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Existe uma movimentação estranha aqui no blog. Ele cansou de estar compartilhando um quarto apertado com outras pessoas e quer uma casa nova, confortável, limpa e bem-iluminada. O aluguel, porém, também não pode ser muito caro, mesmo oferecendo a infra-estrutura necessária. Piscina é dispensável, sempre pode-se voltar à casa dos pais nos dias de calor. Iniciei uma busca, se alguém puder dar uma mão, sugerindo servidores de hospedagens e lugares baratos para registro de domínio, será uma mão-na-roda.

Eu sei que era para ser surpresa, mas estou começando a cansar de dizer “pode deixar que eu faço”. Agora a lei é “eu faço, mas fica aqui que tu vai trabalhar também”.

Ouvindo: U2 - Sunday Bloody Sunday [live] (7:09)

Desligue seu celular e pager

Pois para esta manhã de quarta-feira estava programada uma bela dormida. Dormir até não agüentar mais. O plano começou na noite anterior, quando, com sono mas em uma crise existencial, atrasei a hora de ir ao berço até o último minuto.

Às 6:20, na terceira tentativa do celular me acordar e com meu som já cuspindo as notícias matinais, eis que percebo que mesmo estando bom, ainda tenho obrigações com as drogas e preciso ingerir alguns remédios. Aproveito para ir ao banheiro e fico refletindo na janela, um tanto intrigado, sobre como um dia tão belo aparece após uma noite tão chuvosa. Desisto e volto ao leito.

Quinze para as oito toca o celular, mas por estar no *Vibracall* e sobre a mesa, penso que estão me perseguindo com uma metralhadora em meu sonho; sangue por todo lado. Mais cinco minutos e a metralhadora volta a jorrar suas balas de grosso calibre. Entro, então, num estágio de investigação do sonho: isso não pode ser uma metralhadora pois se eu já levei tantos tiros deveria estar morto. Logo, estou sonhando. Acorda!

— Oi, Pedro? É o Milton, tudo bem? Escuta, tu vem aqui hoje? Nós estamos precisando de ti. Não vai ter ninguém pra colocar o som no ginásio e gostaríamos de saber se tu topas vir aqui para fazer isso?!
— Ahm.. Err.. Claro, me dá 30 minutos que eu apareço aí.

Mudança de planos estratégica. Ao invés de aproveitar as competições esportivas escolares para dormir, fui convocado para trabalhar sem mesmo estar inscrito. Cada dia convenço-me mais que nasci para ser um quebra-galho. É, no meu *curriculum vitæ* estará escrito:

Experiência:

  • 2005-2007 — Quebra-galho na empresa ACME
  • 2007-2008 — Quebra-galho na empresa Tabajara
  • 2008- — Quebra-galho na empresa NONONO

Futuro brilhante, não? Quebra-galho com carteira assinada, fundo de garantia, 13º e INPS. Minha manhã resumiu-se em ficar assistindo jogos de basquete feminino infanto-juvenis e colocar uma música qualquer durante os intervalos. Anunciar recados também fazia parte do contrato. Eu, com minha voz de veludo — que mico. Pelo menos ganhei um lanche grátis. Só não ganhei vale refeição para o almoço pois uma lasanha caseira me esperava em casa. Caso contrário teria aproveitado a boca livre.

Da próxima vez que eu tiver meus planos mirabolantes eu seguirei as recomendações do cinema. Não, não farei isso. Como todo bom quebra-galho devo estar sempre ao dispor dos que precisam. E imaginem se eu recebo um chamado divino via celular?

Ouvindo: The Offspring - One fine day (2:45)

Caipirinha

Sendo um dos mais típicos drinks brasileiros, a caipirinha levou o nome do país ao mundo todo. Até mesmo em filmes Hollywoodianos encontra-se personagens em suas camisas floreadas à beira-mar pedindo uma “cai-pi-wrinha” para refrescar-se do calor tórrido.

