MIX

IguateMix, mix, mix, mix, mix… Fique com essa propaganda, que até por sinal nem foi lá essas coisas, na cabeça agora. Por quê? Um mix de coisas.

Já fui fã de hardcore, depois tive a fase progressiva e logo após uma pop-rock — acho que já falei sobre isso e a repetição não é válida. Mas, agora, o ecletismo reina sobre as terras nas quais sou pastor. Todos esses ritmos unidos, em harmonia. Como nos velhos tempos aqueles de Woodstock: paz (reggae), amor (love songs), e rock’n'roll. Nunca pensei que isso fosse se dar dessa maneira.

Por exemplo: ontem pela manhã acordei ao som de uma música do AC/DC, a qual já tinha escutado mas nunca havia me esforçado para procurá-la. Eis que ela grudou na minha cabeça e passei uma tarde inteira em sua busca. Após encontrar 10 músicas diferente, finalmente a maldita Back in Black foi localizada e aprisionada nos confins do meu quarto.

AC/DC? Sim, aquele magrão cabeludo, correntes penduradas, All Star nos pés, calças rasgadas, camiseta preta e, é claro, não pode faltar aquela munhequeira, cheia de pontas de ferro. Yeah!, baby! Rock’n'Roll. Sim, a imagem está formada.

O roqueiro batucando em sua bateria inexistente, no ar, quando, subitamente, acomete-lhe uma vontade de escutar algo mais agradável aos ouvidos, mais calmo, relaxante. Que tal um pouco de Jack Johnson? O QUÊ? Jack Johnson, espera aí, acho que meu ouvido tem cera. Não, você não só ouviu bem, como leu. On and on (2003)…

Legal esse cdzinho do cara. Algumas recomendações de praxe: Times like these, muito tocada nas rádios, Cocoon e Taylor. Não sei classificar que tipo de ritmo é isso, mas é basicamente violão, baixo fazendo e percussão. Um som tranqüilo e aconchegante aos ouvidos. Muito, muito bom mesmo. Ah, se há alguns anos esse tipo de música chegasse aos meus ouvidos, coitados. Não teriam nem chance; dois seguranças brutamontes expulsá-los-iam da fila, se mesmo deixar que se introduzissem. Mas hoje…

Pasmem, então, ao ouvir este relato: na tarde de domingo, o som tocando os repetidos sons de sempre, quando entra a clássica Can’t take my eyes of you, de ninguém menos que Frankie Valli. E lá estava eu cantando, feliz, esse clássico da música internacional.

Ecletismo, meus caros. Creio que estou encontrando a profissão que vou seguir. Serei… Pastor. É, ou Papa. Quero concilhar judeus e muçulmanos, fazer com que Lula e FH dêem as mãos, que ricos ajudem os pobres. Digam, quais são minhas chances?

Pobre sonhador… Pelo menos não poderão dizer, à sua morte, que não foi feliz enquanto viveu.

Ouvindo: Jack Johnson - Times like these (2:22)

Pré-acadêmico

Não estava ansioso nem com frio na barriga. Nada, nada. Dormi tranqüilo, acordei disposto e muito calmo. Era dia do meu primeiro concurso vestibular, logo sendo cobaia do Novo Vestibular UNISINOS.

Antes de entrar no clima de prova, eu tinha aula — nossa oficina da Cinema, Áudio e Televisão, que ocorre religiosamente no horário da missa de sábado. Assistimos ao fantástico filme Koyaanisqatsy [imdb], um filme composto apenas de sons e imagens. O nome, apesar de estranho, significa “vida fora de controle” no dialeto da tribo americana Hopi, que nada mais é do que a mensagem que o diretor tenta passar: estamos evoluindo tecnologicamente de forma fantástica. Mas esse sinuoso caminho está nos levando à auto-destruição.

Ao sair da escola, alertei aos demais vestibulandos que seria bom apertarmos o passo caso quiséssemos almoçar antes de fazer a prova. “Um minuto pode fazer toda diferença hoje”, ressaltei. Não deu outra: estávamos subindo a escada rolante quando o trem partiu; mais dez minutos de espera.

Ironia do destino ou não, ao chegar na estação da universidade e nos dirigirmos à fila do ônibus, eis que passa minha irmã de carro e nos dá uma carona. Pronto: agora tínhamos todo o tempo necessário para almoçar e fazer tudo na mais santa paz.

Ao chegar aos portões da instituição, uma multidão de entrega-coisas estava à postos distribuindo folhetos, tabelas periódicas, sacolas, canetas e tudo o que podia se imaginar. Fiquei apenas com uma amostra grátis de Nutry.

Almoçamos bem, comendo comida de verdade para ter energia de sobra pra prova, e nosso trio despediu-se para cada um encontrar sua sala. Entretanto, acabei fazendo uma enorme confusão e troquei o centro que iria fazer a prova. Como havia tempo de sobra, bastou cinco minutos para encontrarmos a sala correta.

