IV – Colocando um ponto

Tudo correu muito devagar. Hora de apertar o passo, não estamos chegando a lugar algum assim.

Ao longo da nossa estadia na praia, fomos sempre em lugares diferentes para comer. Jantamos no tradicional Restaurante do Nande, em Ponta das Canas na quinta-feira, onde comemos peixe grelhado e camarão à milanesa. Na Sexta-feira Santa, comemos uma Garopa à Toca de Jurerê com bolinhos de bacalhau na própria Toca de Jurerê, antiga Toca da Garopa. De lá, fomos à Praia do Forte, mas aquilo estava minado de turistas, então não ficamos por muito tempo.

À noite aconte fomos jantar no centro de Florianópolis, numa pizaria na Beira-Mar norte. Nossa, que pizza maravilhosa! A única coisa que eu não entendi até agora é o porque do garçom ter colocado um tigrinho de plástico na nossa mesa, pois eu não vi ele ter feito isso em qualquer outro lugar… Alguém pode me explicar o que isto significa?

Sábado eu havia me programado para dar uma caminhada nos morros da praia, até havia colocado o celular pra me despertar, aproveitando os dias lindos de sol que vinham fazendo. Pois não é que quando eu acordo cai aquela enorme chuva. Não tive dúvida: “Não vai dar pra caminhar”, e virei pro outro lado. Fui acordar às 11 sendo chamado pelo meu pai.

Fomos, então, dar um passeio em Sambaqui e acabamos descobrindo um lugar maravilhoso, o restaurante Posto da Alfândega. Um lugarzinho muito legal, onde comemos uma seqüência de camarões espetacular. Também tive a oportunidade de comer um lançamento da Nestlè, um sorvete de baunilha com rum ou licor de alguma coisa. Bem suave, mas muito bom, espero que chegue às lojas em breve.

Na volta, como eu já havia falado, era aquele festival de carros importados. Casualmente ia um Audi A4 Turbo na nossa frente e meu pai e eu estávamos falando sobre o carro quando o mundo parou. As batidas do meu coração ficaram totalmente perceptíveis — tuuum-pam tuuuum-pam — e aquela obra de arte veio em nossa direção. Aquele gigantesco capô levantou no quebra-molas e mostrou seu logotipo: Porsche. MEU DEUS! UM PORSCHE 911 CARRERA 4S cruzou por mim! Prata, lindo! Não que eu nunca tivesse visto um, mas são raros os momentos em que isto acontece. Fiquei todo arrepiado.

Pra fechar com chave de ouro nosso feriadão, fomos jantar no Antonio’s, um restaurante relativamente novo e muito legal. Comi lá o melhor Frango à Parmeggiana de todos os tempos. Que espetáculo! A carne desmanchava-se, o molho consistente, nossa. Delicious.

Domingo acordamos cedo, arrumamos as coisas e fomos ao aeroporto. Graças a muita sorte, o homem da locadora de veículos chegou junto conosco, o que acelerou o processo. No aeroporto — pequeno, alías, comparado ao daqui –, encontramos o Buba do BBB4. Desta vez não houve problemas com o avião e tudo ocorreu dentro dos planos.

Em toda viagem de avião a sensação que tenho é que sempre é a primeira. O friozinho na barriga é o mesmo, a felicidade de ver todo mundo pequeninho no solo, o pouso suave, tudo tudo. Mas o mais emocionante, por incrível que pareça, foi ter visto o Vale dos Sinos do avião. Fomos observando e quando vimos: “Olha, o Rio dos Sinos!”… E logo adiante, a estação São Leopoldo do Trensurb e também o BIG! Sim, eu me emocionei ao ter avistado o hipermercado BIG! Mas foi legal.

Pousamos em Porto Alegre, pegamos nossas bagagens e voltamos à terrinha querida. O melhor de tudo foi sem dúvida ter variado. Nas outras vezes que fomos à Florianópolis, sempre comíamos nos mesmos lugares ou até mesmo em casa, e acabamos descobrindo que existem lugares maravilhosos disponíveis para sair e é tudo uma questão de querer variar. E como foi legal, nunca nos divertimos tanto!

E assim terminou nossa viagem. Foi uma viagem muito diferente das outras e aprendemos muitas, mas muitas coisas. Como seria bom se todo feriadão fosse assim!

Ouvindo: Evanescence – My immortal

III – A oitava maravilha

Uma das oito maravilhas, sim, foi isso mesmo que eu disse. Ponta das Canas é uma praia localizada no extremo norte da ilha de Florianópolis. Compreende, aliás, não só uma, mas três praias: Praia Mole, Lagoinha e Praia Brava, todas elas separadas por morros.

