Revertendo um quadro

Acidentes no trânsito são a terceira principal causa de morte nos países industrializados, embora se considerada a faixa etária de 1 a 44 anos, é a *principal* delas. Um dos maiores agravantes da estatística é a má educação dos condutores. Embora existam péssimos motoristas em todo o mundo, o brasileiro — e, em especial o gaúcho — está longe de ser considerado um bom motorista.

Uma iniciativa para reverter este quadro preocupante a longo prazo foi a instituição de aulas teóricas obrigatórias para a expedição da Carteira Nacional de Habilitação. Só dirige quem passa por longas 30 horas/aula teóricas e uma prova objetiva também composta por 30 questões.

Seria cômico se não fosse trágico, mas houve casos de gente analfabeta passando nos exames e ganhando sua carteira de motorista. Ciente disso, o CONATRAN passou a exigir que, além da prova teórica, fosse feito um ditado, a fim de assegurar que o candidato saiba ler e escrever.

Talvez num primeiro momento pareça uma tremenda “encheção de saco” ter de ficar sentado numa cadeira ouvindo um instrutor falar e falar por dias antes de pôr a mão no volante e sair dirigindo. Mas não é. Ao longo do curso, o aluno conhece não só o Código Nacional de Trânsito, como noções de primeiros-socorros, preservação do meio ambiente e mecânica automotiva. O mais importante, porém, talvez seja a conscientização do futuro condutor, fazendo-o entender a importância de usar o cinto de segurança, de respeitar os limites de velocidade ou de não realizar ultrapassagens perigosas. Resumindo: dirigir com prudência.

Outros devem pensar “puxa vida, mais uma coisa pra eu rodar. Não fossem aquelas malditas balizas e o sofrimento para passar no terceiro ano e o vestibular e essas aulas todas, ainda tem mais esse teste!”. Não é bem assim não. Para início de conversa, o CNT é muito lógico e fácil de entender. Existem alguns conceitos e noções básicas que devem ser conhecidos, porém o resto é perfeitamente deduzível, bastando ter bom senso.

Como se já não estivesse plenamente justificado, ainda apresento um forte argumento a favor da educação dos condutores: as aulas **não** são chatas, muito pelo contrário. São dinâmicas, interessantes e leves. Quatro horas de aula deveriam ser cansativas, mas a minha experiência foi muito boa — passou muito rápido. Além das apostilas, ainda são apresentados vídeos explicativos e, no decorrer do curso, outros materiais (motores, bonecos) são utilizados para melhor elucidar as explicações. Falo com a experiência de ser aluno; tem muito professor no colégio que não conduz uma aula tão bem quanto o do CFC.

Resta-me dizer aos futuros e jovens condutores que aproveitem ao máximo esta oportunidade, pois é válida e importante. E digo não só para esses, como também para os demais que tenham cuidado na direção, muito cuidado. Já tive exemplos terríveis na família, como a morte do irmão do namorado da minha irmã — parece distante, mas ele era um amigo muito próximo na época — num acidente de moto e um gravíssimo acidente de carro com o meu avô, que quase o deixou num estado vegetativo.

*A vida é a melhor direção.*

Ouvindo: Dream Theater – The Spirit Carries On (6:38)

Lembranças

Coloquei mais uma galeria no álbum de fotos, a da minha viagem à Porto Seguro, em julho deste ano, só para causar um pouquinho de inveja.


Não é lindo?

Se você esperava um relato da viagem, perdeu o trem. Ele já foi escrito há mais tempo…

Ouvindo: Dave Matthews Band – Too High (5:38)

Do casaco cinza

Restaurante é um lugar onde se conhece e vê gente nova, inusitada e conhecida. Tem gente, porém, que não suporto graças à minha pré-concepção. Certas primeiras impressões concebidas em minha mente são praticamente infalíveis. Cara de nojo é uma delas.

Almocei com meus pais na *Cantina Valduga*, um dos melhores restaurantes da cidade, na minha humilde opinião. Comida italiana. Polenta, massa, galeto, vinho, queijos, pãozinho feito na hora, tudo de dar água na boca. Não há nada que se possa dizer “é, isso aqui tá mais ou menos, poderia estar melhor”. Não. A comida é deliciosa, maravilhosa, excepcional. O atendimento também é de primeira. Tudo isso, todavia, tem um preço.

Estava eu no bem bom, desfrutando da minha refeição tranqüilamente, discutindo assuntos banais, quando o clima é quebrado com a entrada daquele senhor desconhecido. Entrou sua esposa e ele, ambos com uma passada vagarosa, como se estivessem flutuando sob um tapete vermelho ou sob o paletó do chofer atirado em uma poça d’água. Narizes empinados tal qual senhores de engenho observando seus escravos trabalharem com sol à pino.