Ao longo do tempo, mais e mais conhecidos surgiam por todos os lados. A faixa etária, porém, deixou-me perplexo: esperava uma pirralhada sem tamanho como eu, e não tanta gente nos seus 20, 25, anos. Mas tudo bem. Entrei na sala e sobre minha mesa havia um jornalzinho, uma caneta e um copo d’água. Conversa vai, conversa vem, soa o sinal para o início da prova e as orientações são dadas, o caderno distribuído. A primeira etapa: redação.

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Enfim a resposta

Não gostei do final da novela das 20h que passa às 21h. Em primeiro lugar, colocar polícia em novela não dá certo e me parece que a Rede Globo ainda não entendeu isso. Poxa, até eu que joguei um pouquinho de Counter Strike sei empunhar uma pistola melhor do que os policiais que entraram na casa de Laura.

Falando em Laura, não gostei também que ela foi a escolhida. Tão óbvio, tão simples. Talvez o autor da novela, apostando na obviedade colocou-na como assassina já que todo mundo pensava que ela era suspeita demais para ser a criminosa. Deu no que deu.

E o que foi aquele casamento entre Darlene e o bombeiro, que, por sinal, não tirou sua farda por um segundo sequer na novela. Mas fiasco mesmo foi o show do ministro. Colocaram o pessoal da produção na platéia e parece que disseram a eles “escuta aqui moçada: vocês vão aparecer na Globo. Mas antes, duas coisas: não vale levar cartaz ‘mãe! tô na Globo!’ e pelo menos finjam que estão gostando do show”. Ficou então aquele povo todo batendo palmas com a cara emburrada… QUe mico!

Por favor! E o que posso falar daquele álbum de fotos ao fim da novela? Foi feito em Power Point?

Pra não dizer que não falei de flores e só estou criticando o último capítulo final que terminou a novela, quem salvou a festa, pra variar, foi Renato Mendes. Esse sim trabalhou bem e salvou o episódio. Que espetáculo! “Me dá essa fita! — Olha aqui! Tão me algemando! Eu sou Renato Mendes! Presidente da Fama! Eu sou Renato Mendes!”. Boa, muito boa. Foi a única cena que me prestei a rever na reprise.

Homem de sorte aquele fotógrafo.

Queirós sabia demais, mas eu não fiquei sabendo como ele morreu. Pelo menos agora a dúvida que não queria calar e que tirava o sono de muitos brasileiros foi finalmente respondida. A novela acabou, mas como Queirós morreu? Quando haverá um capítulo extra para saber como foi? E que fim teve Renato Mendes? Foi pra cadeia? Quantos anos de pena? Ah… Antes eu só tinha uma dúvida; agora, tenho várias!

Crítico é aquele cara que foi um fracassado em sua profissão e, de tanto errar, vendeu sua alma e acabou sendo pago pra falar mal dos outros.

Ouvindo: Craig Armstrong - Ascension and Nature Boy (4:09)

Um túnel

Deparei-me há pouco tempo com um exemplo de redação intimista na escola, a qual continha o relato de uma experiência curiosa:

Certa vez, estava convicto da impossibilidade de ser aprovado. A nota que precisava: sete sobre dez. Quase conformado com a derrota, tentava-me reerguer. De repente, pela janela do quarto, entrou um gafanhoto verde. Não sei por que, qual o motivo, mas, diante do bicho “esperança”, me revigorei e retomei os estudos para a prova final, com fé multiplicada.

Tudo bem que cada louco com suas manias, mas essa do bicho esperança é complicado. Já acreditei em Papai Noel, coelhinho da páscoa e até que existia um potinho de ouro no fim do arco-íris. Só não fui tão longe como uma amiga minha que, aos dez anos, pensava não existir uma relação entre “leite de caixinha” e uma vaca — pensava que o líquido era sintetizado. Vê se pode?

Antes de mais nada, faz se necessária uma pausa para aconselhar os interepretadores de sonhos de plantão, os quais já estavam buscando os livros “O Guia Completo dos Sonhos”, “Decifrando sua mente em 24 horas” ou “Visões para Dummies” que acalmem-se. Acalmais já, bando de insanos pervertidos!

Ultimamente tenho vivenciado freqüentemente a sensação de estar caminhando num túnel escuro às cegas. Não sei ao certo se são os meus olhos que estão vendados ou se eles estão abertos e não percebem os feixes de luz. Escuto, porém, goteiras que partem de entranhas da parede. Brotam de fissuras em algum lugar imperceptível, fazendo com que a água escorra por entre os tijolos. Uma leve corrente de ar também corta longitudinalmente a passagem. Não há trilhos, apenas pedras, muitas pedras pelo caminho.

