Pé frio
Crescemos ouvindo que “pé frio” é aquele sujeito azarado, sem sorte na vida e que sempre se dá mal. E mais, além de não obter sucesso, leva consigo os outros, sendo responsável pelo desastre coletivo. Se isso é verdade, pobre Balse!
Na medida que os dias vão ficando mais frios, a quantidade de roupa e elementos que são colocados na cama vão aumentando, obviamente. Enquanto no verão basta o inseparável edredom, no invero há espaço para um pesado e sufocante cobertor de penas que retém todo e qualquer resquício de calor liberado pelo corpo. A cama transforma-se em uma sauna.
Dependendo do dia — sua temperatura, para ser mais específico –, são necessários não só cobertores, como também um pijama, até para facilitar na hora de levantar no outro dia. E, como não podiam ficar de fora, os pés também passam ser cobertos até mesmo durante à noite com meias. Ficam quentinhos, mesmo quando escapam da proteção das cobertas.
Um problema, porém, que vem ocorrendo com certa freqüência, é quando um “pé” da meia escapa. Nas primeiras horas da manhã, a primeira sensação que se tem não é aquela “que belos sonhos tive” e sim “que diabos fez meu pé ficar gelado desse jeito?!”
Triste futuro para um pé frio. Enquanto seu fiel companheiro permanece coberto, o outro, desolado, enfrenta o frio dos pampas desprotegido, sofrendo, e completamente nu!
Pobre pé, sensível, tamanho 43/44. Se continuar desse jeito, serei obrigado a usar algum tipo de suspensório para meias, ou atá-las usando fita adesiva. Já pensei em ambas situações. Sim, pensei. A primeira foi vetada pois não existe uma superfície adequada para fixar as cordinhas; a segunda também, pois prefiro mil vezes passar frio nos pés a depilar as pernas. Afinal, gaúcho que é gaúcho dorme sob geada e acorda suado!
Ouvindo: Jack Johnson - Times like these (2:22)
