Superação

É triste pensar que no ano que vem por aí tudo será diferente. Não verei mais todos os mesmos rostos às sete e quinze da manhã, não contarei com a disposição dos meus professores, não precisarei me dirigir à rua Dr. Mario Sperb de segunda à sábado, não vou mais… Pensamentos do tipo vagam a minha confusa cabeça diariamente, especialmente a convicção que não irei ver muitos pelos quais tenho grande estima. E uma passagem das Confissões de Adolescente, chamada Life as a House, me fez tentar começar a colocar em ordem esses pensamentos e avaliar um pouco a situação, de fora:

“(…) A vida é cheia de mudanças, as vezes essas mudanças são lentas e passam despercebidas, mas outras vezes são tão bruscas que causam choque, e devemos saber lidar com ambas.”

Tenho plena consciência que minha vida está mudando e que nada daqui para frente será o mesmo. E isso tudo faz pensar e lembrar como eu fui burro durante todo esse tempo. Arrependo-me por tudo aquilo que não fiz. Dos erros nada tenho a me arrepender, pois foi com eles que aprendi a me tornar uma pessoa melhor, ainda que não seja ESSA pessoa melhor. Mas muita coisa eu deixei passar, muitas oportunidades que, seja por medo ou por falta de coragem de tentar, deixei passar. Muita coisa, até hoje. Como tudo é tão simples…

Sei, porém, que minha vida não acaba aqui, neste momento gelado e sombrio e que ainda me resta muito tempo para corrigir muita besteira em minha vida. E bota besteira nisso! O pior de tudo — ou talvez o mais dolorido — é saber os meus problemas e sentir-se incapaz de corrigi-los. Até porque um deles é ser cabeça-dura! E para chegar aonde eu realmente quero, preciso de uma guinada de 180 graus, e não 360 pois não quero voltar ao mesmo lugar.

Algumas mudanças já estão ocorrendo, sim. Estou me esforçando, mas creio que ainda não o bastante. Não, nem perto do bastante. Cheguei a essa conclusão hoje mesmo, através do real entendimento da palavra superação.

NOOOOOOSSA! Nem eu acredito! Hoje sim eu me superei numa área que há muito tempo não me destacava; estava lá abandonada e empoirada num porão escuro e fedorento. Eu diria: que dia de ouro… Diria, mas, faltou somente uma coisa. Ficaremos com um “que grande dia!”

Ouvindo: Ben Harper – She’s only happy in the sun

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