Pé frio

Sábado foi dia de futebol. Meu pai e eu, na companhia de dois amigos, fomos assistir ao clássico GreNal no estádio Olímpico Monumental, a casa do meu time de coração. Fomos até à capital, almoçamos no shopping center e fomos ao estádio de taxi. O primeiro sinal de tragédia já estava nos céus: chuva forte.

Ao chegar no estádio, dirigimo-nos às bilheterias de sempre. O lugar, porém, estava envolvido por uma atmosfera diferente. Comecei a achar estranho que só havia pessoas vestindo camisetas do Internacional; aquele mar vermelho tomando conta da casa do Grêmio. Estando já cercado por torcedores do oponente, vestindo a camiseta do Grêmio, é que tive a brilhante visão:

Bilheteria — Visitante

Puxa vida, já era tarde. Felizmente conseguimos os quatro últimos ingressos para a cadeira central com um cambista simpático que não cobrou muito por seus ingressos. Meu pai, observando a placa “Cadeira Central” correu para o portão, foi revistado pelos brigadianos e seguiu seu caminho, subindo a rampa de acesso. Ao revistar meu amigo, o qual também estava vestindo a camiseta do tricolor foi interpelado pelo policial:

— Tens certeza que vai vestido assim aí? Aqui é a torcida do Inter…

No exato momento soltei o meu mais alto **PAI!** até que ele ouviu e perguntou o que havia acontecido. Perguntamos ao segurança qual era o portão correto e fomos até ele. Revistados e empolgados fomos às cadeiras: dois gremistas e dois colorados, lado a lado, preparados para a batalha.

Ao entrar em um estádio de futebol, sentimentos diversos tomam conta do vivente. O clima contagiante invoca-lhe a bradar gritos contra a torcida do oponente, surge um orgulho pelo hino do time, uma vontade de tremular a bandeira como se alguém fosse reparar em seu ato de adoração à camisa. Não, todos estão mais preocupados com o preço da cerveja do que com qualquer outra coisa.

Antes mesmo do jogo começar a brigada se viu na obrigação de intervir na torcida rival, valendo-se de força bruta para acalmá-los. Um fiasco. Os rebeldes foram expulsos sob forte aplauso gremista. Horrível, no entanto, foi o vexame da torcida geral. Nos primeiros minutos de jogo, criou-se um tumulto sem noção, fazendo com que um pelotão de Homens de Preto — os seguranças — invadissem e normalizassem a situação.

Confirmando o sábio dito popular que violência só gera violência, a tentativa de pôr ordem no galinheiro foi um fracasso. A torcida cercou os seguranças e um deles foi espancado pelos torcedores. Era uma troca de socos e pontapés que perdurou por longos 5 minutos, tirando minha total concentração do jogo, até que os brigadianos entraram em ação usando seus cacetetes em quem bem entendesse. Muita gente saiu ferida, e um número maior ainda foi preso. Baderneiro tem que ir é pro xadrez mesmo; tem que ver o sol nascer quadrado, fazendo com que reflita um pouco mais sobre a vida — se é que algum dia um ser desses já parou para pensar.

Estando em posse de todo o meu vasto conhecimento futebolístico, posso dizer meu time esteve melhor em campo na primeira etapa regulamentar do jogo. Atacou, contra-atacou, defendeu bem, não errou passes, enfim, fez uma bela partida até a expulsão de Claudiomiro. A partir daí foi um fracasso total.

Os jogadores entraram no segundo tempo desanimados, cabisbaixos e sem reação. Força de vontade é algo difícil de se encontrar no fundo da tabela de classificação. Sendo assim, o time adversário abriu o placar marcando um gol ridículo, um bate e volta na área que a torcida toda calou-se tentando entender o que ocorria. Sim, estava aberta a temporada de caça. O Internacional marcava seu primeiro gol.

A esse ponto, a torcida adversária silenciava o estádio, tomando conta do público. Eis que vem o segundo gol, o qual incitou a saída dos torcedores, indignados, do estádio. E foi só esperar mais um pouco para que viesse o terceiro gol, levando consigo o pouco dos torcedores que ainda permaneciam no estádio. O único gol do Grêmio passou despercebido por seus torcedores, como se fizesse alguma diferença.

