A busca da forma

Recentemente um estudo realizado por uma professora de uma universidade norte-americana constatou que o stress e o barulho diários contribuem para o aumento da gula, especialmente nas mulheres. Diversas pessoas foram submetidas a sons de ambiente de trabalho em níveis extremamente altos e depois lhes eram oferecidos lanches rápidos. As mulheres, ao contrário dos homens, apresentavam maior apetite para as opções mais gordurosas.

Não raramente tenho a oportunidade de presenciar a aflição de algumas amigas em manter seu corpo dentro dos mais rígidos padrões de beleza. Algumas prometem abolir ou racionar a ingestão de chocolates; outras substituem gorduras por salada e um grupo ainda menor tenta “fechar a boca” mesmo.

Beleza é bom e todos gostam e uma forma de manter-se em forma, como pode-se observar, é deixar o stress de lado e levar uma vida mais tranqüila. Vaidade, também, é positiva. Afinal, sentir-se bem consigo mesmo é condição sine qua non para felicidade. Quem não gosta de estar com pessoas — do sexo posto, é claro — bonitas, bem vestidas, cheirosas, traços bem delineados, esbeltas. Mas tudo em excesso é perigoso e isso vale tanto para quem devora uma caixa de chocolates como para quem se faz da dieta uma obsessão. Cuidado, gente querida. Para tudo existe um limite.

Tem gente gente por aí que de tão bela acabou deformando o espelho e acaba enxergando uma imagem distorcida do outro lado do vidro, alimentando sua compulsão pela busca do perfeito, um centímetro a mais já é questão de pânico. Parcimônia, mentes aflitas. Nem tudo é questão de traços ou medidas: “there are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy.” (Hamlet, I.v)

Beauty is in the eye of the beholder.

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