Sempre igual

Época de eleição é sempre igual. Aqueles buracos nas ruas, que nos perseguiram por longos três anos, os quais nos faziam saltar do banco do carro e dar de cabeça no teto, simplesmente desaparecem dando lugar a um novo tapete de asfalto preto, liso, novinho em folhas.

Época de eleição é sempre igual. Durante a semana são descarregadas pessoas de caminhões da prefeitura para fazer a limpeza urbana. Coisa básica: capinar o solo das pracinhas das crianças, retirar o inço da sarejta, varrer as ruas, emprego temporário, que dura até novembro. E, pra variar, é como a velha piada da lâmpada: apenas meia dúzia de gatos pingados fazem o trabalho, enquanto a outra dúzia descansa escorada à sombra de um arbusto. Pelo menos estão ganhando o seu tostão…

Época de eleição é sempre igual. Não se vê uma lâmpada queimada em qualquer poste da rua. Caso exista, pode ligar que um caminhão trocá-la-á no próximo dia útil, sem falta. Há também o desfile das novas viaturas do efetivo policial. Carros novinhos em folha, brilhando, sem um arranhão sequer. Desfilam pelas principais avenidas da cidade com o pisca alerta ligado, somente para gastar combustível a toa chamar atenção da população.

Época de eleição é sempre igual. A poluição visual atinge níveis preocupantemente absurdos, capazes de perturbar até mesmo o indivíduo mais zen da face da terra, mesmo aqueles que têm o dom de contar até 10, respirar fundo e livrar-se de qualquer mal. Sim, até mesmo esses pacatos cidadãos são distraídos com a oferta dos famosos “santinhos”, distribuídos a cada 3m no centro da cidade. Surtam quando tentam dormir e são acordados com uma passeata de fanáticos que juram que seus candidatos são honestos e cumprirão suas promessas — e não, nunca seriam capazes de desviar um centavo sequer da verbada União. E que tal ir dormir e deparar-se na manhã seguinte com seu poste de luz, aquele mesmo com as lâmpadas funcionando, cheio de propaganda política. Ou uma carreata em pleno domingo? Ou que tal um “showmício?” Nossa, essa é imperdível. Dá até vontade de vestir a regata do partido, pegar o bandeirão, juntar alguns panfletos e sair atirando-os pelas ruas.

Época de eleição é sempre igual, para alegria da população. Rádio e TV são contaminados com o famoso Horário Eleitoral Gratuito, lei número não sei o que não sei o que lá de não sei quando. A programação vai à loucura. Sou obrigado a perder preciosos cinco minutos de sono em virtude dessa patética manifestação de promessas que nunca sairão do papel. Só falta agora estipularem essa frescura para a Internet. Já imaginou? Das 18h30min às 20h30min todo e qualquer tráfego originário de um computador em território nacional será desviado para o site de algum partido político, escolhido aleatoriamente. Bonito isso, não? Chega a ser suave a meus ouvidos…

Como eu mesmo ia dizendo, época de eleição…

Ouvindo: Coldplay – Daylight (5:27)

Reload it

Estou cansado do jeitão desse blog. Esses espaços vazios estão muito vazios. O branco está branco demais. Falta algo nesta obra. Algum tijolo está mal sentado, e o muro está começando a ceder.

Tento remodelar o desenho, em vão, e acabo desistindo. Creio que se for para mudar algo, vou botar a casa abaixo e começar tudo do zero. Tempo para isso existe. Aliás, pra tudo há tempo, basta colocar na agenda.

Hoje, por exemplo, precisava avançar na leitura do meu livro. Neste belo dia de sol, deitei-me em uma rede e, ao som de água corrente, pus-me a ler. Oh!, uma rede: símbolo do ócio para alguns, cheia de significados para mim. Uma rede…

Os pensamentos fluiam de tal maneira, talvez excitados com o som da água e o contentamento da rede, que mal terminava de ler um parágrafo e não conseguia me lembrar do que se tratava. Lindos devaneios poéticos invadiam minha mente, deixando-me antagonicamente feliz e só.

A leitura não deu certo. Após ter lido uma página, caí em um profundo e tranqüilo sono. Como podem observar, essa tarde foi muito atarefada.