O senhor de casaco cinza conduz sua esposa, adornada de brincos, anéis e colares dourados, até a mesa e permanece ao seu lado, em pé, enquanto as garçonetes cumpriam seu serviço atendendo os demais clientes. De seus olhos faiscavam julgamentos vorazes e rancorosos. Os seus lábios levantados e as sombrancelhas curvadas completavam a figura de seu semblante, claramente expressando a idéia que ele era superior aos demais presentes no recinto.

Ao ser atendido, falou com a garçonete num tom desrespeitoso e sádico. Levantou a voz, como se estivesse a sós em sua casa, sem sequer preocupar-se que haviam outras pessoas querendo conversar. Ordenou que trouxessem logo polentas frescas e vinho. E também uma tábua de frios. E para não esquecer de trazer aquele pão.

Não o fiz, mas tive vontade. Ao observar a cena, olhei para as polentas que estavam sobre a minha mesa, douradinhas, quentinhas e tive uma idéia mirabolante. Uma enorme vontade de pegar a polenta, virar-me para a mesa do eu-me-acho-dono-do-mundo e mastigá-la pausadamente, demonstrando minha cara de satisfação ao deliciar-me de seu desejo. Não o fiz, mas tive vontade.

Ainda bem que não guardo rancor. Afinal, como seria possível guardar rancor num coração já tão preenchido de coisas boas. Gente assim tem que mais é fingir que não existe, pois se ele pensa que manda nos outros, que fique pensando nos seus cafundós. Manda quem pode, obedece quem quer, meu caro.

E o que aconteceu depois? Comi um belo sorvete de baunilha com cobertura de e pedaços de pêra. Convenhamos: tenho mais o que fazer…

Ouvindo: Coldplay – Amsterdam [live] (4:59)

Apetrechos

Utilizei esta tarde de ócio para fazer pequenas mudanças no blog, tarefas que estavam planejadas porém não agendadas. Entre as modificações feitas estão:

* Links adicionados no topo do site.
* Álbum de fotos volta a funcionar.
* Comentários abrem agora em uma nova janela, a fim de facilitar a vida dos queridos leitores que não possuem banda-larga.

Se o site parecer estranho, não se assuste caso seja sua primeira visita, ele é estranho. Agora se parecer bagunçado e esta não é sua primeira visita, talvez seja necessário recarregar alguns arquivos que foram alterados. Para tal, clique no botão *Atualizar* de seu browser — ou aperte `Ctrl+F5`, que funciona na maioria dos casos.

**Atualização** (10/10/04 12:27): Adicionei mais uma bugiganga no rodapé do site, o wp-blogtimes, cuja função é exibir a hora em que os últimos posts foram publicados. Assim torna-se mais fácil fazer uma previsão de retorno ao blog.

Ouvindo: Elvis vs. JXL – A little less conversation (6:22)

Concorda?

Encontrar uma opinião unânime sobre um determinado assunto é extremamente difícil.

Os dois fatores que mais influenciam o grau de dificuldade são o número de pessoas participantes da discussão e a idade dos mesmos. Quanto mais pessoas envolvidas, mais problemática é a decisão. O outro fator determinante, a idade, é um tanto mais complexo: na medida que o indivíduo encontra-se no auge da adolescência, a probabilidade de ele querer fornecer uma decisão contrária é infinitamente maior e quanto mais velho, mais cabeçudo e convicto que o mundo é assim desde o início e que por isso não lhe convém mudar de opinião ele é.

Que facilidade deve ser, então, decidir os detalhes de uma formatura de colégio, em meio a 36 alunos com uma enorme vontade de criar tumulto a fim de prolongar a discussão e evitar que a aula prossiga. Nem precisa ir muito longe; utilizar estes mesmos alunos para decidir a agência de turismo que organizaria a viagem de férias é tão cansativo como um parto.

Não bastasse a ampla divergência, mesmo com toda a democracia, dedos levantados para expor opiniões, não há jeito de chegar a um concenso. E pior, se um camarada não concorda com uma idéia, ele começa a profanar xingamentos e contrariedades — não bastasse a discordância. Não concorda, tudo bem, vote contra, mas não é necessário fazer tempestade em copo d’água.

Já dizia Aristóteles, sábio filósofo grego que “o homem é um animal político”. A divergência, está no sangue.

Encontrar a paz: eis uma difícil missão a ser cumprida.

Ouvindo: Blink 182 – Down (3:03)

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