Go Home

Aproveitando a seção “esquecimentos”, é um ótimo momento para fazer uma sugestão musical, o que não ocorre há tempos por aqui. E o escolhido do dia, com muita honra, é o DVD Go Gome, do U2.

Bono, Adam, Larry, e Edge gravaram seu quarto álbum no famoso Slane Castle, em Dublin, na Irlanda. Tragicamente, um incêndio destruiu quase que totalmente o castelo dias após a gravação, o que implicou um longo período de reconstrução. Em 2001 completaram-se 20 anos do primeiro show feito no castelo, pelo qual já passaram REM, Oasis, Queen, Bob Dylan, Bruce Springsteen, os Rolling Stones e, é claro, U2.

Àqueles que se decepcionaram com o DVD Rattle and Hum, está na hora de rever seus conceitos, pois este novo DVD é um espetáculo inesquecível que nada tem a ver com os demais. Os mais consagrados sucessos da banda em seu primeiro show na terra natal após anos vagando por tours pelo mundo e o carisma dos músicos são responsáveis por um show incrível e alegre.

040907-go_home.jpg
Capa do disco.

Os destaques, na minha humilde opinião, vão para as músicas “Sunday Bloody Sunday”, “Desire”, “All I Want is You”, “Where the Streets Have no Name”, “Bullet the Blue Sky” e “With or Without you”. Perdoem-me se citei quase que todo o DVD — e ainda assim foi difícil ter de cortar algumas prediletas –, mas não existe uma música sequer nesse disco que não vale a pena ser assistida e que não comova o espectador. Basta assistir a “Where the Streets Have no Name” e se imaginar na platéria que talvez você perceba o que eu tento lhe transmitir.

Um fato curioso é que o pai de Bono havia falecido dias antes do primeiro show, o que o carrega de mais emoção ainda. Uma crítica social forte à guerra é feita em Bullet the Blue Sky, dias antes do episódio de 11/09/01. Só vale constar aos fãs da banda que, caso já tenham o disco Elevation Tour, o show é praticamente o mesmo e, portanto, não vale a pena investir. Na minha opinião, entretanto, o Go Home é um show mais emocionante, enquanto o segundo é mais técnico.

  • U2 — Go Home, Live at Slane Castle (2003)
  • Gravação: 1º de setembro de 2001
  • Duração: 2h19mins
  • Região: 0
  • Som: DTS, Dolby Digital 5.1 Surround e PCM Stereo.
  • Formato de tela: 16:9 (widescreen)
  • Trilhas:
    1. Elevation
    2. Beatiful Day
    3. Until the End of the World
    4. New Year’s Day
    5. Out Of Control
    6. Sunday Bloody Sunday
    7. Wake up Dead Man
    8. Stuck in a Moment You Can’t Get Out of
    9. Kite
    10. Angel of Harlem
    11. Desire
    12. Staring at the Sun
    13. All I Want is You
    14. Where the Streets Have no Name
    15. Pride (In the Name of Love)
    16. Bullet the Blue Sky
    17. With or Without You
    18. One
    19. Walk On

PS: Esse disco é uma ótima sugestão de presente ;)

Ouvindo: Jack Johnson – Taylor (3:59)

Em tempo

Perdoem-me alguns amigos, mas terei de roubar uma expressão familiar para demonstrar meus sentimentos…

Que vergonha do Valdir!

Estando eu, sentado nessa mesma cadeira azul, em frente à minha tela montada sobre uma pilha de livros, ao lado da bíblia e de um dicionário de alemão, com febre e dor de cabeça, recordo-me que uma data passou em branco e eu nem reparei. Ah, sim, viva o 7 de setembro, mas não é disso que estou falando…

Numa deprimente e triste tarde do dia 18 de agosto, estava eu sentando nesse mesmo local, com idéias aflorando na testa com uma enorme ânsia em partilhá-las com esse mundo maravilhoso.

Eis que a idéia de cirar um blog surgiu e que ele passou pelos servidores do Terra onde, de tão lerdo, foi transferido para os servidores da Blogger no mesmo dia e, a 14 de setembro, veio parar onde está hoje, hospedado, meio que clandestinamente, no servidor do meu pai. De lá pra cá já tivemos alguns poucos períodos de reformas e problemas, e também de desleixo e abandono, mas estamos aqui, em pé, firmes e fortes.

Esse lugarzinho aqui, por incrível que pareça, ajudou a moldar meu pensamento, estruturar algumas idéias e contribuiu para eu me tornar o que sou hoje. Se acabei virando um ser pior ou não é outra história; o que importa é que minha vida nunca mais foi a mesma desde aquele 18 de agosto…

Ouvindo: U2 – Walk On live (6:42)

Alucinado

Algo de estranho perpassa por minha cabeça. Da tarde de sábado até o presente momento, o anoitecer de um quente domingo, uma forte dor de cabeça ocupa meus pensamentos. A latejante cabeça funciona mais lenta, cansada.

Justificativas para tal estariam em demasiado esforço físico, ou estresse em virtude de trabalho ou preocupações familiares. Esses artifícios, porém, inexistem em minha tranqüila vida. Nunca os ares estiveram tão amenos, ou o coração batendo tão forte ou os olhos tão cheios de alegria. Nunca.

A ciência informa que a dor de cabeça é um rico mecanismo do corpo humano para alertar seu dono de que algo está errado e que as devidas medidas devem ser tomadas. Livrar-se do alarme, portanto, é prejudicial e perigoso. Procurem outro para ficar sofrendo. Eu é que não vou ficar com dor à toa!

