Tradução literal

Talvez um dos assuntos mais discorridos aqui neste diário eletrônico é, sem dúvida, relacionado à música. “Sem música eu não vivo”, “saiu o DVD da banda tal”, “gostei do álbum não-sei-o-quê”, é tanto tópico que até mesmo uma categoria exclusiva para o assunto existe.

Hoje mesmo estava eu deitado no sofá, sem vontade alguma para fazer algo produtivo, e iniciei uma maratona musical. Tá, dois shows então, os clássicos Acústico 2, do Nenhum de Nós e Live 2003, do Coldplay, ambos já comentados aqui. Coloquei o volume baixinho, deixando a música me conduzir lentamente ao sono profundo…

Acordei. Me empolguei e continuei no meu show particular, perturbando os vizinhos e rindo à toa da vida. Cantando feliz como ninguém, despreocupado com tudo e com todos. Deixando a balada fluir e conduzir minhas ações…

Pois não é verdade que as músicas são as melhores traduções para um sentimento? Um quadro é estático, assim como uma fotografia. Uma obra escrita chega perto da perfeição, mas não lhe deixa dançar. Um filme é longo, emocionante, mas não lhe seduz tão facilmente como uma música. E se for pro lado das drogas: todas te deixam legalzão e animado, mas todas te matam também. Resumindo: música é remédio pra todas as dores, só te deixa surdo. Melhor que este remédio, só existe um: aquele que leva os artistas, poetas e músicos expressarem-se com tamanha perfeição…

Já aconteceu comigo diversas vezes de passar batido por algumas músicas até que, num determinado momento, seja de depressão ou paixão, parece que tudo se encaixa e as palavras e melodias entram em ressonância com seu estado de espírito. E aquela música pela qual você não dava nada, torna-se a síntese do período que estás vivendo; tudo se encaixa brilhantemente.

Só por curiosidade, costumo citar a última música que eu estava escutando ao escrever uma entrada aqui no blog. Ao todo já foram 167 citações, das quais 24 foram da banda Dream Theater, 12 do Coldplay e 9 do Nenhum de Nós. Desse total, 5 das indicações não se tratavam de músicas, mas de sons do ambiente ou loucuras do escritor mesmo. E como hit número um tenho a música Yellow, tocada 4 vezes.

Observo, também, como meu gosto musical molda-se aos períodos em que vivo. Há alguns anos, eu não ouvia nada que não tivesse acordes bem baixos e rápidos. Passei também por uma fase punk ou hardcore, uma fase erudita, romântica, e, hoje, bem liberal. Escuto — e sou obrigado a escutar — praticamente quase todo tipo de música, até por ser do Departamento de Som do colégio e, portanto, responsável por sonorizar os recreios. Tarefa esta, aliás, que me enche deixa com uma tremenda dor de cabeça. Como é difícil agradar meio mundo!

A conclusão que chego é… não sei, o que se pode concluir disso tudo? Puxa vida, é meio difícil concluir algo neste momento. Vamos concluir, então, deixando uma canção no ar…

Ouvindo: Radiohead – Creep

Comentários »

  1. catarse…

    Comentário de Amanda — 16.05.2004 às 22:14

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