Acabado o jogo, mais confusão na geral. Pedras, e pedaços de pau começaram a ser arremessados no campo. Não demorou muito para que placares publicitários fossem arrancados e arremessados também. Logo mais, tampas de vasos sanitários e não demorou para que até panelas voassem no campo. Sem falar em dois carrinhos de pipoqueiros que foram destruídos e, um deles, atirado no fosso de proteção. Um caos completo. Estupefato, assisti à cena dependurado na arquibancada, sob chuva e uma cara de tristeza. Perdemos em casa e ainda por cima um bando de animais destrói o patrimônio do próprio time.

Não bastasse a derrota, torcedor de time derrota ainda tem que agüentar desaforos até que a poeira baixe. É uma terrível sina, um pesado fardo a ser carregado. Acontece…

Como bem difamou a torcida colorada, ano que vem haverá um “GreNau”. Grêmio x Náutico.

Comentários »

  1. Tenho algumas poucas considerações a fazer:

    1. Se tivéssemos entrado no lugar que eu disse pra entrar não teriamos passado o sufoco no meio dos colorados (vulgo “Macacos”), e certamente minha canela teria passado ilesa dum chute q levei dum infeliz ai

    2. Infelizmente a única coisa que consegue me tirar do sério é futebol… e ainda com a ajuda do nosso amigo Claudiomiro, isso acontece com maior facilidade… volto a repetir o grito que dei naquela chuvosa tarde de sábado no momento da expulsão: “VAI E NÃO VOLTA ***”.

    3. Esse item vai para explicar mais um grito que dei no Olímpico Monumental: “Fora Obino!”. O Grêmio é um clube de muita história… Talvez o mais vitorioso do Brasil. Até o ano de 2002 era acostumado a terminar o nacional sempre entre os 5 primeiros… Até o nosso querido amigo Obino ter a excelente idéia de assumir o Grêmio… 2003 e 2004… Que brilhante esses dois anos, ein?

    4. Acho difícil de ter Grêmio x Naútico ano que vem, ainda acredito que o gremio consiga escapar

    Comentário de Christian — 25.10.2004 às 19:31

  2. POERAAA..POERAAA..LEVANTO POERRAA..bah desculpa n me contive..o grenal foi perfeito..heheh..n basta o chocolate q o inter aplico no 2 tempo ainda pude ver o sofrimento gremista de camarote estando no meio deles..bahh maravilha isto..mas falando serio o quebra pau foi um fiasco geral..é por estas e outras q até no grenal metade do estadio tv vazio..isto precisa mudar urgentemente..o futebol pode até ser a paixao nacional mas nem por isto da motivo pra sair quebrando td q se ve pela frente só pq o time de coração perdeu..foi uma cena lamentavel q agente teve q ver..

    Ahh ano q vem no GRENAU eu vo certo..heheh..falo rapaz

    Comentário de stefan — 25.10.2004 às 21:19

  3. Poxa, sou corintiano mas não sou mano. Sou alfabetizado e bastante decente, até. Enfim, estádio é coisa de doido.

    Só fui ver dois jogos, no interior: Ponte Preta x Velo Clube e Velo Clube x Jamaica (seleção reserva da Jamaica). Futebol arte.

    Comentário de David — 25.10.2004 às 23:07

  4. Puxa vida, eu, em todos meus dias, só fui no jogo do grêmio contra op aimoré, aqui na cidadezinha. Eu que sempre achava um saco a preocupação do meu pai, agora concordo plenamente que ir no estádio não vale a pena. Ainda por cima, não enchergo nada bem de longe. mas tudo bem. “Se o cara curte” by Alemão, meu primo

    Comentário de kiko — 26.10.2004 às 16:49

  5. Bem, como não me importo muito com futebol, não consigo entender esse sentimento que toma conta esses torcedores fanáticos.
    Sobre o seu texto, muito legal. Talvez eu me divertisse com aquela confusão por parte dos torcedores. [hehehe]
    Eu, mesmo assim, sou gremista e torço para que meu time permaneça na série A, o que acho, por ser demasiado realista, muito difícil.
    Por hora, deixo um abraço pra você.

    Comentário de Gustavo — 26.10.2004 às 18:09

  6. a torcida alma castelhana espancou os policiais! essa violencia ja nao pode mais acontecer! é horrivel, acham qu podem se fazer de argentinos e praticar a violencia com quem bem intederem.. nao sao castelhanos .. sao Gaymistas!

    Comentário de Eduardo — 16.10.2005 às 21:45

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