Sabe qual é o nome desse túnel? Sono! Aha! Eu disse que qualquer interepretação seria em vão. Menos 100 pontos pra você que pensou que este ser terrestre estava deprimido, lamentando sua vida a esta comunidade de internautas. Que feio! O rapaz aqui está é muito contente, irradiante de alegria, ardendo de felicidade por dentro. Só está cansado, e o sono lhe deixa cego, centrado como se estivesse num túnel, embora perceba poucos detalhes ao seu redor.

Sim, filho. Nem tudo que é parece. Cuidado com os julgamentos que faz. Vida traiçoeira essa, não? Poxa vida. Eu tenho mesmo é pena de Alphonsus. Pobre Alphonsus, pobre Alphonsus. Envelheceu e desacreditou da vida. Virou um velho rabugento e ranzinza. Se pudesse falar com ele, diria: veja a vida com outros olhos, meu caro. Supreender-se-ia com a visão que eu tenho.

Seja como for, melhor que tenho a fazer neste exato momento é afastar-me daqui e ir em busca da minha cama. Tenho plena consciência de que essas palavras estão inteiramente desconexas. Durma, rapaz. Durma que o sono é o melhor de todos os remédios.

Ouvindo: Joan Osbourne - One of Us (5:21)

A entrevista

O trem demorou demais pra chegar hoje. Ou pelo menos foi a impressão que tive. Aqueles quatro vagões que antes pareciam chegar de minuto em minuto levaram horas para aparecer. Ninguém estava aflito pois não notaram seu atraso. Somente eu percebi, mas fiquei quieto. Aproveitei o tempo para pensar metaforicamente em primeiro-emprego.

O sujeito trajou sua melhor roupa para conquistar aquela vaga a qual tanto aspirava hoje, embora em outros tempos não lhe despertava interesse algum. Chegou atrasado à entrevista e aguardou pacientemente sua vez entre seus muitos concorrentes. Pôs-se a pensar que voltaria para casa naquele dia de cabeça erguida e carteira assinada.

Finalmente chegou sua hora de provar que estava apto ao cargo. Concederam-lhe a oportunidade de falar e ele, balbuciando, com as palavras fugindo à sua mente, expressou sua aflição diante do desemprego e como esforçaria-se para não perder aquele posto de trabalho. Então chegou a maldita pergunta que sempre lhe abalava emocionalmente:

– Então senhor …, qual experiência de trabalho que você possui?
– Bom.. Err.. Na verdade eu nunca tive um trabalho fixo, com carteira assinada, sabe.. Fiz apenas alguns bicos aqui e ali… Fora isso não tive qualquer outra experiência não senhor.
– Compreendo. — Sua recusa não foi anunciada de forma direta, mas perfeitamente compreendida por aquele “compreendo”, que soou tão pesado e forte como se fosse um não.
– Mas eu preciso muito desse emprego! — disse ele não conseguindo mais ocultar seu desespero por aquela vaga. — Me dê pelo menos uma chance para provar que sou capaz!
– Acalme-se, senhor. A última coisa que vai lhe ajudar a conseguir este emprego é a perda de controle, portanto acalme-se. Nós temos o seu endereço e caso você seja selecionado nós entraremos em contato. Certo? Muito obrigado e tenha uma boa tarde. Ah, eu o acompanho até à porta.

NÃO. A sentença nem precisou ser dada, pois já estava ali, pelas entrelinhas. Não havia mais o que fazer. Mais uma derrota que sofrera em sua dura vida acabara de ser incorporada aos livros de história. “Tenha uma boa tarde”. Como esperava que fosse boa depois de aquilo tudo?

Ao caminho de casa, à pé, pois lhe faltava até mesmo o dinheiro para o ônibus, pensou mais uma vez na triste entrevista. Experiência? Como vou ter experiência se não me dão uma primeira oportunidade?, questionava-se freneticamente. Não pôde mostrar seu valor nem suas qualidades. Seu futuro acabara de mudar com aquele não.

. . .

Pior que não ter oportunidade, é ter e não saber aproveitá-la quando aparece, não atingir as espectativas, sejam elas pessoais ou de fora. Ter a consciência que você foi fraco, ou não conseguiu dar o máximo de si; reconhecer que você é mortal como qualquer um, tem limites imutáveis e que não é nem Deus nem o diabo.

Humildade, meu filho. Reconheça que ninguém é melhor que ninguém. Todos somos diferentes, mas todos somos humanos, de carne e osso. Temos nossas virtudes, mas também erramos. Nunca espere tudo de bom e do melhor se você está aí, sentado, de braços cruzados. Não espere que as coisas acontecerão de graça; tudo tem um preço: concessões, largar vícios, empenhar-se mais em outras áreas, difíceis mudanças. “Quem dera poder mudar certas coisas”. Mas você não é Deus — que isso fique bem claro!

Ouvindo: Don Davis - “Matrix Reloaded” Suite (17:35)

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