A Praia Mole, como o nome já sugere, é de mar muito calmo, parecendo até mesmo uma lagoa. A água é quente e a faixa de areia é ideal para prática de esportes, como vôlei e freesbie.

Indo até sua extremidade, há um grande morro que separa a Praia Mole do Lagoinha. Diversas vezes tentamos fazer a travessia, mas à medida que se aproxima do meio do caminho, a subida torna-se muito íngreme, o que dificulta o acesso para quem está usando Havainas. Mas mesmo assim é legal tentar atravessar, pois descobre-se uma série de mini-piscinas naturais sem ninguém pra te perturbar. É fantástico.

Atravessando o segundo morro, tem-se uma das praias da moda, a Praia Brava. Esta tem um mar mais semelhante ao mar aqui do Rio Grande do Sul: agitado e gelado. Sem falar que está tomado por prédios e mais prédios.

Mas o Lagoinha é um caso à parte. A água é verde e tão limpa que é possível ver os próprios pés mesmo no fundo. Sem falar nos cardumes de peixes nadando ao seu redor e as leves ondas quebrando ao seu lado, perfeitas para pegar um jacaré. É um lugar de beleza rara. Cercado por dois morros cobertos por mata nativa, a vista é espetacular e uma caminhada ecológica é muito convidativa.

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II – Chegamos

Você está sobre as nuvens. Vai deslizando, os objetos em terra vai ficando maiores, até que você se depara com aquela ilha maravilhosa. Aqueles montes verdes, o mar azul refletindo os raios solares, a tão formosa e bela ponte de ferro. É uma visão emocionante de tão bela. Um dia lindo, quente, e sem previsão de chuva. Ótimo! Contrário a todas as expectativas, estamos no lucro!

Dura pouco, entretanto. À 13h10min o nosso avião pousou no aeroporto de Florianópolis, o que indica um vôo de apenas 35 minutos. Mal o avião termina de subir ele já inclina seu bico para baixo. E aí você pára e pensa: “putz, e eu levaria 7 horas para percorrer o mesmo trajeto indo de carro…”

O chato, porém, é deixar o nosso imponente aeroporto para chegar ao de Floripa. Poxa, uma cidade tão bela, voltada ao turismo, com um aeroporto tão, tão… tão simples. Tudo bem, sem problemas, afinal, não é legal reclamar de barriga cheia. Melhor descer num aeroporto pequeno do que enfrentar oito horas de viagem numa estrada esburacada.

Pra variar um pouquinho, as nossas malas nunca apareciam naquela esteira. “É essa, não, a minha tem o botão vermelho. Aquela, opa, a minha não tem a propaganda. OPA!, não, é um pouco diferente”. De longe tudo parece igual, o que é o mais frustrante. Com as malas em mãos, fomos procurar meu pai, que a essa altura já deveria com o carro, nos esperando. Que nada!

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I – Fui

Quinta-feira, véspera de sexta-feira, Sexta-feira Santa, feriado cristão, quando todos deveriam parar para pensar no sofrimento do Messias, que se matou para livrar-nos do mal, segundo a Bíblia, é claro. Acotence que de mal o mundo ainda está cheio, mas isso fica para uma próxima discussão.

Ilustre, pense que véspera de feriado o ser humano já está em baixa rotação. Sua cabeça já está visualizando uma rede, pernas pro ar, um leve brisa batendo, um cacho de uvas e um copo d’água. Uma tarde que não se arrasta. Ou quem sabe uma noite agitada, muita Skol, muita festa, azaração, enfim, uma zona dos diabos para ficar torto pelo resto do fim de semana. Num belo dia como este, onde tudo que eu mais quero fazer é pensar em coisas boas, me tascam logo uma prova de física!

Passei a noite de quarta cuidando da minha plantação de pepinos, e quando eles já estavam muito bem cuidados, arrumei a mala e só então fui dormir. A esta hora podemos dizer que eu já estava cansado. E já era tarde também. Pois bem, acordei na manhã de quinta-feira, rotina normal, acordar surrando o celular para desligar o despertador, tomar café, escovar os dentes, ir ao colégio, aquela coisa toda. Me ralei na prova, distrubuí alguns pepinos da minha plantação a alguns colegas, “tchau pessoal, até mais, bom fim de semana, feliz páscoa”, aquela coisa toda e finalmente estava livre.

