Ressaca
Crianças, não brinquem com gelo seco.
Minha língua está anestesiada até agora…
Ouvindo: Maroon 5 – This love (3:26)
Crianças, não brinquem com gelo seco.
Minha língua está anestesiada até agora…
Ouvindo: Maroon 5 – This love (3:26)
Que coisa fantástica. Às 18h30min, eu estando em minha aula aprendendo noções básicas de mecânica automotica, percebo uma movimentação, num relapso de distração ao olhar pela janela, aos arredores do ginásio municipal.
Uma grande quantidade de flanelinhas tomava conta das ruas. Começam a discutir, brigar entre si, decidem quem pega que ponto, uma confusão e uma gritaria federal. Poucos minutos se passam e enconsta um carro de som próximo ao ginásio. O dono do veículo coloca seu disco especial no aparelho e dá início ao espetáculo. Bruno e Marrone num carro de som. A sala de aula torna-se um tumulto e comenta-se sobre o grande evento da noite de sexta-feira: a apresentação da dupla de Goiás. Respeitável público! Senhoras e senhores! Com vocês… B&M!!!
Sensacional! Não posso deixar de fazer um relato deste episódio sem antes contextualizar disponibilizando trechos de músicas que sensibilizem a memória fazendo com que você, leitor ou leitora, entre no clima e imagine a situação.
Do jeito que você me olha,vai dar namoro!
E o mais consagrado sucesso, fenômeno do país:
Seu guarda eu não sou vagabundo eu não sou delinquente
Sou um cara carente
Eu dormi na praça, pensando nela
Seu guarda seja me amigo me bata me prenda faça tudo comigo
Mas não me deixe ficar sem ela
Não… E o que poderá ser dito dessa canção:
Olha o rebolado que a morena tem
Tá me deixando louco nesse vai e vem.
Olha o rebolado que a morena tem
Tá me deixando louco nesse vai e vem.
E vai subindo e vai descendo destilando seu veneno
Ela tá quente e eu já tô fervendo.
Essa morena eu já saquei que tá na minha
A danada e safadinha e já tá me dando mole
Vou dar um bote feito cobra venenosa,
Vou cuidar dessa gostosa e ficar no bole-bole.
Palavras inexistem para explicar o sentimento que tive ao ler a canção acima. Imagino uma casa noturna, dessas que até a meia-noite elas de mini-saia não pagam e tomam cerveja de graça, e tocando essa música. Que não deve sair de um ambiente assim. Eu queria estar lá!
Mas voltando… Nossa. O carro de som continua a milhão reproduzindo a choradeira dos goianos. Tocou, tocou, passou uma hora, duas, e nada de o som parar. Passado este tempo comecei a achar que o CD estava repetindo. Apesar de achar que todo o repertório dos músicos é igual, comecei a achar que o disco estava repetindo, porém fiquei quieto. Quando o terceiro colega confessou sua suspeita de repetição, então passei a prestar mais atenção.
Estimados leitores deste imenso Brasil. Era a *mesma* música, tocando sem parar, repetindo uma, duas, cinco, vinte vezes e nada de trocar o disco! Eu já sabia a letra de cor, que, aliás, até já foi esquecida, talvez pelo sono.
Ao sair da aula, porém, que inveja. Uma multidão indo assistir ao show, eu observando aquele povão dirigindo-se aos portões. Pensei com os meus botões: puxa vida, que inveja. Ah, pode ser o pior músico do mundo. Animando a platéia e colocando-na para dançar, pronto, conquista meu coração.
Inveja, sim, inveja. Bom, depois que eu fui num show do Xande — aquele namorado ex-loira-do-tchan Carla Perez, que canta com os pés descalços — durante a viagem a Porto Seguro, eu tolero qualquer artista, desde que seja bom o suficiente para encher de alegria a platéia.
A que ponto cheguei. Observando aquelas pessoas pensei “seu burro, por que tu não comprou um ingresso e trouxe tua namorada para assistir a esse fenômeno da música nacional?”. Uma coisa é certo: diversão garantida, sem dúvida alguma.
Que espetáculo, hein? Bruno e Marrone em São Leopoldo. Cada peça que o destino me prega…
Acabei indo dormir dormir à 1h30min. Liguei o abajur quinze minutos depois com uma louca e insana vontade de escrever. Escrevi, escrevi e escrevi até meu punho começar a doer. Escrevi sobre um anjo que entrou na minha vida e encantou meu coração. Passaram-se 45 minutos de escrita, três páginas de caderno.
Não, não vou publicar. Eu seria rotulado de acéfalo apaixonado desmedido. Só ela vai ler. Só ela, só ela, eu e ela, ninguém mais.
Eu gosto de esconder coisas.
Não, não sou cleptomaníaco.
Mas eu gosto de esconder coisas.
