Portas giratórias

Garanto que se fosse feito um levantamento dos objetos mais detestdos da população, as portas giratórias estariam ocupando o topo da lista; um item cujo objetivo é aumentar a própria segurança do prédio causa mais espanto que conforto. E é lei: bancos são obrigados a ter esse tipo de invenção maluca em suas entradas.

A começar pelo detector de metais, a porta já causa um descontentamento. Deixar seu celular, chaves, guarda-chuva, moedas e lanterna naquela gavetinha enquanto você está preso na porta é adrenalina demais para uma tarde cansativa.

O pior de tudo, porém, é o movimento circular uniforme — aquela matéria que é odiada nas aulas de Física e, só para comprovar as palavras do professor, aparece mais uma em sua vida, mesmo após ter abandonado de vez a escola. Uniforme, pois não adianta querer empurrar a porta com toda a força do mundo, alegando que você ainda precisa passar em outros três bancos e faltam dez minutos para as quatro da tarde. É pior até: capaz da porta trancar só pra te contrariar. Ou que tal tentar entrar sorrateiro, pé ante pé, com calma, olhos arregalados, desconfiança… Não adianta: o movimento é uniforme. A porta anda na velocidade programada: entre nas linhas do sistema ou fique sem dinheiro.

Certa vez olhei o filme Changing Lanes, cujo título em português não me recordo no momento, com Ben Affleck e Samuel L. Jackson. O primeiro, interpretando a vida de um advogado vale-se de artifícios ilícitos para destruir a vida financeira do pobre personagem de Samuel. Tudo é feito com tanta facilidade que e rapidez que parece que é coisa que só acontece em cinema. Fazer uma visita ao banco para resolver um problema do meu cartão, porém, me fez mudar de idéia: bastou um telefonema para que meu cartão fosse devolvido. “Sua conta está liberada”.

Isso não significa que eu estou credenciado para ir aos cofres do fundo do banco. Isso significa que um código entrou no sistema, permitindo que um pedaço de plástico me idenfique aqui ou na China, graças a um mero telefonema. Uma mudança de tal magnitude em questão de segundos. A realidade não assusta?

Ouvindo: U2 - Where the streets have no name [live in Dublin] (5:49)

Comentários »

  1. o pior de tudo, e eu já vi, que a função DA porta giratória nem sempre é útil por motivo de negligencia dos guardas. uma pessoa não conseguiu passar 5 vezes na porta giratória, sempre deixando algum objeto, até não ter mais nenhum metal consigo, e continuou sem a passagem. então o guarda deixou passar sem + nem -. Imagina se fosse por ela simplesmente ñ querer tirar a pequena arma q tinha escondida?

    Comentário de acs — 01.08.2004 às 23:20

  2. É super chato qdo vc fica vendo em todo lugar algo. Tenho um amigo q trablha no Banco do Brasil. ele anda na rua, olha propagandas e jogo de volei, e sempre vê BANCO DO BRASIL. Imagina…

    Comentário de acs — 01.08.2004 às 23:23

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