Depois reclamam que eu questiono algumas besteiras, mas por que diabos minha cabeça há de doer logo quando me encontro emocional, física e psicológicamente são? É… “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que pode sonhar a mente humana.” Quem um dia entender como funciona a mente humana, merece um Nobel, um Oscar e ganhar na loteria.

Ouvindo: Clint Mansell – Summer Overture [Requiem for a Dream OST] (2:35) — trilha sonora mais adequada para o momento.

A serviço da Pátria

Eis que hoje chega a minha vez de apresentar-me no 19ª BIMtz para cumprir meu dever de civil junto ao exército. Acordar às seis da manhã, fazer tudo correndo para às sete estar a postos.

Entrar num quartel pela primeira vez é uma sensação um tanto diferente. Sons de guerra parecem vir de todos os lados, gente gritando, dando ordens, caminhões trafegando, tiros. Certamente um clima muito excitante.

Ao chegar ao local da seleção, um ginásio, observo que há duas colunas. Um cabo ordenava de cinco em cinco minutos para que todos retirassem seus bonés e gorros. O pessoal era dividido em dois grupos: aqueles que não completaram a sétima série, e aqueles que obtiveram êxito nesta etapa. Para surpresa minha, cerca de 40% dos alistados pertenciam ao primeiro grupo.

Após esperar uns trinta minutos, vendo os “milicos” arrumarem as cadeiras e deixarem tudo em ordem, começa a chamada. Conferem o nome, identidade, etc. e me mandam para uma fila para… esperar mais uma meia hora.

Feito isso, ordenaram que eu seguisse uma fila indiana até o exame médico. Só faltou que marchássemos. Ah, sim, o famoso exame médico.

“– Bom dia senhores. Estamos aqui para fazer a inspeção de saúde. Isso significa todo mundo de cueca. Vamos, tirem suas roupas.”

Um rapaz, talvez pelo nervosismo, acabou tirando toda a roupa. O militar, ao ver começou a gritar para que ele colocasse de volta sua cueca. Outro ser não identificado, e, novamente, talvez por nervosismo, demonstrou que sofria de “distúrbio de incontinência fecal”.

“– Senhores, é proibido peidar aqui!”

Muito bem. Feito um exame que nada mais é que o médico te olhar de frente e de costas, fui enviado a uma outra sala para verificar força, pesos e medidas. Mais um pouco de espera e assim estava concluído o exame médico.

Os demais testes executados durante a seleção são um tanto estranhos e exaustivos. Não convém, entretanto, relatá-los aqui, neste recinto público, pois imaginem, senhores, caso eu fosse indiciado por ter revelado ao mundo como o Sistema funciona? Seria o caos…

Ocorre que, para desespero meu, fui aprovado na primeira fase da seleção do serviço militar. Não, acreditem, não fui dispensado. Em janeiro próximo, em pleno verão, enquanto todos estarão vestindo seus trajes havaianos, à beira mar, curtindo o sabor de um queijo gratinado com uma batida servida em um copo feito de abacaxi, eu estarei aqui, neste mundinho fechado, prestando, mais uma vez, meus serviços à pátria. Logo eu que não tenho a mínima intenção de servir…

É esperar pra ver. De nada adianta esquentar a cabeça à toa antes que alguma medida cabível possa ser tomada. Somente na segunda fase da seleção ficarei sabendo o quão perto estou de vestir uma bermudinha verde e uma regata branca para correr uns poucos 25km pela cidade gritando “1, 2, 3, 4! 4, 3, 2, 1! Ô o, ô o…”

Ouvindo: Dave Matthews Band – Bartender (8:31)

Bowling

O boliche é a paixão de Fred, o personagem principal do desenho “Os Flinstones”. O hobby é levado a sério de tal maneira que ele tem até mesmo uma sapatilha especial e leva sua própria bola ao recinto para jogar. A técnica de mirar nos 10 pinos e derrubar o máximo que conseguir, então, é uma arte que vem sendo desenvolvida há décadas.

Há anos que eu não praticava esse esporte. Anos se passaram onde nos reuníamos, meu pai, meu primo e eu para ir ao boliche onde um ria da cara do outro. Velhos bons tempos aqueles.

Minha irmã, foi campeã em diversos campeonatos de boliche pelo estado. Em seu quarto estão espostos os pinos dourados, diversos troféus que conquistara ao longo de sua “carreira”. O prêmio mais interessante, no entanto, é um pino estourado que ela ganhou de presente após um amigo ter jogado a bola com tanta força que arrancou-o do lugar.

Pois ontem à noite encontrei-me com alguns amigos para relembrar os tempos de glória. Chegamos ao lugar e fui confundido como maior sem mesmo ter de apresentar a carteira de identidade. Ha, não é necessário ressaltar que me senti o tal, que meu ego fico maior do que minha própria estatura — a qual não é nem um pouco pequena.

O modo como o jogo foi conduzido é inexplicável em palavras. Nem mesmo uma reprodução visual talvez fosse capaz de demonstrar a diversão da noite. A imprevisibilidade das jogadas, bem como a inversão de resultados foi capaz de comprovar a velha lei que o importante mesmo é competir e não vencer. Levamos este ensinamento conosco naquela noite. O importante é se divertir…

Foi bom ter reencontrado aquela russa. A sensação de senti-la percorrendo por entre veias e artérias é reconfortante. É uma pena que ela sempre te deixa na mão na hora que vem a fatura…

Ouvindo: Dave Matthews Band – Where are you going (3:52)

« Posts recentes