O segredo da caipirinha é o famoso princípio KISS. Seus ingredientes são simples, fáceis de serem encontrados e seu sabor é a reunião de vários paladares com a refrescância do gelo. Mas há mais do que cachaça, gelo, açúcar e limão entre o céu e a terra que você pode imaginar.

A verdadeira caipirinha não é aquela preparada com moedor de limões, gelo triturado em liqüidificador e açúcar tipo exportação. Não, essa é a imagem que se tem de fora. Aqui, o espírito é outro, bem brasileirinho.

De início, não se pode iniciar a preparação sem antes ter uma música ambiente bem agradável que seja capaz de gerar reclamações dos vizinhos. O mais tradicional é encostar aquele carro que ninguém sabe a cor direito — se é branco, gelo, marfim, enfim –, abrir o porta-malas e largar um cd do Negritude Jr. Pronto, assim começa a festa.

A um certo momento, após alguns minutos de diversão batucando no capô do carro, fica evidente que está quente demais e que os três engradados de cerveja não serão suficientes para a tarde; será necessário algo mais forte. Surge então a necessidade de preparar algo mais elaborado. Neste momento, alguém se recorda que há uma cachaça de 5 anos, um tanto empoeirada, mas ainda carregando o gosto original, no armário da cozinha. Sim, aquele armário embaixo da pia. Bem no fundo, para as crianças não pegarem.

É feita então uma eleição para ver quem pegará os limões no limoeiro do vizinho sem ser mordido pelo cachorro. O baixinho que já havia tomado 5 Brahmas é escolhido, e ele concorda sem mesmo saber o que estavam decidindo. Quando vê estão chutando sua bunda e apontando pro limoeiro. Dois minutos depois volta ele deixando cair limões pelo chão e fugindo do pastor alemão raivoso.

Estando em falta de gelo, o alemão sentando na cadeira de praia amarela sobre o recém plantado jardim na grama sugere pegar o gelo do isopor no qual estão as cervejas. Apesar da caixa não ser muito limpa, já estar com algumas manchas pretas, todos concordam que o álcool acabará livrando a água de qualquer micróbio. Aliás, ninguém pensa nisso. Gelo é necessário, estando sujo ou não.

Finalmente todos os ingredientes estão reunidos e na pia da cozinha. Tudo certo até que surge uma dúvida cruel: e agora, Washington, onde servir? Tanto esforço pra nada… Momento de silêncio, os gambás se entreolham sem ver uma possível solução, até que o alemão levanta-se para ir ao banheiro pela décima vez, pergunta o que está acontecendo. “Ah, é simples”, diz ele, “pega aquele pote de Nescafé que tá lá na lavanderia. Acho que nunca foi usado. Qualquer coisa é só passar uma aguinha e tá novinho… Deixa eu ir lá que tá apertado aqui…” Grande alemão! Salvou a tarde!

Limões picados, cachaça, gelo, açúcar, tudo vai pro pote. Usam a mesma faca que cortou os limões (e alguns peixes na pescaria da semana passada) para misturar e está pronta a bebida. Como de praxe, uma última coisa é observada: não há copos; foram roubados na última festa feita na casa. Não tendo outro jeito, o pote de Nescafé passa de mão em mão como uma cuia de chimarrão. A certo ponto o alemão reclama do gosto de Omo presente na bebida, mas logo é reprimido por todos.

Afinal, não há do que reclamar. A música é boa, a bebida refresca e o dia é lindo… Tudo num clima de festa, gargalhadas altas e, a essa hora, com um cd antigo do Molejo tocando no fundo. Isso é Brasil!

Dia de

Hoje é dia de festa, dia de comemorar! Dia de comemorar que ontém consegui comer uma pizza. Dia de comemorar pois hoje tem torta de bolacha na geladeira! Dia de comemorar pois vou comer uma picanha bem passada… e tomar Coca-Cola!

