nerdinho*, mas cansei dessa vida. Parei para pensar e vi que estava perdendo muito tempo em frente à esta tela, sentado nesta cadeira azul olhando para as paredes verdes fresquinhas.

Longos foram os dias nos quais passei horas à fio compenetrado em frente a esta máquina que uso para vos escrever, seja tentando resolver enigmas difíceis da Informática, seja dando asas à minha imaginação fazendo um desenho qualquer, seja gastando a ponta do dedo fuzilando terroristas e policiais em joguinhos — ou atropelando velhinhas inocentes –, seja arquivando meus pensamentos.

Já aprendi como se conversa com a máquina. Banquei o auto-didata aprendendo desde linguagens de alto nível, como Pascal, Basic, até linguagens mais elaboradas, como C, a qual é utilizada para construir até mesmo sistemas operacionais. Meus estudos foram longe, muito embora não reste praticamente nada em minha memória. A habilidade e o entusiamo se foram com o tempo.

Hoje, o único atrativo que ainda me resta nesse mundo é a primeira coisa que me seduziu: a escrita. É bom recordar os tempos em que eu me sentava em frente ao computador do meu pai e prestava-me a escrever histórias infantis, tomadas por palavras retiradas do fundo do poço. A escrita, algo que posso fazer até mesmo à mão, é a única coisa que me agrada aqui. Chega a ser até irônico.

Pode ser até mesmo que seja uma fase passageira, mas não parece, se bem me conheço. Uma vez decepcionado, o brilho nos olhos nunca mais é o mesmo, salvo raras exceções. Olho através do vidro, agora, e vejo uma bela tarde de domingo, pintada com um céu azul e uma leve brisa agitando as folhas que brilham à luz do sol. Vejo um pássaro voando e desejo também criar asas e sair voando por aí. Não me contento mais em ficar sozinho, quero me sentir vivo, quero estar feliz e ao lado de quem amo.

Bem que os cientistas tentaram, durante as últimas décadas, tornar a tecnologia a melhor companhia para se aproveitar o tempo da melhor forma. Fracassaram. Ainda não surgiu forma melhor de se passar o dia do que amando.

Bem-vindo à floresta!

Está tudo acabado. Mudei completamente, e garanto que ficou muito, mas muito melhor. Falo das paredes.

Por anos um azul desbotado observava-me enquanto eu atualizava este diário virtual, ou durante meu repouso, quando me vestia, enfim, foi um companheiro inseparável. A convivência deixou-lhe marcas desagradáveis. Arranhões, sujeira de mãos que trabalharam em meio ao pó de um velho computador, cadáveres de mosquitos aniquilados por uma maligna mão que tem mais de 20cm de comprimento.

A mudança estava planejada desde o verão passado. Não fosse um pequeno imprevisto, a pintura seria feita por este rapaz que voz fala, em pessoa, tarefa esta que levaria no mínimo 7 dias para uma peça de apenas 9m2. Vieram as aulas, compromissos e o sonho postergado. Como diz o velho ditado, porém, “quem acredita sempre alcança”.

Eis que surge a oportunidade do século: um pintor em minha reformando a parede da escada que havia sido destruída por um infiltramento de água — é isso que dar não usar tubos e conexões Tigre; fuja do mico! Manifestei meu desejo aos meus pais que aceitaram a idéia sem queixarem-se.

— Tá bom, guri. Só escolhe uma cor lá na loja de tintas que eu peço pra ele pintar teu quarto. Já tava na hora mesmo. Teu quarto tá feio, desbotado. Vamos pintar, sim.

Assim quase não tem graça. Nem foi necessário utilizar técnicas apelativas para ter meu desejo realizado. Nenhuma resistência, nada, nada. Entregue de mãos beijadas.

Retorno da aula e encontro meu quarto coberto de lençóis. A pintura começarm sem a minha ciência. Aleluia! Recebi ordens para desocupar o quarto, removendo o máximo possível das tralhas que preenchem seu interior. Isso quer dizer: mini-system, computador, modem, hub, livros, carrinhos, CDs, revistas, tudo! Ainda bem que tenho o costume de não colocar fora as caixas nas quais os produtos que recebo vêm embaladas; mostraram-se grandes aliadas na mudança.

Que diferença! Novos ares — cheiro de novo –, nova cor, novo ânimo! Agora, ao invés de me sentir no céu, sinto-me em meio a árvores e um grande gramado. Uma floresta, quem sabe. Sim, uma floresta. Pôr ordem nessa bagunça será uma difícil tarefa, além de demorada. Não tenho pressa. Afinal, posso acabar espantando os animais que aqui cuidam de seus narizes.

Ouvindo: Red Hot Chili Peppers - Otherside [live] (4:31)

Fui e já voltei

Ufa. Como é bom voltar de férias! Muitas novidades pra contar, total energia à disposição, nada de preocupações, só alegrias e boas memórias.

Estive sumido, sim. Fui e já voltei, morrendo de vontade de sair escrevendo, pelas paredes, recém pintadas. Sim, já antecipei a primeira novidade — boca maldita –, mas aí está um dos motivos que explicam, embora não justificam, minha ausência.

Voltei, não basta?!

Digam oi!

Estou com saudades!

Todos juntos agora: oi!

Ouvindo: Red Hot Chili Peppers - Scar Tissue [live] (4:31)

Do meu aborrecimento

Estava eu escrevendo um texto para este diário virtual. Belas palavras estavam brotando desta mente apaixonada, excelente reflexão. Senti-me orgulhoso, até certo ponto, algo que não raro acontece pois sou demasiado perfeccionista e extremamente crítico em relação a meus próprios atos. Restavam apenas alguns retoques e, é claro, uma breve revisão; afinal, erros gramaticais, incoerências e contradições são abundantes quando se escreve — e pensa — ligeiro.

Subitamente, o que era lindo e maravilhoso converteu-se numa tela preta. Houve uma breve queda de luz, tão rápida quanto um piscar de olhos e tudo o que eu havia escrito se foi. As palavras, tão efêmeras, escoaram pelo ralo da preguiça, acompanhadas de minha vontade.

Isso não é justo.

Creio que tenho o direito de ficar aborrecido com esse computador. Ou com a companhia de distribuição de energia. Ou os dois. Malvados! Destruíram frases elaboradas com esmero. Tomaram de mim pensamentos e não os devolveram.

Tenho pena da mesa, que apanha quando isso acontece. A pobre tomou uma surra e teve de ouvir tantos palavrões que… bom, não saiu do lugar nem demonstrou reação alguma. Ainda bem que só sou violento com objetos inanimados…

Melhor publicar isto antes que tirem este post de mim também!

Ouvindo: Dave Matthews Band - Gravedigger (3:53)

« Posts recentesPosts antigos »