Falsa segurança
Um dos assuntos que mais preocupa os brasileiros é a violência. A cada novo governo, novas soluções são apresentadas, muito embora poucas delas sejam de fato cumpridas. O povo espera resultados e, sem tê-los, tenta resolver de outra forma, dentre as quais inclui-se o porte de armas. Recentemente foi aprovado em âmbito federal o Estatuto do Desarmamento, o qual visa incentivar a população a entregar suas armas de uma forma segura, a fim de livrar-se dos problemas a elas relacionados.
Ao pagar seus impostos, o cidadão espera que certa quantia seja destinada a sua própria segurança, para a contratação, treinamento e manuntenção das polícias civil e militar. O serviço, entretanto, é falho, por motivos que vão da corrupção à falta de um planejamento competente de segurança. O indivíduo, então, se vê obrigado a assumir a própria demanda e pagar por serviços complementares aos fornecidos pelo Estado podendo, inclusive, tentar resolver o assunto com as próprias mãos, adquirindo uma arma.
Portar armas de fogo implica assumir riscos constantes e requer um comportamento consciente. Para que seu uso seja eficiente, é necessário saber usá-la correta e antecipadamente a uma situação de assalto o que, na maioria das vezes, não ocorre, estando o bandido em vantagem por possuir o elemento surpresa. Além disso, a mesma arma que deveria ser utilizada para proteger a propriedade, pode ser roubada e usada em outros crimes. A tragédia pode ser ainda maior caso a arma não esteja armazenada em um local seguro, sendo encontrada por uma criança. As conseqüências podem ser irreversíveis. As armas, quando não utilizadas corretamente, só criam mais problemas, ao invés de resolvê-los.
Estudos e estatísticas atestam que o porte de armas não é beneficiente e que sua restrição reduz os índices de homicídios. Estando presente em discussões familiares ou brigas em festas noturnas, uma arma representa um risco iminente, podendo levar à morte de um ou vários dos envolvidos. Responsibilizar-se pelo recolhimento eficaz e tomar medidas para que o porte ilegal seja punido com severidade é um papel essencial do governo, o qual demonstra seu comprometimento com o assunto tomando a iniciativa com a criação do Estatuto.
A segurança é um direito de cada cidadão e cabe ao Estado fornecê-la. Na falta dela, entretanto, não adianta tentar resolver o problema sozinho, pois não se trata de uma falha localizada no sistema e sim um complexo encadeamento de fatores, dentre os quais estão educação, desemprego e o tráfico de drogas; cobrar por soluções e fiscalizar as ações do Estado, porém, não só é um direito como uma obrigação de um indivíduo preocupado com a qualidade de vida de seu município. E esse é o papel de cada um de nós. Não adianta querer acabar com a violência gerando mais violência.
Ouvindo: U2 – Bullet the Blue Sky (4:32)

Eu tava mesmo escrevendo uma redação sobre isso agorinha mesmo… e meu deus do céu… como tu escreve melhor que eu!!! hehehehe Beijos!
Comentário de Tina — 17.10.2004 às 18:21
Realmente, é dissertação de vestibular =)
Não que eu seja conivente com a situação, mas nosso Estado é fraco demais pra controlar isso. Segurança particular, acordo com os bandidos da região pra receber proteção… O brasileiro vai dando um jeito de suprir a necessidade de segurança, quando o Estado é ausente.
Comentário de David — 17.10.2004 às 21:34