Dia também de comemorar que me sinto melhor, e que já não existem mais placas na garganta! Dia para comemorar o bom estado de espírito no qual me encontro, e o excelente humor com o qual levantei! Dia de comemorar que pela primeira vez em muitos dias levantei e vesti roupa, ao invés de passar o dia de pijama! Dia de comemorar que meu quarto foi arrumado hoje! Dia de comemorar que faz sol e não faz frio!

Mas mais importante que tudo… Não só hoje, mas sempre é dia de comemorar por ter tão bons amigos como tenho. Digo — e não canso de dizer — que sou muito afortunado por ter ao meu redor pessoas tão divertidas e maravilhosas, que vêm ultimamente me dando apoio, “é isso aí, vamos em frente!, fica bom logo!” e que graças a isso só tenho motivos para fazer de tudo que essa peste se vá de uma vez. Acha que é pouco? Ha! Pois não é todo dia que se faz 18 anos e, à meia noite, se é supreendido com uma serenata de amigos te dando feliz aniversário. Nem é todo dia que o telefone não pára de tocar com ligações pra ti, ou que o celular não pare de receber novas mensagens.

E hoje pessoas amadas vêm aqui! E isso é uma glória, quase um sonho! E estou feliz :D

Viva! Finalmente posso ser preso ;)

Ouvindo: Jet - Are You Gonna My Girl? (3:50)

Concluindo o relatório

Enfim eis o nome da peste que me acomente: *Mononucleose infecciosa*, causada pelo herpesvírus *Epstein-Barr*. Por ser transmitida através da saliva é também conhecida como “a doença do beijo”, embora até mesmo uma roda de Chimarrão seja capaz de disseminar o vírus. O paciente, entretanto, não precisa ser isolado, tendo em vista que é necessário um contato muito próximo para que ocorra transmissão do vírus.

Um dos problemas da doença é sua difícil identificação visual, confirmada apenas com exames de sangue específicos, tais como a contagem de linfócitos atípicos e monotestes. Outro fator complicante é o sobrecarregamento do sistema imunitário, motivo pelo qual acompanha-se o tratamento com antibióticos — exceto derivados da penicilina — a fim de evitar a contaminação com outras doenças. Os linfonodos, portanto, acabam inchando e deve-se tomar cuidado especial com o baço e o fígado, os quais podem inchar e tornam-se mais sensíveis.

Complicações da doença são muitas, de um simples febrão até alguns tipos câncer, passando por diabetes e paralisia facial, embora sejam remotos os casos. O baço, por aumentar de tamanho, requer cuidados especiais, como evitar a prática de exercícios físicos, pois seu rompimento implica uma cirurgia de alto risco e que muitas vezes leva o paciente ao óbito. O tempo de incubação varia entre 3 a 7 semanas, nas quais o paciente deve permanecer em repouso absoluto.

Espero que explicado esteja o que se passa comigo no momento. Para alegria da nação, informo que nos últimos dias minha vida tem melhorado e muito. Já não é tão difícil engolir líquidos — até porque depois de alguns dias de sofrimento acaba-se descobrindo alguns “macetes” para contornar a dor — e estou me alimentando e dormindo mais. Hoje aconteceu até mesmo de eu passar da hora de tomar os remédios pois não ouvi o rádio e o celular tocarem durante a manhã. Talvez a primeira noite bem dormida em muitos dias.

É isso aí moçada. Apesar de esse contratempo ter arruinado alguns planos — muitos planos — estamos aí quase que voltando à ativa. Hoje, por exemplo, é uma bela tarde de sol, temperatura agradável, brisa leve, perfeito, mas… fica pra próxima. É apenas um atraso, nada mais que isso. E sei que, agora, estou em boas mãos, sinal que tudo está se encaminhando para um final feliz — espero.

Seguindo em frente!

Ouvindo: Fatboy Slim - Praise You (5:23)

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