O retorno do inesperado

Pois sábado foi um dia que estava fadado ao novo, ao não-usual. Além do meu momento existe uma criança dentro de mim, decidi enfrentar as tão temidas tesouras. Já estava há uns dois meses sem vê-las, e chegara a hora de podar a juba. Depois do corte nunca ficamos satisfeitos, é verdade, mas à medida que quem o faz vai conhecendo tuas manias, os estragos são menores.

De cabelinho cortado, cabeça arejada, minha irmã e eu fomos a Novo Hamburgo, a capital do calçado, comprar um presente pra minha querida mamãe que faz anos hoje. Só havia eu naquele shopping. Eu e todas as vivas almas que habitam a cidade! Nossa, que povo! Até parecia véspera de natal…

Após ficar meia hora até conseguir estacionar o carro, rodar pelo shopping, comprar o presente e voltar para casa, perdemos umas duas horas. Poderíamos ter ido a Canoas, e assim eu poderia até ter filado uma sessão de cinema. Mas acabou dando tudo certo. Sem contar que não é legal ir à matiné sozinho…

Mais pro fim da tarde, fui fazer a clássica visita à minha avó e, após comer uns maravilhosos docinhos e ler o jornal, meu telefone tocou e saí da sala para não perturbar ninguém — e até pra ter um pouco de privacidade. Só a campainha do celular, que imita um daqueles antigos telefones de sininho (tttrrriiimmm) causou muitas gargalhadas. Explicar, depois, que era o Bill Gates pedindo conselhos para investir seu capital, foi uma árdua tarefa. Mas todos acabaram compreendendo.

Olhando aquele céu estrelado, sem nuvens, com apenas um resquício da lua, uma curva luminosa mostrando apenas parte do seu sensual corpo, pensei que estava na hora de jogar futebol. O espírito de criança mais uma vez me possuiu e lá fiquei fazendo embaixadinhas na escuridão.

O desejo de jogar futebol travestiu-se num desejo de olhar um filme, debaixo dos cobertores, comendo pipoca e tomando Coca-Cola numa noite fria que, do contrário, seria vazia. Semanas haviam se passado desde que eu tinha ido pela última vez locar um filme. E o escolhido da noite foi uma adaptação de um dos meus escritores americanos preferidos: O Júri, de John Grisham. Embora já tivesse lido o livro e conhecesse a história, o diretor foi muito feliz alterar o curso da trama para que não se tornasse uma cópia fiel do livro mantendo, contundo, o suspense e a ótima narrativa.

Opa… Como é bom estar de bem :)

Comentários »

  1. Bill gates, aham, claaaro…

    Comentário de Amanda — 08.06.2004 às 19:46

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