Ouvindo: Beck – Loser (3:54)

Carreira

Adoravam aquela profissão Toda vez que o apito para o trabalho chamava-lhes, abriam um enorme sorriso e corriam para sua sala pontualmente, prontos para mais uma jornada. O ofício não limitava-se àquele horário, porém; acordavam, viviam e dormiam como funcionários. Não se importavam de assumir o turno de um colega ausente, ou de fazer hora extra. Seus amigos, no entanto, não os entendiam. Como podiam demonstrar tanto entusiasmo por uma tarefa tão simples?

A recompensa do trabalho não era financeira. Não estavam naquela empreitada por dinheiro, embora sua recompensa fosse ainda maior: realização pessoal. Ter a oportunidade de observar pessoal e instantaneamente os resultados de suas escolhas, diretamente nos olhos da legião do seu público-alvo era demasiado gratificante.

Vez por outro eram obrigados a ouvir reclamações de seus clientes indignados. O reconhecimento, era pouco ou inexistente, embora sempre soubessem quando estavam fazendo um bom trabalho: bastava ver nos olhos da multidão. Problemas todo mundo tem, isso era o de menos. Pensaram até mesmo em formar um sindicato, o SOS, com qual poderiam reivindicar melhores condições de trabalho, equipamentos, “tiqueti” refeição, vale transporte, enfim. A causa era nobre. Aquele grupo de amigos estava no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa.

Pois essa era a profissão que eu gostaria de exercer num futuro não muito longínquo. Dinheiro, é claro, é bem vindo, embora na minha humilde opinião não seja o mais importante. Assim como costumam aconselhar aqueles que não têm idéia alguma para te ajudar, “faça aquilo que gostas; o dinheiro vem com o tempo.” Pois esse é o meu pensamento. Esse é o futuro profissional com o qual sonho. Espero ter a oportunidade de segui-lo.

Hmm… Parece-me que o pássaro em breve sairá de seu ninho. Estará preparado para o seu primeiro vôo solo?

Ouvindo: Engenheiros do Hawaii – Dom quixote (3:13)

Vício

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Ouvindo:U2 – Bullet the blue sky (4:32)

Manifesto

Sim, estou vivo, não morri — só de amor. Minha cabeça não está vazia e minha estúpida mente ainda anseia dissertar seus incrédulos devaneios. A massa encefálica encontra-se no mesmo lugar de sempre e os meus dedos restantes não foram engolidos por cachorro algum. O problema é outro.

Como todos sabem, na tarde de um belo domingo de sol, o rapaz aqui, recém chegado de uma viagem a Porto Seguro, resolveu arrumar a casa e fazer algumas modificações em seu abandonado diário virtual, vulgo blog, como queiram. A questão é que essa façanha não foi um sucesso e, aliada a uma temporária falta de tempo, não houve outra alternativa se não deixar a poeira — puera, segundo aquela música que todos cantam — baixar. Pois é. Aqui está um vazio canto de um depósito de pensamentos, cheio de pó, traças, baratas e o que mais você imaginar. Sim, temos de tudo.

Foi necessário renegar a vida estudantil e aproveitar uma ocisa tarde de chuva para iniciar a perícia no site. O problema foi localizado e a correção está à caminho. Devido ao fato de o dia não possuir 30 horas, como falsamente anuncia aquela rede bancária através de seus anúncios televisivos, o remendo a ser feito no site ainda está por vir.

Compreendo a impaciência dos meus fiéis leitores, entendendo perfeitamente o que passa na mente e nos corações aflitos de vocês: digo isso pois enfrentei exercícios de paciência diversos durante meu período de férias, como o de esperar cerca de uma hora e meia por um simples X-Salada. Os baianos esbanjam talento.

Peço, portanto, apenas um pouco mais de calma. Só um pouquinho mais. Bem pouquinho, eu prometo. Palavra de alguém que sempre quis ser escoteiro. Em breve, muito breve, a vida por aqui volta ao normal. Dankeschön. Bis bald! Auf wiedersehen!

Um pensamento: “A vida real seria insuportável, se não fossem os sonhos. (Anatole France)”. Sonhem, meus caros! Sonhem e corram atrás de seus sonhos! “Quem acredita sempre alcança”.

Piter Balse
Quarta-feira, 18 de agosto de 2004.

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