It’s over

Luís Vaz de Camões, o célebre escritor português certa vez escreveu:

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prémio pretendia.

A data na qual tudo começou é uma incógnita desnecessária. Seis, talvez sete anos atrás, não importa. Sabe-se, porém, que uma criança, de cabelos curtos e querendo decifrar aquilo que não conseguia entender confessou aos seus pais sua vontade de aprender inglês.

Orgulhosos da iniciativa do filho, matricularam-no no Unilinguas. E daquela data em diante, havia um dia específico na semana que freqüentava a Universidade para cursar a língua.

Bons foram os tempos nos quais pedia dois pastéis de queijo bem torradinhos, com um copo de Coca-Cola no seu lanche. Ou quando ficava no laboratório olhando pela n-ésima vez a fita do Mr. Bean. Muito aprontou também. Foi para o Inglês que fizera sua única cola, a qual não foi necessária durante a prova. Sua atuação em aula, e conseqüente resultado nunca foram ruins, por sinal. Estava lá não por vontade alheia, mas porque queria de fato aprender, ampliar seus horizontes.

Durante sua jornada, acabou fazendo muitos amigos, alguns dos quais permanecerão em sua memória por longos anos. Os professores, diferentes a cada semestre, também tiveram papel fundamental em sua formação. Metodologias diferentes, experiências de vida e histórias novas que faziam com que fosse com entusiasmo às aulas.

Teve de enfrentar turmas de adultos mesmo tendo pouca idade. Nas primeiras aulas sempre perguntavam se ele não estava perdido por lá em meio a pessoas com o dobro de sua idade — ou até mais. Houve também um dia em que teve de fazer uma difícil decisão: optar por ter aulas à noite ou abandonar o inglês. Acabou fazendo atletismo no colégio para poder livrar-se da Educação Física e, portanto, ter a tarde do inglês livre. Um sacrifício pela cultura, sim, mas que foi válido pois até mesmo a experiência do esporto lhe foi de grande valia. No ano seguinte, porém, passou a enfrentar o turno da noite e dormir mais tarde também.

No final, porém, valeu a pena todo o esforço. Valeu não só por ter conhecido a gramática e novos vocábulos da língua inglesa, mas por todo o pano de fundo do curso: os comentários em aula, as reportagens dos livros, os amigos, as palestras promovidas, e toda a experiência em si.

Acabou, mas não está concluído. Afinal, o ciclo de aprendizagem não é algo que tenha um fim, mas um processo que se estende para sempre. Não existe “formatura”. Devemos sempre estar prontos para aprender algo a cada novo dia.

começa de servir outros sete anos,
dizendo: — Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida.

Ouvindo: Kiss – Rock and Roll All Night [live] (4:20)

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