Até aí tudo bem. Exceto o grau de dificuldade na prova, nada de anormal havia acontecido até então. Meu pai, pra variar um pouquinho, chegou atrasado. Lá fomos nós, voando baixo rumo ao novíssimo e espetacular Aeroporto Internacional Salgado Filho. Vamos cortar caminho:

  • 10:15 — Chegada ao aeroporto. Pegamos o mesmo elevador três vezes devido a um erro na marcação do piso.
  • 10:30 — Malas despachadas e check-in concluído. Corremos para a sala de embarque.
  • 10:40 — Chegamos à abarrotada sala de embarque.
  • 11:00 — O avião já deveria ter partido e nem sinal dele.
  • 11:10 — É noticiado um atraso de uma hora no vôo; Embarque previsto para as 12h30min.

A essa altura, a família Balsemão já estava cansada de esperar, e com fome. Deixamos a sala de embarque, e fomos ao terceiro piso do aeroporto para almoçar. Eu, pra variar um pouco, segui meu instinto de American Way of Death e fui ao McDonald’s. Vamos atalhar novamente:

  • 11:50 — A fila não anda. Clientes começam a reclamar.
  • 11:51 — Atendente informa que não há funcionários suficientes, e que os próprios gerentes estão assumindo a bronca.
  • 11:55 — Desentendimento na fila. Clientes brigam com a funcionária da rede de fast-food.

Do nada começaram a surgir cheeseburguers como água no balcão, liberando os pedidos. “Gente louca, estressada, neurótica e irritada”, pensei. Enquanto almoçávamos — meus pais e eu — observei o avião da Gol — Linhas aéreas inteligentes — pousando no aeroporto. “Opa, nosso vôo chegou”. Correria até a sala de embarque, cada um mastigando o pouco de comida que pôde colocar na boca.

Chegando à sala de embarque, mais lotada que antes, observamos um aglomerado de pessoas na porta de embarque. Aproximadamente cem pessoas se empurrando na porta, gente gritando, gente alterada, enfim, uma confusão estava formada.

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Parêntese

Antes de continuar com a Odisséia de Floripa, gostaria de publicar uma nota de lamentação em nome do ChaoticBox, expressando minhas condolências aos muitos amigos que estão encerrando suas atividades blogueiras. Faz-se aqui uma tarja preta de luto.

Tivemos nossa primeira lástima com o fechamento do antigo “Se estas paredes falassem”, blog do Chuca, que tinha muito o que falar. Desapareceu como pó no vento, deixando apenas nas lembranças suas palavras e opiniões.

Christian, após um período de inovações em seu blog — o Canto de Paz e, mais tarde, De frente com o Christian — encerrou suas atividades com o objetivo de dedicar seu tempo livre aos estudos, posição muito coerente de sua parte.

Para surpresa minha, após um bom tempo offline, encontrei duas das minhas fontes de leituras favoritas fora do ar. Primeiramente o blog do Kiko, o homem que não está em lugar algum, e, seguindo a lista de favoritos, o blog da Nyzinha, que encerrou seu blog da meneira mais criativa e simplista que eu já havia visto; foi curta e grossa: “Nyzinha cansou de internet.”

Outros ainda mostram sinais de sufoco, como é o caso do Confissões de Adolescente, mas que eu espero que volte, e, Ela e Ela, que ameaçou parar mas que, felizmente, encontrou forças e continuou nesta árdua mas recompensante tarefa de comunicadora social. Sem falar nos demais blogs de amigos que visito até com certa freqüência mas que, pelo visto, encerraram suas atividades sem declarar nada. Simplesmente deixaram seus respectivos espaços “internísticos” ao vento.

É uma pena, realmente uma lástima, ver toda uma comunidade se desfazendo, embora há males que vem para o bem. Quando algo não faz bem, é instinto do ser humano livrar-se disto a fim de tornar sua vida melhor. E, de fato, se manter um blog torna-se um peso ao vivente, a solução mais cabível é pendurar as chuteiras e assumir que não dá mais. Eu mesmo já estive à beira de largar tudo isso aqui aos ares, mas como sou tão cabeça-dura e tão teimoso, ou talvez não-sucetível a mudanças, sempre acabei fazendo os maiores esforços para continuar. Vamos ver até quando dura esta festa.

Fica então registrado minha tristeza e espero que todos os citados acima, bem como os meus demais amigos, consigam resolver seus problemas ter um pouco mais de alegria em suas vidas. Força e esperança a todos! As coisas hão de melhorar!

Ouvindo: Howard Shore / LOTR: The Return of The King OST – Minas Trith (3:37)

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