Muito mais que línguas diferentes
Desde o início do século XX vem ocorrendo uma acelerada eliminação de barreiras geográficas. O mundo conheceu os luxuosos transatlânticos, os aviões, os trens-bala, e um crescente número de transportes rodoviários que permitiram ao homem deslocar-se mais rapidamente e chegar a praticamente qualquer lugar do mundo num curto espaço de tempo. Sair de sua terra natal e conhecer outros lugares é uma experiência cada vez mais acessível, a qual é capaz de proporcionar uma revisão de valores e fornecer ao ser humano uma extensa experiência de vida.
Aos 10 anos tive a oportunidade de participar de um programa de intercâmbio à Europa, no qual, pela primeira vez, viajei desacompanhado de meus pais para um lugar distante. Apesar do principal objetivo da viagem ter sido ampliar meus conhecimentos nas línguas alemã e inglesa, obtive resultados muito aquém dos esperados. Além de ter conhecido os mais diversos e famosos pontos turísticos, encontrei, também, novas pessoas e enfrentei desafios nunca antes necessários.
Ao sair de sua terra natal e confrontar-se com outros povos, é necessário ter em mente que, assim como existem diferenças físicas, há também a chamada “diversidade cultural”. Um gesto considerado educado num país, pode não ser encarado como tal em outro e essa é uma das primeiras regras a serem seguidas numa viagem: aprender a lidar com as adversidades. Em não estando preparado, no entando, esse confronto pode causar espanto. Na experiência que vivi, a
frieza do povo europeu foi algo que me marcou profundamente, já que estava acostumado com a bondosa hospitalidade brasileira. Somente após alguns dias é que pude compreender que esse comportamento não era intencional, mas sim fruto de um modo diferente de encarar a relação entre amigos e trabalho ao qual eu não estava acostumado.
Outro aspecto positivo em uma viagem é o crescimento pessoal, por ter de lidar com situações inesperadas e, na maioria das vezes, sem ter a quem recorrer — pais, irmãos, colegas. A dificuldade implica um desenvolvimento de auto-confiança e iniciativa, aspectos fundamentais a um indivíduo do século XXI. Não é para menos que uma viagem ao exterior tem um peso significativo em um currículo. Aprende-se também a dar mais valor à terra natal, reconhecendo suas qualidades, quando, na maioria das vezes, na falta delas.
É possível conhecer povos e cidades através de livros, fotos e revistas. Nada substitui, entretanto, a experiência única de poder estar nos locais em questão. Uma viagem não só é excelente para a aprendizagem de uma língua estrangeira, mas como também para o crescimento do indivíduo como um todo. Deparando-se com o que não estamos acostumados a ver, acaba-se por moldar a capacidade do indivíduo de lidar com adversidades e a necessidade de procurar entender as atitudes alheias. Eis que o mundo precisa de mais viajantes, pois, compreensão e tolerância são, mais do que nunca, necessários para que se resolvam muitos dos conflitos que vivemos.
Ouvindo: Beethoven – Sonata No. 9 Op. 47 “Kreutzer”, II – Andante con Variazioni (15:36)

Grande Piter!
Eu continuo lendo teu blog! Aprovo as inovações feitas! Sou cliente satisfeita!
Beijo!
Comentário de Tina — 18.09.2004 às 19:21
Que vergonha! Nenhuma atualização!
Comentário de Tina — 19.09.2004 às 11:07