Tá, quem sabe um dia eu mudo de idéia e publico. Mas hoje não. Por enquanto eu quero continuar feliz com a idéia que eu escrevi uma história só pra nós.
E vou continuar escondendo coisas.
Piter maluco.
Ouvindo: Pijama Show – Rádio Atlântida (FM 94.1 MHz)
Insônia. Não é a primeira vez que escrevo sobre este bicho de sete cabeças e oito braços que toma conta das minhas noites.
O problema de feriadões e afins é desregular o horário de sono. Sair à noite numa sexta ou sábado e chegar às 6 da matina não é problema, pois a ressaca é suficiente para deixá-lo cansado e voltar a dormir no horário de sempre. Ruim mesmo é virar a madrugada sentado em frente a uma tela navegando na Internet.
Mesmo tendo aproveitado o calorão para nadar um pouquinho durante a tarde, não há remédio que resolva ter dormido até o meio dia. Pior que foi por pouco. Acordei, olhei para o relógio: 9h30min. Olhei mais uma vez: 10h15min. Pronto, vou só fechar os olhos e levantar, pensei. Olho pro relógio mais uma vez: 12h15min. Maravilha!
A tarde se foi com besteiras. Mas felizmente algumas coisas que estavam atrasadas para o colégio foram feitas. Falando em colégio, lembro-me que daqui a menos de seis horas estarei sendo acordado por um alarme aqueroso e barulhento e, após, ouvirei as manchetes do jornal local no rádio. Ao olhar no espelho perceberei meus olhos inchados e vermelhos, o cabelo bagunçado e a completa falta de disposição para enfrentar cinco horas e meia de aula.
Tomar remédios para dormir é uma fraqueza das mais baixas. Conheço gente mais nova que eu que utiliza deste artifício para sanar o problema — aliás, o dito cujo já usava as tais pílulas deste seus 10 anos de idade. Não, sou mais da receita da minha avó: “toma um copo de leite antes de ir pra cama, meu neto”.
Chove! Não é a primeira vez.
Vou tomar um Nescau.
A busca por um corpo perfeito deixou de ser, no século XXI, pura vaidade para tornar-se cada vez mais uma necessidade. Beleza hoje não significa apenas vaidade ou uma intensa vontade de estar bem consigo mesmo, como também uma exigência do mercado de trabalho. Quado em demasia, por essa necessidade deixa-se de lado a saúde em detrimento de curvas perfeitas, o que implica sérios agravantes.
Os padrões de beleza são transitórios e extremamente altos, o que dificulta a tarefa de quem tenta acompanhá-los. A tendência é que o indivíduo, sem conseguir alcançar o ideal de beleza, fique frustrado por não atingir seu objetivo. A cobrança por uma boa aparência, entretanto, nem sempre parte de si; na maioria das vezes são os próprios amigos ou superiores no trabalho que demandam um cuidado especial neste quesito, tornando-se mais uma preocupação na vida da pessoa. A pressão pode ser tão grande que leve o indivíduo a tomar medidas drásticas e perca a sua própria personalidade, a fim de corresponder com a imagem esperada pelos outros.
Certa vez assisti ao seriado americano *Queer Eye for The Straight Guy*, no qual cinco homens assumidamente homossexuais são convocados para mudar a aparência de um homem selecionado pelo programa. Durante o episódio, é feita uma mudança no visual, no vestuário e até mesmo na decoração da casa do escolhido. Embora as sugestões sejam impostas pelos apresentadores, estes não encontram dificuldade alguma em aplicá-las, pois os participantes aceitam qualquer desafio para que fiquem visualmente mais belos.
Analisando o episódio é possível observar como é fácil impor mudanças na vida de alguém quando esta se encontra perdida, mas querendo reverter a situação. O convidado teve seu guarda-roupas inteiramente renovado, além de ter ganho um novo corte de cabelos, ou seja, uma grande mudança em sua vida.
É normal que o indivíduo preocupe-se com sua saúde. Afinal, é natural que se queira ter longevidade e aproveitar a vida confortavelmente bem. Bombardeado pela mídia, entretanto, aquele que não possui uma personalidade forte acaba por não confiar em seu próprio potencial e torna-se infeliz por não estar nos padrões da moda. É necessário compreender, entretanto, que as modelos só possuem o corpo que têm graças a um intenso trabalho, horas de sessões de musculação e tratamentos caríssimos com cosméticos e cirurgias plásticas o que, não necessariamente lhe confere uma vida que se possa classificar como feliz. Eis que fica a pergunta: é válido sacrificar uma vida feliz por um corpo bonito? Não. A beleza é capaz de abrir muitas portas, mas não é garantia de felicidade.
Ouvindo: Beethoven – Concerto Nº5 — Allegro. (20:15)