Refrigeração
O primeiro ar condicionado foi criado por Willis Haviland Carrier em 1902, com o intuito de resfriar e controlar a temperatura em processos de manufatura. Mais tarde, o aparato foi adaptado para melhorar as condições de trabalho e, posteriormente, a resfrescar os ares dos nossos lares.
O corpo humano possui um processo de controle de temperatura muito eficiente. Na medida que a temperatura eleva-se, os vasos sangüínios dilatam-se a fim de promover uma troca de calor mais eficiente graças a maior circulação. Ocorre também a sudorese, que é a eliminação de suor — basicamente composto de água, uréia e sais minerais — para que, com sua evaporação, a água leve consigo o calor.
A transpiração, porém, tem um lado obscuro muito constrangedor. Basta pegar um trem lotado, ou um ônibus num dia quente. Todos aqueles braços levantados, dos quais brotam fumaças verdes e um cheiro imensamente agradável ao olfato. Cena linda!
Com o intuito de prover um maior conforto, o ar condicionado remove a umidade do ar substituindo-lhe por outro com umidade relativa em torno de 40% a 60%, refrigerado. A refrigeração ocorre, na maioria das vezes, através de um ciclo de evaporação e condensação. Um líquido é, num primeiro momento, comprimido num tubo até que sua pressão e temperatura elevem-se, fazendo com que fique sob forma de vapor. O vapor então é condensado e, através deste processo e da redução da pressão, adquire baixa temperatura.
Durante esse processo, a umidade do ar retirada é condensada também, sendo eliminada por um escapamento do aparelho. Esse maldito tubinho fica pingando de tempos em tempos, cuspindo aquela água suja e nojenta.
Nos grandes centros, os sistemas de refrigeração tornaram-se uma grande preocupação devido ao elevado consumo de energia o que implica, muitas vezes, o racionamento de energia no verão. Para se ter uma idéia, um ar condicionado de 12.000 BTUs, ligado por uma hora, consome 3,5 kW.
Como ocorre apenas a extração da umidade, corre-se o risco de o ar tornar-se muito seco. Portanto, pode ocorrer ressecamento dos olhos e da garganta, duas situações extremamente ruins.
Outra crescente preocupação é com as cabeças dos viventes. Quem nunca foi atingido por uma gota de um ar condicionado ao passear pelo centro da cidade? Eita coisinha mais desagradável. Embora a fiscalização seja precária, existe uma regulamentação que exige que esses escapamentos sejam canalizados a fim de não molharem a passarela. Agora, na prática…
Criatura, por que tanto falas em refrigeração se estamos em pleno inverno? Como fala, meu deus, como fala! Ah, sim, já ia esquecendo. Apesar de já nos encontrarmos na estação do frio, a semana começou com um calor insuportável. Dias tão quentes que parecia verão. E, adivinhem se esta enorme cabeça não foi atingida por um cuspe desses trambolhos? Eca.
Ouvindo: Fatboy Slim – Praise You (5:23)
