Sal nas letras

E-books são um fracasso. E a culpa é do arroz!

Especialmente naqueles dias que você não está com tanta fome, pois já tinha feito um belo lanche há poucas horas, não perdeu muita energia desde então, e vai comer só porque é necessário. Olha para o buffet e vê aquela mistura de cores, aromas e sabores.

Até que a mesa lhe agrada. Você então come umas folhas verdes, umas raspas laranja, e depois parte para o prato principal. Serve aquela porção de arroz, branquinho, soltinho, e larga sobre esse uma generosa porção de feijão ou um molho qualquer. Leva toda essa mistura à boca, mastiga e… putz! Esqueceram o sal!

Puxa vida… Depois de todo este flerte com a comida, acontece algo broxante. Todos correm aos seus pratos para tentar descobrir quem é o culpado, embora a resposta seja de conhecimento geral. Experimentam mais uma porção, contorcem a cara como se estivessem mastigando um limão e gritam em uníssono: é o arroz!

Pois e-books, os livros digitais, são um fracasso pelo mesmo motivo; são como arroz sem sal. O prazer da leitura é proporcionado por poder levar o livro a qualquer lugar. Ter as páginas entre os dedos, sentir o cheiro do papel novinho, deitado debaixo dos cobertores antes de dormir. A falta desses coadjuvantes tira todo o tempero.

Podem alegar que caso você tenha um notebook você pode muito bem ler deitado na cama. Mas um livro pelo menos não queima suas coxas — y otras cositas más. Sentado em frente ao computador, por mais que sua cadeira seja um primor de conforto, sua posição é tensa, ereta, ruim para ler, cansa logo.

Para um homem apostar numa tecnologia dessas, das duas uma: ou não gosta de ler, ou é hipertenso e não pode comer comida salgada. Seja como for, eu prefiro ter meus livrinhos de carne e osso, ops, celulose. Sal nas letras!

Ouvindo: U2 – Sunday bloody sunday [live] (7:08)

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