Coisas da natureza
Surpreendo-me mais a cada dia. O futuro é cheio de surpresas, sendo a maioria delas boas surpresas e, considerando uma por dia, embora existam dias que esse número adquira proporções astronômicas, já tive 6455 surpresas desde o momento que deixei o ventre das minha mãe através de uma cesariana.
Nessa semana que chega ao fim no dia de hoje, dois animais me deixaram estupefato: um cão e um pássaro.
Voltava eu pra casa, a pé, ao fim de um feliz porém longo e cansativo dia, quando, por ter decidido variar a clássica rota, avistei de longe um vira-lata sentado na calçada. Ele fitava o horizonte, com um carregado olhar poético, pensativo. Ao perceber minha aproximação, virou seu focinho e girou sua cabeça pra mim. Percebi que os cachorros gostam de ver o mundo inclinado.
O totó veio ao meu encontro como se eu fosse um velho conhecido, daqueles amigos que há tempos não se vê. Deu umas duas voltas ao meu redor e seguiu-me lado a lado, como se estivesse querendo conversar.
Chamei-o de companhia. E a companhia caminhou ao meu lado por muito tempo. Tomava frente algumas vezes, outras ficava atrás. Apagava-se ao perceber algo incerto, ou animava-se quando eu fazia um agrado e, assim, a companhia me acompanhou por umas cinco quadras até que encontrou outro canino e confabulou-me que gostaria de ter com ele. Despedimo-nos e cada um seguiu seu rumo. A companhia se foi e eu fiquei fisicamente só, pois eu bem sabia que em outro lugar do mundo, eu estava cumprindo uma promessa que é o meu sonho encantado.
Outro fato mais recente, porém não menos interessante, foi aquele que aconteceu enquanto eu arquitetava o ducentésimo conjunto de pensamentos deste blog. Eis a história…
Enquanto escrevia, diversas vezes parei para contemplar o belo dia que fazia. Apesar o frio, que gelavam meus dedos, o sol brilhava intensamente, em contraste com o azul celeste sob minha cabeça e das minhas paredes, que estavam sem uma nuvem sequer. Da janela eu via as árvores deixando suas folhas se irem, caindo no telhado e confirmando a época que os americanos bem nomeraram como fall: o outono.
Em meio às folhas e os galhos caídos no telhado, muitos pássaros aproveitavam para procurar alimento e matéria-prima para suas habitações. João-de-barro, sabiá, e tantas outras espécies que eu nem sei classificar saltavam e bicavam a calha. Reviravam as folhas buscando o que queriam.
Subitamente, começaram a correr e aquilo me espantou. Corriam de um lado para o outro, e bicavam como loucos a calha, saltando, bicando, saltando e bicando, furiosos! Concentrei-me nesta curiosa cena, até que percebi que os pontinhos pretos que se moviam ali não era mera ilusão, mas formigas!
De tanto perambular pela calha, os pássaros acabaram despertando as moradoras daquela parte da casa, que foram tirar satisfações. Pleno domingo de sol, dia em que o Senhor descansou, e os hábeis trabalhadores de asa tirando-lhes o sono. As formigas picavam os pássaros que bicavam em resposta. E depois vêm dizer que só o homem não entende que violência só gera violência.
Que vida louca. Nem os bichos vivem mais em paz!
Ouvindo: Dream Theater - This dying soul (11:27)

nossa q exatidão de número de surpresas…
como se faz o cálculo?
hehehehe
Comentário de acs — 03.06.2004 às 13:14