Eine fest, uma vez

São Leopoldo é o chamado “berço da colonização alemã” no Rio Grande do Sul, pois foi aqui nesta cidadezinha, que os primeiros imigrantes desembarcaram às margens do sinuoso Rio do Sinos a 25 de julho de 1824. Como toda terra tem suas próprias festividades, comemora-se o acontecimento neste mês de julho, numa festa promovida pela prefeitura, a São Leopoldo Fest.

A festa organiza-se nas proximidades do Ginásio Municipal, onde são montadas algumas barraquinhas que vendem guloseimas típicas, bem como coisas mais realistas como pizzas e cachorro-quente. Aliás, minipizza era o que mais tinha na festa. Dez em cada dez barraquinhas tinha uma micro-pizzaria.

Aproveita-se também para expor algumas pessoas ao ridículo, caracterizando-nas com trajes típicos da época. Isso me faz lembrar o baile de aniversário da minha escola. No fim, porém, tudo é festa e bonito. E não posso negar que tudo estava muito bem organizado, mesmo que em período pré-eleitoral, embora os camarins estivessem sendo pintados minutos antes do palco ser ocupado.

Fazendo uma ponte com a história, até pode-se dizer que tudo isso não passa de uma política do “pão e circo”, adotada pelos romanos quando seu império encontrava-se em declínio. Muito plebeus, saindo do exército com a diminuição das guerras, concentravam-se nas cidades e tornavam-se predispostos a revoltas. O governo então, oferecia comida e espetáculos para agadar o povo. Assim substituímos as manchetes dos jornais de “Cidade com maior índice de homicídios por habitante” para “Show lota SL Fest”. Viva São Leopoldo!

Ouvindo: Joan Osbourne – One of us (5:21)

A busca da forma

Recentemente um estudo realizado por uma professora de uma universidade norte-americana constatou que o stress e o barulho diários contribuem para o aumento da gula, especialmente nas mulheres. Diversas pessoas foram submetidas a sons de ambiente de trabalho em níveis extremamente altos e depois lhes eram oferecidos lanches rápidos. As mulheres, ao contrário dos homens, apresentavam maior apetite para as opções mais gordurosas.

Não raramente tenho a oportunidade de presenciar a aflição de algumas amigas em manter seu corpo dentro dos mais rígidos padrões de beleza. Algumas prometem abolir ou racionar a ingestão de chocolates; outras substituem gorduras por salada e um grupo ainda menor tenta “fechar a boca” mesmo.

Beleza é bom e todos gostam e uma forma de manter-se em forma, como pode-se observar, é deixar o stress de lado e levar uma vida mais tranqüila. Vaidade, também, é positiva. Afinal, sentir-se bem consigo mesmo é condição sine qua non para felicidade. Quem não gosta de estar com pessoas — do sexo posto, é claro — bonitas, bem vestidas, cheirosas, traços bem delineados, esbeltas. Mas tudo em excesso é perigoso e isso vale tanto para quem devora uma caixa de chocolates como para quem se faz da dieta uma obsessão. Cuidado, gente querida. Para tudo existe um limite.

Tem gente gente por aí que de tão bela acabou deformando o espelho e acaba enxergando uma imagem distorcida do outro lado do vidro, alimentando sua compulsão pela busca do perfeito, um centímetro a mais já é questão de pânico. Parcimônia, mentes aflitas. Nem tudo é questão de traços ou medidas: “there are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy.” (Hamlet, I.v)

Beauty is in the eye of the beholder.

Refrigeração

O primeiro ar condicionado foi criado por Willis Haviland Carrier em 1902, com o intuito de resfriar e controlar a temperatura em processos de manufatura. Mais tarde, o aparato foi adaptado para melhorar as condições de trabalho e, posteriormente, a resfrescar os ares dos nossos lares.

O corpo humano possui um processo de controle de temperatura muito eficiente. Na medida que a temperatura eleva-se, os vasos sangüínios dilatam-se a fim de promover uma troca de calor mais eficiente graças a maior circulação. Ocorre também a sudorese, que é a eliminação de suor — basicamente composto de água, uréia e sais minerais — para que, com sua evaporação, a água leve consigo o calor.

A transpiração, porém, tem um lado obscuro muito constrangedor. Basta pegar um trem lotado, ou um ônibus num dia quente. Todos aqueles braços levantados, dos quais brotam fumaças verdes e um cheiro imensamente agradável ao olfato. Cena linda!

Com o intuito de prover um maior conforto, o ar condicionado remove a umidade do ar substituindo-lhe por outro com umidade relativa em torno de 40% a 60%, refrigerado. A refrigeração ocorre, na maioria das vezes, através de um ciclo de evaporação e condensação. Um líquido é, num primeiro momento, comprimido num tubo até que sua pressão e temperatura elevem-se, fazendo com que fique sob forma de vapor. O vapor então é condensado e, através deste processo e da redução da pressão, adquire baixa temperatura.

Durante esse processo, a umidade do ar retirada é condensada também, sendo eliminada por um escapamento do aparelho. Esse maldito tubinho fica pingando de tempos em tempos, cuspindo aquela água suja e nojenta.

Nos grandes centros, os sistemas de refrigeração tornaram-se uma grande preocupação devido ao elevado consumo de energia o que implica, muitas vezes, o racionamento de energia no verão. Para se ter uma idéia, um ar condicionado de 12.000 BTUs, ligado por uma hora, consome 3,5 kW.

Como ocorre apenas a extração da umidade, corre-se o risco de o ar tornar-se muito seco. Portanto, pode ocorrer ressecamento dos olhos e da garganta, duas situações extremamente ruins.

Outra crescente preocupação é com as cabeças dos viventes. Quem nunca foi atingido por uma gota de um ar condicionado ao passear pelo centro da cidade? Eita coisinha mais desagradável. Embora a fiscalização seja precária, existe uma regulamentação que exige que esses escapamentos sejam canalizados a fim de não molharem a passarela. Agora, na prática…

Criatura, por que tanto falas em refrigeração se estamos em pleno inverno? Como fala, meu deus, como fala! Ah, sim, já ia esquecendo. Apesar de já nos encontrarmos na estação do frio, a semana começou com um calor insuportável. Dias tão quentes que parecia verão. E, adivinhem se esta enorme cabeça não foi atingida por um cuspe desses trambolhos? Eca.

Ouvindo: Fatboy Slim – Praise You (5:23)

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